Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu113402
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Laboratorial
A síndrome de Cushing é uma condição caracterizada pela disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando a alterações metabólicas, hormonais e físicas.Assinale a alternativa correta que descreve os valores laboratoriais associados a essa síndrome.
AA presença de cortisol matinal baixo, < 144 nmol/L, associado a um ACTH elevado, > 66 pmol/L.
BPresença de cortisol livre na urina de 24 horas elevado, > 300 nmol/24 horas com elevada concentração de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH).
CPresença de baixa concentração de hormônios testosterona, estrogênio e desidroepiandrosterona (DHEA).
DPresença de hiponatremia e hipocalemia.
EPresença de resultados de teste de estimulação com ACTH resultando com pico de corticoide menores de 500 nmol/L.
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GabaritoB — Presença de cortisol livre na urina de 24 horas elevado, > 300 nmol/24 horas com elevada concentração de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH).
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Síndrome de Cushing: diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra B. Na síndrome de Cushing, o achado laboratorial clássico é o aumento do cortisol livre urinário de 24 horas, acompanhado de elevação do ACTH nos casos ACTH-dependentes (doença de Cushing ou secreção ectópica). A alternativa B descreve exatamente esse padrão: cortisol livre urinário elevado (> 300 nmol/24h) com ACTH elevado. As demais alternativas descrevem padrões que não correspondem ao hipercortisolismo — algumas até sugerem insuficiência adrenal ou outras endocrinopatias.
A síndrome de Cushing é definida pela exposição crônica e excessiva a glicocorticoides, independentemente da causa. Quando o excesso é endógeno, ele pode ser dependente de ACTH (85% dos casos, sendo a doença de Cushing — adenoma hipofisário secretor de ACTH — a causa mais comum) ou independente de ACTH (15%, por tumores ou hiperplasia adrenal). O diagnóstico laboratorial se baseia em três pilares: dosagem de cortisol livre urinário de 24 horas, cortisol salivar à meia-noite e teste de supressão com dexametasona 1 mg. O cortisol livre urinário é um marcador sensível e específico, pois reflete a fração biologicamente ativa do cortisol excretada na urina ao longo do dia, evitando as flutuações circadianas do cortisol sérico.
Na prática, o raciocínio diagnóstico começa com a confirmação do hipercortisolismo (cortisol livre urinário elevado, cortisol salivar noturno elevado, falha na supressão com dexametasona) e, em seguida, busca-se a etiologia. A dosagem de ACTH é o passo seguinte: se o ACTH estiver suprimido, trata-se de causa adrenal primária (ACTH-independente); se estiver elevado ou inapropriadamente normal, a causa é ACTH-dependente (hipofisária ou ectópica). É exatamente esse raciocínio que a alternativa B espelha: cortisol livre urinário elevado + ACTH elevado = hipercortisolismo ACTH-dependente.
A pegadinha central desta questão é a inversão do padrão laboratorial: enquanto a síndrome de Cushing cursa com cortisol ELEVADO, a insuficiência adrenal (doença de Addison) cursa com cortisol BAIXO e ACTH elevado (por falta de feedback negativo). A alternativa A descreve exatamente o padrão da insuficiência adrenal primária, não da síndrome de Cushing. Guarde essa fronteira: na síndrome de Cushing, o cortisol está alto; na insuficiência adrenal, está baixo. É nessa distinção que as alternativas se dividem.
Síndrome de Cushing
1Hipercortisolismo
Cortisol livre urinário elevado
ACTH elevado (ACTH-dependente)
Falha na supressão com dexametasona
2Etiologia
ACTH-dependente (85%)
Doença de Cushing (hipófise)
Secreção ectópica
ACTH-independente (15%)
Tumor/hiperplasia adrenal
3Diagnóstico (3 pilares)
Cortisol livre urinário 24h
Cortisol salivar à meia-noite
Teste de supressão com dexametasona 1 mg
4Fronteira com insuficiência adrenal
Cushing: cortisol alto
Addison: cortisol baixo, ACTH alto
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve cortisol matinal baixo (< 144 nmol/L) com ACTH elevado (> 66 pmol/L). Esse é o padrão clássico da insuficiência adrenal primária (doença de Addison), em que a destruição da glândula adrenal leva à queda do cortisol e, por falta de feedback negativo, à elevação compensatória do ACTH. Na síndrome de Cushing, o cortisol está elevado, não baixo. A banca inverteu o padrão hormonal para confundir.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve o padrão típico do hipercortisolismo: cortisol livre urinário de 24 horas elevado (> 300 nmol/24h) com elevada concentração de ACTH. Esse é o perfil da síndrome de Cushing ACTH-dependente, que inclui a doença de Cushing (adenoma hipofisário) e a secreção ectópica de ACTH. O cortisol livre urinário é um dos exames de primeira linha para confirmar o hipercortisolismo, e a dosagem de ACTH ajuda a localizar a causa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há baixa concentração de testosterona, estrogênio e DHEA. Na síndrome de Cushing, o excesso de cortisol pode suprimir o eixo gonadotrófico, mas a baixa de andrógenos adrenais (DHEA) não é um achado característico nem diagnóstico da síndrome. Na verdade, em algumas causas (como tumores adrenais), pode haver aumento de andrógenos. A alternativa descreve um padrão inespecífico que não define a síndrome de Cushing.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve hiponatremia e hipocalemia. A hipocalemia pode ocorrer na síndrome de Cushing devido ao efeito mineralocorticoide do cortisol em excesso (que ativa receptores mineralocorticoides), mas a hiponatremia não é um achado típico — na verdade, o excesso de cortisol tende a causar retenção de sódio e expansão volêmica, podendo levar a hipertensão, não a hiponatremia. A hiponatremia com hipercalemia é o padrão da insuficiência adrenal, não do hipercortisolismo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve um teste de estimulação com ACTH resultando em pico de corticoide menor que 500 nmol/L. Esse é o padrão de insuficiência adrenal (resposta inadequada ao estímulo), não da síndrome de Cushing. Na síndrome de Cushing, o teste de estimulação com ACTH geralmente mostra resposta exagerada ou, no caso de causas ACTH-independentes, ausência de resposta (pois a adrenal já está hiperestimulada ou autônoma). O valor de 500 nmol/L é um limiar usado para diagnosticar insuficiência adrenal, não hipercortisolismo.