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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu113424
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Preventiva e Social
Mariana, de 84 anos, comparece a uma consulta na Unidade de Saúde da Família do bairro onde mora, acompanhada da filha. Durante a anamnese e o exame físico, a médica que atende o caso suspeita de violência e abuso. Ela interrompe o atendimento por alguns minutos e pede aconselhamento de um colega, também médico.Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta do ponto de vista médico e ético.
  1. APreconceito e discriminação são formas antigas de violência contra o idoso, e não são os médicos que diminuirão esse aspecto da sociedade.
  2. BA violência contra o idoso deve ser combatida com conhecimento e experiência; o médico em questão deve acolher a referida médica e recomendar o trabalho da equipe multiprofissional, já existente na Unidade.
  3. CO abuso contra a pessoa idosa é um problema da sociedade contemporânea que pode ser efetivamente prevenido por meio da intervenção médica.
  4. DOs médicos em questão devem encaminhar o caso para a agente comunitária de saúde, que conhece a estrutura social do bairro mais que os outros profissionais e, portanto, deve saber detalhes da vida da família assistida.
  5. EA desigualdade da sociedade brasileira não pode ser diminuída pela Medicina, e a orientação da ética médica é não atuar, a menos que existam provas do abuso infligido à idosa.
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GabaritoB — A violência contra o idoso deve ser combatida com conhecimento e experiência; o médico em questão deve acolher a referida médica e recomendar o trabalho da equipe multiprofissional, já existente na Unidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Violência contra a pessoa idosa: abordagem ética e multiprofissional na Atenção Básica

Gabarito: letra B. A conduta correta diante da suspeita de violência contra idosa é acolher a colega médica e recomendar o trabalho da equipe multiprofissional já existente na Unidade de Saúde da Família, pois a violência contra o idoso deve ser combatida com conhecimento e experiência, e a atuação isolada do médico é insuficiente — o cuidado integral e a abordagem familiar são pilares da Medicina de Família e Comunidade.

A violência contra a pessoa idosa é um grave problema de saúde pública, frequentemente oculto e de difícil detecção. O médico de família, por ter vínculo longitudinal com o paciente e sua família, está em posição privilegiada para identificar sinais de maus-tratos, negligência, abuso físico, psicológico, financeiro e sexual. No entanto, a abordagem correta não se esgota na suspeita diagnóstica: exige uma atuação ética, acolhedora e integrada à equipe multiprofissional — enfermeiros, agentes comunitários de saúde, psicólogos, assistentes sociais — que já compõem a Estratégia Saúde da Família. O trabalho em equipe é essencial porque a violência doméstica contra o idoso envolve dinâmicas familiares complexas, sobrecarga do cuidador, dependência e vulnerabilidade social, que não podem ser resolvidas por um único profissional.

A ética médica impõe ao médico o dever de proteger o paciente vulnerável, agindo com beneficência e não maleficência. Diante da suspeita de violência, o médico não deve se omitir nem aguardar "provas" do abuso para intervir — a suspeita fundamentada já justifica a abordagem cuidadosa, o acolhimento da vítima, a notificação aos órgãos competentes (como o Conselho do Idoso e a autoridade sanitária) e o envolvimento da rede de proteção. A conduta isolada, o encaminhamento exclusivo a um único profissional (como a agente comunitária de saúde) ou a postura de que "não é papel do médico" são eticamente reprováveis e tecnicamente inadequadas.

A alternativa B reflete exatamente essa visão: a violência contra o idoso deve ser combatida com conhecimento e experiência, e o médico deve acolher a colega e recomendar o trabalho da equipe multiprofissional já existente na Unidade. Isso porque a Unidade de Saúde da Família é, por definição, uma equipe interdisciplinar, e a abordagem da violência exige a soma de saberes — o médico com o conhecimento clínico, o enfermeiro com o cuidado, o agente comunitário com o vínculo territorial, o psicólogo com o suporte emocional, o assistente social com a articulação de recursos. O acolhimento entre colegas também é fundamental: a médica que suspeita de violência precisa de apoio e orientação para manejar o caso com segurança e ética.

A pegadinha central desta questão está na tentação de escolher alternativas que parecem "práticas" (como encaminhar à agente comunitária) ou que minimizam o papel do médico (como as alternativas A e E), mas que na verdade contrariam os princípios da atenção integral ao idoso e da ética médica. A banca explora a confusão entre "o médico não resolve tudo sozinho" (verdadeiro) e "o médico não deve atuar" (falso). O critério decisivo é: a violência contra o idoso é um problema de saúde que exige intervenção médica integrada à equipe, nunca omissão ou delegação exclusiva.

Violência contra idoso (suspeita)
  • 1Conduta correta
    • Acolher a colega médica
    • Trabalho em equipe multiprofissional
    • Notificar órgãos competentes
  • 2Condutas incorretas
    • Omissão ("não é papel do médico")
    • Aguardar provas do abuso
    • Encaminhar a um único profissional
    • Intervenção médica isolada
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "preconceito e discriminação são formas antigas de violência contra o idoso, e não são os médicos que diminuirão esse aspecto da sociedade". O erro está na postura de resignação e desresponsabilização: embora o preconceito e a discriminação sejam, de fato, formas de violência contra o idoso, o médico não está isento de atuar. Pelo contrário, o médico de família tem o dever de combater todas as formas de violência, inclusive as simbólicas e estruturais, por meio da educação em saúde, do acolhimento e da promoção de uma cultura de respeito ao idoso. A alternativa confunde a limitação do alcance individual do médico com a ausência de responsabilidade ética e profissional.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A violência contra o idoso deve ser combatida com conhecimento e experiência; o médico em questão deve acolher a referida médica e recomendar o trabalho da equipe multiprofissional, já existente na Unidade. Esta é a conduta correta porque: (1) reconhece que a violência contra o idoso é um problema complexo que exige competência técnica e experiência; (2) valoriza o acolhimento entre colegas, essencial para o manejo ético e seguro do caso; (3) recomenda o trabalho da equipe multiprofissional, que é a estrutura organizacional da Estratégia Saúde da Família e o espaço adequado para a abordagem integral da violência — envolvendo médico, enfermeiro, agente comunitário, psicólogo e assistente social. A alternativa espelha os princípios da Medicina de Família e Comunidade: integralidade, trabalho em equipe e abordagem familiar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que "o abuso contra a pessoa idosa é um problema da sociedade contemporânea que pode ser efetivamente prevenido por meio da intervenção médica". O erro está na superestimação do alcance da intervenção médica isolada: embora o abuso contra o idoso seja um problema relevante e a prevenção seja possível, ela não se dá "por meio da intervenção médica" de forma isolada e efetiva. A prevenção efetiva exige uma abordagem multiprofissional, intersetorial e comunitária — envolvendo saúde, assistência social, justiça e educação. A alternativa reduz um problema complexo a uma solução exclusivamente médica, o que é tecnicamente incorreto e eticamente reducionista.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "os médicos em questão devem encaminhar o caso para a agente comunitária de saúde, que conhece a estrutura social do bairro mais que os outros profissionais e, portanto, deve saber detalhes da vida da família assistida". O erro é triplo: (1) a agente comunitária de saúde é um membro importante da equipe, mas não é a profissional responsável pelo manejo da violência — o caso deve ser abordado pela equipe multiprofissional como um todo; (2) a justificativa de que ela "conhece a estrutura social do bairro mais que os outros profissionais" é uma generalização indevida e desvaloriza o trabalho dos demais membros da equipe; (3) a premissa de que ela "deve saber detalhes da vida da família assistida" é inadequada e pode violar o sigilo e a privacidade da família. O encaminhamento correto é para a equipe multiprofissional, não para um único profissional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que "a desigualdade da sociedade brasileira não pode ser diminuída pela Medicina, e a orientação da ética médica é não atuar, a menos que existam provas do abuso infligido à idosa". O erro é grave e duplo: (1) embora a desigualdade social seja um problema estrutural que a Medicina isoladamente não resolve, isso não exime o médico de atuar na proteção do idoso vulnerável — a ética médica impõe o dever de beneficência e não maleficência; (2) a afirmação de que a ética médica orienta "não atuar, a menos que existam provas do abuso" é falsa e perigosa: a suspeita fundamentada já é suficiente para desencadear a abordagem, o acolhimento, a notificação e o envolvimento da rede de proteção. Aguardar "provas" é uma postura omissa que coloca o idoso em risco e contraria frontalmente os princípios éticos da medicina.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "o médico não resolve tudo sozinho" (verdadeiro — por isso a equipe multiprofissional é essencial) e "o médico não deve atuar" (falso — por isso as alternativas A e E são incorretas). A alternativa D parece "prática" ao delegar à agente comunitária, mas erra ao excluir a equipe e ao justificar com base em suposto conhecimento superior. A alternativa C parece positiva ao falar em prevenção, mas erra ao atribuir à intervenção médica isolada uma efetividade que só a ação multiprofissional alcança. O fio condutor é: suspeita de violência contra idoso = acolher + notificar + trabalhar em equipe. Com esse raciocínio, você elimina as quatro incorretas e chega à B com segurança 💪

Gabarito: letra B

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