Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113385
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva Pediátrica
Criança de 4 meses, com bronquiolite, intubada com uma cânula número 3,5, fixada no 10,5 do lábio superior, encontra-se desconfortável na ventilação mecânica.A seguir, monitoramento de aparelho de ventilação mecânica.Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta para o caso.
AAumentar a frequência respiratória, mas tentar aumentar o tempo expiratório. Para isso, será necessário reduzir o tempo inspiratório.
BReduzir a frequência respiratória para poder aumentar o tempo inspiratório e aumentar o tempo expiratório. Para isso, será necessário melhorar a sedação da criança.
CAumentar a sedação e curarizar a criança para melhorar a sincronia com o ventilador. Manter os parâmetros da ventilação mecânica.
DAdministrar salbutamol no circuito do ventilador para melhorar o broncoespasmo.
EManter a frequência respiratória, realizar a medida de auto PEEP e, se presente, aumentar o tempo expiratório para reduzir o auto PEEP.
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GabaritoB — Reduzir a frequência respiratória para poder aumentar o tempo inspiratório e aumentar o tempo expiratório. Para isso, será necessário melhorar a sedação da criança.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Bronquiolite em ventilação mecânica: manejo do desconforto e auto-PEEP
Gabarito: letra B. Em lactente com bronquiolite intubado e desconfortável na ventilação mecânica, a conduta correta é reduzir a frequência respiratória para aumentar o tempo inspiratório e o tempo expiratório, além de melhorar a sedação. A bronquiolite cursa com obstrução das pequenas vias aéreas, aumento da resistência expiratória e aprisionamento aéreo, o que gera auto-PEEP e assincronia com o ventilador — o manejo adequado é otimizar o tempo expiratório, não simplesmente sedar ou curarizar.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção das vias aéreas inferiores que acomete principalmente lactentes, causando inflamação, edema e acúmulo de secreções nos bronquíolos. Isso resulta em obstrução ao fluxo aéreo, especialmente na expiração, que é um processo passivo e mais suscetível à limitação. Quando a criança está em ventilação mecânica, essa obstrução expiratória impede o esvaziamento completo dos pulmões antes do próximo ciclo respiratório, levando ao acúmulo progressivo de ar — o chamado auto-PEEP (pressão positiva expiratória final intrínseca) ou PEEP intrínseca.
O auto-PEEP tem consequências hemodinâmicas e ventilatórias importantes: aumenta a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e o débito cardíaco, e dificulta o disparo do ventilador pelo paciente, pois ele precisa gerar uma pressão negativa maior que a PEEP total para acionar o gatilho inspiratório. Isso explica o desconforto e a assincronia observados no caso. A estratégia para reduzir o auto-PEEP é aumentar o tempo expiratório, o que pode ser feito reduzindo a frequência respiratória (aumentando o tempo total do ciclo) e/ou diminuindo o tempo inspiratório (liberando mais tempo para a expiração). A sedação adequada também é importante para melhorar a sincronia, mas não é a medida principal para resolver o aprisionamento aéreo.
Na prática, o manejo do desconforto em ventilação mecânica na bronquiolite segue uma sequência lógica: primeiro, avaliar e otimizar a interação paciente-ventilador (verificando vazamentos, posição do tubo, sedação); segundo, identificar e tratar causas de aumento da resistência (como broncoespasmo, secreções) e do auto-PEEP; terceiro, ajustar os parâmetros ventilatórios para melhorar a sincronia e a troca gasosa. A alternativa B aborda exatamente essa sequência: reduzir a frequência para aumentar os tempos inspiratório e expiratório (melhorando o esvaziamento pulmonar) e melhorar a sedação (melhorando a sincronia).
A pegadinha desta questão está em confundir a conduta para broncoespasmo (salbutamol) ou para assincronia isolada (sedação/curarização) com a conduta para auto-PEEP. A banca explora a tendência de "sedar e curarizar" como primeira medida, quando na verdade o problema central é o aprisionamento aéreo, que exige ajuste ventilatório. Guarde a fronteira: desconforto + bronquiolite = pensar em auto-PEEP → aumentar tempo expiratório; desconforto + broncoespasmo = broncodilatador; desconforto + agitação sem causa ventilatória = sedação.
1Avaliar interação paciente-ventilador
2Medir auto-PEEP
3Aumentar tempo expiratório (reduzir FR/Ti)
4Otimizar sedação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Aumentar a frequência respiratória reduz o tempo total do ciclo, o que diminui o tempo disponível para a expiração. Isso pioraria o auto-PEEP, pois o pulmão teria ainda menos tempo para esvaziar. A alternativa tenta compensar reduzindo o tempo inspiratório, mas o efeito líquido de aumentar a frequência é encurtar ambos os tempos, agravando o aprisionamento aéreo. O erro está em propor uma medida que vai na direção oposta à necessária.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reduzir a frequência respiratória aumenta o tempo total do ciclo, permitindo aumentar tanto o tempo inspiratório quanto o expiratório. O aumento do tempo expiratório é a medida-chave para reduzir o auto-PEEP, pois dá mais tempo para o pulmão esvaziar antes do próximo ciclo. Melhorar a sedação também é adequado para melhorar a sincronia, desde que não seja a única medida. Esta alternativa aborda corretamente os dois pilares do manejo: ajuste ventilatório (tempo expiratório) e conforto do paciente (sedação).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Aumentar a sedação e curarizar a criança melhora a sincronia, mas não trata a causa do desconforto, que é o auto-PEEP. Manter os parâmetros ventilatórios inalterados perpetua o aprisionamento aéreo, podendo levar a hiperinsuflação, barotrauma e instabilidade hemodinâmica. A curarização só deve ser considerada após esgotadas as medidas de otimização ventilatória e sedação, e nunca como primeira escolha isolada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Administrar salbutamol no circuito do ventilador é indicado para broncoespasmo, mas na bronquiolite o componente principal é a obstrução por inflamação e secreções, não broncoespasmo reversível. O uso de broncodilatador não é rotina na bronquiolite e não trata o auto-PEEP. A alternativa ignora a causa ventilatória do desconforto e propõe uma intervenção farmacológica sem embasamento para o caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Manter a frequência respiratória e medir o auto-PEEP é uma conduta diagnóstica correta, mas a alternativa propõe "aumentar o tempo expiratório" sem especificar como. Para aumentar o tempo expiratório, é necessário reduzir a frequência respiratória ou diminuir o tempo inspiratório — medidas que a alternativa não contempla. Além disso, a alternativa não menciona a sedação, que é parte importante do manejo da sincronia. A conduta está incompleta e, portanto, incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de desconforto na ventilação mecânica. O candidato tende a escolher a alternativa que "seda e curariza" (C) ou que "dá broncodilatador" (D), mas na bronquiolite o problema central é o auto-PEEP, que exige aumento do tempo expiratório. A alternativa E parece correta por mencionar o auto-PEEP, mas é incompleta por não propor como aumentar o tempo expiratório. Com treino, você identifica que a medida-chave é reduzir a frequência para ganhar tempo expiratório 💪.
PEGA ESSA DICA!
Na bronquiolite em VM, o desconforto quase sempre indica auto-PEEP. A sequência mental é: 1) medir auto-PEEP; 2) se presente, aumentar tempo expiratório (reduzindo FR ou Ti); 3) otimizar sedação. Compare com o broncoespasmo (salbutamol) e com a assincronia isolada (sedação) — são cenários diferentes com condutas diferentes.