Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113388
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva Pediátrica
Uma criança de 2 meses e 15 dias, 5 kg, dá entrada na Unidade de Terapia Intensiva transferida de outro serviço com diagnóstico de bronquiolite. Ela utiliza uma máscara com reservatório não reinalante com 12 litros por minuto de oxigênio, acesso venoso periférico, correndo soro de manutenção basal. Ao avaliar, ela encontra-se muito sonolenta, cianótica e respirando com bastante dificuldade. Ao monitorizá-la, observam-se: frequência cardíaca (FC): 52, ritmo sinusal sem bloqueio, frequência respiratória (FR): 5, com muito esforço respiratório, retração intercostal, subdiafragmática e de fúrcula e batimento de aleta nasal, oximetria de pulso com saturação de oxigênio de 78%.Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial correta.
AAumentar o fluxo na máscara com reservatório não reinalante para 15 litros por minuto de oxigênio, aspirar a via aérea e administrar uma dose de atropina 0,1 mg no acesso venoso periférico.
BPalpar pulso, e se pulso presente, iniciar ventilação com pressão positiva; aspirar a via aérea, se necessário; observar se ventilação está adequada pela observação da expansibilidade torácica; se ventilação adequada, e mesmo assim mantiver FC abaixo de 60 e sinais de instabilidade hemodinâmica, iniciar RCP de alta qualidade; e se necessário, administrar adrenalina diluída 1:10000, na dose de 0,5 mL.
CPalpar pulso e se pulso presente, como FC menor que 60, iniciar RCP de alta qualidade imediatamente, com 15 compressões para cada 2 ventilações; aspirar a via aérea, se necessário; checar acesso venoso, e se estiver bom, administrar adrenalina diluída 1:10000, na dose de 0,5 mL.
DNão é necessário palpar pulso, pois a criança tem FC: 52 no monitor, mas como este se encontra abaixo de 60, deve-se iniciar RCP de alta qualidade imediatamente; aspirar a via aérea e intubar precocemente, pois a principal causa de PCR neste caso é hipoxemia, que deve ser revertida rapidamente; se FC não subir, administrar atropina na dose de 0,1 mg.
EInstalar rapidamente um cateter nasal de alto fluxo, que é a terapia de escolha para a bronquiolite; iniciar com fluxo de 10 litros por minuto e fração inspirada de oxigênio de 50%. Administrar dose teste de salbutamol de 200 mcg e metilprednisolona de 100 mg, pois pode ser uma primeira crise asmática.
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GabaritoB — Palpar pulso, e se pulso presente, iniciar ventilação com pressão positiva; aspirar a via aérea, se necessário; observar se ventilação está adequada pela observação da expansibilidade torácica; se ventilação adequada, e mesmo assim mantiver FC abaixo de 60 e sinais de instabilidade hemodinâmica, iniciar RCP de alta qualidade; e se necessário, administrar adrenalina diluída 1:10000, na dose de 0,5 mL.
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Parada cardiorrespiratória em pediatria: abordagem inicial
Gabarito: letra B. A conduta inicial correta diante de uma criança com bradicardia sintomática (FC 52, sonolência, cianose, esforço respiratório) é palpar o pulso e, se presente, iniciar ventilação com pressão positiva, aspirar a via aérea se necessário, observar a expansibilidade torácica e, se a FC permanecer abaixo de 60 com instabilidade, iniciar RCP de alta qualidade e administrar adrenalina diluída 1:10000 na dose de 0,5 mL — conforme as diretrizes de suporte avançado de vida em pediatria (PALS).
A bradicardia com instabilidade hemodinâmica é uma emergência que precede a parada cardiorrespiratória (PCR). O algoritmo pediátrico do PALS estabelece que, diante de FC < 60 bpm com sinais de má perfusão (sonolência, cianose, hipotensão), o primeiro passo é avaliar o pulso. Se o pulso estiver presente, a prioridade é ventilar com pressão positiva, pois a causa mais comum de bradicardia grave e PCR em crianças é a hipoxemia. A ventilação adequada, com observação da expansibilidade torácica, muitas vezes reverte a bradicardia. Somente se, após ventilação adequada, a FC permanecer < 60 bpm com instabilidade, inicia-se a RCP de alta qualidade (compressões torácicas) e se administra adrenalina.
A adrenalina é a droga de primeira linha na PCR pediátrica e na bradicardia grave refratária à ventilação. A dose é de 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10000), administrada por via IV ou IO. Para uma criança de 5 kg, a dose seria de 0,05 mg, que corresponde a 0,5 mL da diluição 1:10000. A atropina não é indicada como primeira escolha na bradicardia pediátrica com instabilidade, pois a causa mais frequente é hipoxemia, e a atropina só é considerada em casos específicos de bradicardia vagal ou bloqueio AV.
A bronquiolite, neste caso, é o gatilho para a insuficiência respiratória aguda que levou à bradicardia hipóxica. O tratamento da bronquiolite é de suporte, com oxigenação e ventilação adequadas. Broncodilatadores e corticoides não são rotineiramente indicados, conforme as evidências atuais. A cânula nasal de alto fluxo pode ser uma opção para suporte respiratório, mas não é a conduta inicial diante de uma bradicardia sintomática com risco iminente de PCR.
A pegadinha central desta questão é a ordem das ações: muitos candidatos iniciam compressões torácicas imediatamente ao ver FC < 60, mas o algoritmo pediátrico prioriza a ventilação quando o pulso está presente, pois a hipoxemia é a causa mais comum. A alternativa C erra ao iniciar RCP imediatamente sem antes ventilar; a alternativa D erra ao não palpar o pulso e ao indicar atropina; a alternativa A erra ao aumentar o fluxo de oxigênio sem ventilar e ao usar atropina; a alternativa E erra ao tratar como asma com broncodilatador e corticoide, que não são indicados na bronquiolite.
Guarde a sequência: pulso presente → ventilar → avaliar FC → se FC < 60 com instabilidade → RCP + adrenalina. É exatamente essa ordem que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Aumentar o fluxo de oxigênio para 15 L/min não resolve a hipoventilação — a criança tem FR 5, ou seja, não está ventilando adequadamente. A prioridade é ventilação com pressão positiva, não apenas aumentar a oferta de O2. Além disso, a atropina não é a droga de primeira linha na bradicardia hipóxica pediátrica; a adrenalina é a escolha. A dose de atropina 0,1 mg também não é a dose pediátrica padrão para esta situação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Segue exatamente o algoritmo do PALS: palpar pulso; se presente, iniciar ventilação com pressão positiva; aspirar via aérea se necessário; observar expansibilidade torácica; se FC < 60 com instabilidade, iniciar RCP de alta qualidade; administrar adrenalina 1:10000 na dose de 0,5 mL (0,01 mg/kg para 5 kg = 0,05 mg = 0,5 mL). A ordem e as doses estão corretas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao iniciar RCP de alta qualidade imediatamente após palpar pulso presente, sem antes tentar a ventilação com pressão positiva. A bradicardia hipóxica frequentemente reverte com ventilação adequada; as compressões torácicas só devem ser iniciadas se a FC permanecer < 60 após ventilação. A dose de adrenalina está correta, mas a sequência está errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao afirmar que não é necessário palpar pulso. A palpação do pulso é essencial para decidir entre ventilação (pulso presente) e RCP imediata (pulso ausente). Além disso, indica atropina como droga de escolha, quando a adrenalina é a primeira linha na bradicardia hipóxica refratária. A intubação precoce pode ser necessária, mas não é a primeira conduta; a ventilação com bolsa-válvula-máscara é o passo inicial.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Trata o quadro como asma, com salbutamol e metilprednisolona, mas o diagnóstico é bronquiolite, e broncodilatadores e corticoides não são indicados na bronquiolite viral aguda. A cânula nasal de alto fluxo pode ser útil, mas não é a conduta inicial diante de bradicardia sintomática com risco de PCR — a prioridade é ventilar e, se necessário, RCP e adrenalina.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre bradicardia com pulso e PCR. Ao ver FC 52, o candidato pode pensar em iniciar compressões imediatamente, mas o algoritmo pediátrico manda ventilar primeiro quando há pulso, pois a hipoxemia é a causa mais comum. A alternativa C é a armadilha clássica: começa a RCP sem tentar a ventilação. Lembre-se: pulso presente → ventilar → reavaliar FC.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a sequência do PALS para bradicardia com instabilidade: 1) palpar pulso; 2) se presente, ventilar com pressão positiva; 3) observar expansibilidade torácica; 4) se FC < 60 após ventilação, iniciar RCP; 5) adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO (0,1 mL/kg da solução 1:10000). Para 5 kg: 0,5 mL. A atropina raramente é usada em pediatria — a causa é hipoxemia, não vagal.