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Questão de Medicina — Saúde do Adolescente na Atenção Básica — VUNESP 2025

MedicinaSaúde do Adolescente na Atenção Básica
Código
vu113421
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Preventiva e Social
Diego, de 15 anos, comparece a uma consulta com queixas vagas. Depois de insistir muito na anamnese, a médica verifica que o paciente vive isolado socialmente. Ao insistir mais um pouco, descobre que o paciente pensa ser homossexual, mas não aceita essa orientação e quer modificá-la. Tem medo da reação dos pais, que são muito religiosos; acha que, se descobrirem, vão pedir para ele sair de casa. Diego pergunta sobre medicamentos ou terapias possíveis para modificação da orientação sexual.Uma resposta inicial adequada a esse caso consiste em
  1. Aencaminhar o paciente a um psicólogo que já tenha um grupo de adolescentes disfóricos.
  2. Bdiagnosticar transtorno de comportamento e encaminhar o paciente ao psiquiatra.
  3. Corientar o paciente a frequentar um grupo de adolescentes com distúrbios de ansiedade.
  4. Dtranquilizar o paciente e explicar que sua orientação sexual é normal e não requer tratamento.
  5. Enormalizar a questão e esclarecer que a queixa será tratada na próxima consulta, na presença da mãe do paciente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — tranquilizar o paciente e explicar que sua orientação sexual é normal e não requer tratamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Saúde do Adolescente: orientação sexual e acolhimento na Atenção Básica

Gabarito: letra D. A resposta inicial adequada é tranquilizar Diego e explicar que a homossexualidade é uma variação normal da orientação sexual, que não constitui doença e, portanto, não requer tratamento — conduta alinhada aos princípios do acolhimento e da atenção integral ao adolescente, que inclui a abordagem da sexualidade sem julgamento e com respeito à autonomia. A alternativa correta espelha exatamente esse princípio: a orientação sexual não é um transtorno e não há indicação de terapias de modificação, sendo a função do médico, nesse primeiro momento, oferecer escuta acolhedora, validar a experiência do paciente e desconstruir a ideia de que ele precisa ser "corrigido".

O caso de Diego é um exemplo clássico de como a adolescência é um período de intensas transformações, incluindo a descoberta e a afirmação da sexualidade. O profissional de saúde, especialmente na Atenção Básica, é um canal de comunicação fundamental para acolher essas demandas, que muitas vezes se apresentam de forma indireta, como as "queixas vagas" relatadas. O isolamento social, o medo da reação familiar e o desejo de "modificar" a orientação sexual são sinais de sofrimento psíquico, mas a raiz desse sofrimento não está na orientação sexual em si, e sim na não aceitação, no preconceito internalizado e no medo da rejeição. A conduta médica deve, portanto, focar em acolher, informar e apoiar, e não em "tratar" uma característica que não é patológica.

A abordagem da sexualidade na adolescência exige que o profissional esteja apto a discutir identidade de gênero e orientação sexual, estando atento a indícios de violência e sofrimento relacionados a esses temas, que podem resultar tanto de dúvidas e incertezas pessoais quanto da não aceitação social e familiar. O material de apoio reforça que é essencial que o profissional de saúde seja um canal de comunicação clara com o adolescente, trabalhando questões de autoestima, empoderamento e aquisição de habilidades para um relacionamento saudável. No caso de Diego, a "queixa vaga" é a porta de entrada para uma demanda real de acolhimento e orientação sobre sua sexualidade, e a resposta inicial deve validar seus sentimentos e oferecer um espaço seguro de escuta.

A conduta correta não é encaminhar para um especialista em "disforia" ou "transtorno de comportamento", pois a homossexualidade não é um transtorno mental. Também não é correto adiar a conversa ou condicioná-la à presença da mãe, pois isso violaria a confidencialidade e a autonomia do adolescente, que já demonstrou medo da reação familiar. O papel do médico é, primeiramente, desmistificar a orientação sexual como algo "anormal" e oferecer suporte, podendo, se necessário, em um segundo momento, propor acompanhamento psicológico para lidar com o sofrimento emocional decorrente do conflito interno e do medo da rejeição, mas nunca com o objetivo de mudar sua orientação sexual. A resposta inicial, portanto, é a letra D, que tranquiliza e informa, abrindo espaço para um vínculo de confiança.

A pegadinha desta questão está em confundir o sofrimento do adolescente com um transtorno da própria orientação sexual. A banca explora a associação equivocada entre homossexualidade e doença, levando o candidato a escolher alternativas que "medicalizam" ou "patologizam" a condição de Diego. O critério decisivo é lembrar que a homossexualidade foi retirada da lista de transtornos mentais e que qualquer intervenção deve visar o bem-estar emocional do paciente, e não a mudança de sua orientação.

1Princípios
Acolhimento sem julgamento
Respeito à autonomia
Confidencialidade
2Orientação sexual
Variação normal (não é doença)
Não requer tratamento
Não é transtorno mental
3Condutas inadequadas
Patologizar (disforia/transtorno)
Adiar com presença da mãe
Encaminhar a grupo de "disfóricos"
Abordagem da sexualidade na adolescência
LEVELsoulevel.com.br
Abordagem da sexualidade na adolescência: Princípios (Acolhimento sem julgamento, Respeito à autonomia, Confidencialidade); Orientação sexual (Variação normal (não é doença), Não requer tratamento, Não é transtorno mental); Condutas inadequadas (Patologizar (disforia/transtorno), Adiar com presença da mãe, Encaminhar a grupo de "disfóricos")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa sugere encaminhar Diego a um psicólogo que tenha um grupo de adolescentes "disfóricos". O erro está em associar a homossexualidade à disforia de gênero, que é um conceito diferente. Disforia de gênero refere-se ao desconforto entre o gênero de identificação e o sexo biológico, não à orientação sexual. Diego não apresenta sinais de disforia de gênero; ele se identifica como homossexual, o que diz respeito à sua orientação sexual (por quem sente atração), não à sua identidade de gênero. Além disso, encaminhar para um grupo de "disfóricos" patologiza a condição e não atende à necessidade imediata de acolhimento e informação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao propor o diagnóstico de "transtorno de comportamento" e encaminhamento ao psiquiatra. A homossexualidade não é um transtorno de comportamento nem uma doença mental. Diagnosticá-la como tal é um erro grave, que reforça o estigma e o sofrimento do paciente. O sofrimento de Diego decorre do conflito interno e do medo da rejeição, não da sua orientação sexual em si. A conduta correta não é medicalizar a orientação sexual, mas sim acolher o adolescente e ajudá-lo a lidar com seus sentimentos e medos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C propõe orientar Diego a frequentar um grupo de adolescentes com "distúrbios de ansiedade". Embora Diego possa estar ansioso devido à sua situação, o foco da queixa não é um transtorno de ansiedade primário, mas sim a dificuldade em aceitar sua orientação sexual e o medo da reação familiar. Rotulá-lo como portador de um distúrbio de ansiedade e encaminhá-lo a um grupo específico para isso é uma abordagem inadequada, que não aborda a causa do seu sofrimento e pode fazê-lo sentir-se ainda mais diferente e incompreendido. A resposta inicial deve ser de acolhimento e normalização da sua orientação sexual, não de encaixá-lo em um diagnóstico psiquiátrico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D é a correta. A resposta inicial adequada é tranquilizar Diego e explicar que sua orientação sexual é normal e não requer tratamento. Essa conduta está alinhada com os princípios da Atenção Básica e com a abordagem da sexualidade na adolescência, que deve ser feita de forma acolhedora, sem julgamentos e com respeito à autonomia do paciente. Ao afirmar que a homossexualidade é normal, a médica desmistifica a ideia de que Diego precisa ser "corrigido" e oferece um espaço seguro para que ele possa expressar seus medos e dúvidas. Essa é a base para estabelecer um vínculo de confiança e, se necessário, oferecer suporte psicológico para lidar com o sofrimento emocional, mas nunca com o objetivo de mudar sua orientação sexual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E erra ao propor "normalizar a questão" e adiar o tratamento para a próxima consulta, na presença da mãe. Primeiro, "normalizar" não é o mesmo que acolher e explicar; pode ser interpretado como minimizar a preocupação do adolescente. Segundo, adiar a conversa e condicioná-la à presença da mãe viola a confidencialidade e a autonomia do adolescente, que já expressou medo da reação dos pais. A Atenção Básica deve garantir um espaço de escuta individual e confidencial para o adolescente, respeitando sua privacidade e seu direito de decidir quando e como compartilhar sua orientação sexual com a família. A resposta inicial deve ser imediata e focada no acolhimento, não no adiamento.

Gabarito: letra D — a conduta correta é tranquilizar Diego e explicar que a homossexualidade é uma variação normal da orientação sexual, que não requer tratamento.

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