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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
vu113432
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina de Emergência
Paciente do sexo masculino, 67 anos, com diagnóstico de câncer de pulmão metastático, refere dor intensa e persistente na região lombar, irradiando para os membros inferiores, sem melhora com analgésicos comuns. A dor é mais intensa à noite e está limitando sua mobilidade. No exame físico neurológico apresenta força muscular diminuída (grau 4/5) em membros inferiores, reflexos preservados, sem alteração sensorial.Diante desse quadro, qual é o manejo inicial indicado para alívio dessa dor?
  1. APrescrição de anti-inflamatórios não esteroidais.
  2. BUso de tramadol associado a paracetamol.
  3. CMorfina intravenosa em dose ajustada por titulação.
  4. DBloqueio peridural com anestésicos locais.
  5. EAnticonvulsivantes para controle da dor neuropática.
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GabaritoC — Morfina intravenosa em dose ajustada por titulação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo da dor oncológica: a escada analgésica da OMS

Gabarito: letra C. Para dor intensa e persistente em paciente oncológico, sem resposta a analgésicos comuns, o manejo inicial indicado é o uso de opioides fortes, como a morfina intravenosa, com dose ajustada por titulação — conforme o terceiro degrau da escada analgésica da OMS, que orienta o tratamento medicamentoso da dor oncológica. A alternativa C espelha exatamente essa recomendação.

A dor oncológica é um dos principais desafios no cuidado do paciente com câncer. Ela pode ser nociceptiva (por compressão tumoral ou estímulo aos nociceptores), neuropática (por lesão do sistema nervoso central ou periférico, decorrente de compressão, infiltração ou toxicidade do tratamento) ou mista. O tratamento envolve uma abordagem multimodal, com medidas medicamentosas e não medicamentosas, e segue as recomendações da OMS por meio da escada analgésica da dor.

A escada analgésica da OMS é um guia de três degraus para a escolha do analgésico conforme a intensidade da dor:

Degrau

Intensidade da dor

Fármacos indicados

Leve

Paracetamol ou AINEs

Moderada

Opioides leves (codeína), em monoterapia ou associados a não opioides

Forte

Opioides fortes (morfina, metadona), isolados ou combinados com não opioides

O paciente do enunciado tem dor intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns (o que sugere falha do 1º e 2º degraus). Portanto, ele se encontra no terceiro degrau da escada, que preconiza o uso de opioides fortes. A morfina é o opioide forte de referência, e a via intravenosa com titulação é a conduta inicial adequada para alívio rápido e seguro da dor intensa, permitindo ajuste fino da dose até o efeito desejado.

A alternativa C é a única que se alinha a essa recomendação. As demais alternativas representam degraus inferiores da escada ou estratégias adjuvantes que não são o manejo inicial indicado para dor intensa oncológica. A banca explora a confusão entre os degraus da escada analgésica e entre os tipos de dor (nociceptiva, neuropática, mista), que exigem abordagens diferentes.

Guarde a fronteira entre os degraus da escada analgésica: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A dor intensa oncológica exige opioides fortes, não AINEs, opioides fracos, bloqueios regionais ou anticonvulsivantes isolados.

11º degrau (dor leve)
Paracetamol
AINEs
22º degrau (dor moderada)
Codeína
Tramadol
33º degrau (dor intensa)
Morfina
Metadona
Escada analgésica da OMS
LEVELsoulevel.com.br
Escada analgésica da OMS: 1º degrau (dor leve) (Paracetamol, AINEs); 2º degrau (dor moderada) (Codeína, Tramadol); 3º degrau (dor intensa) (Morfina, Metadona)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os AINEs (anti-inflamatórios não esteroidais) são indicados no primeiro degrau da escada analgésica, para dor leve. No caso de dor intensa oncológica, eles não são o manejo inicial adequado, pois sua eficácia é limitada para dor de forte intensidade. Além disso, o paciente já não melhorou com "analgésicos comuns", o que sugere que a dor já ultrapassou o controle por AINEs.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tramadol é um opioide fraco, indicado no segundo degrau da escada analgésica, para dor moderada. A associação com paracetamol é uma estratégia válida nesse degrau, mas não é o manejo inicial para dor intensa oncológica, que exige opioides fortes (terceiro degrau). O paciente já não respondeu a analgésicos comuns, o que indica a necessidade de avançar para opioides fortes.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A morfina é um opioide forte, indicado no terceiro degrau da escada analgésica da OMS, para dor intensa ou que não respondeu ao segundo degrau. A via intravenosa com dose ajustada por titulação é a conduta inicial recomendada para alívio rápido e seguro da dor intensa, permitindo ajuste fino da dose até o efeito desejado. O paciente do enunciado tem dor intensa e persistente, sem melhora com analgésicos comuns, o que o coloca exatamente nesse degrau.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O bloqueio peridural com anestésicos locais é uma técnica de analgesia regional, indicada em situações específicas, como dor refratária a opioides sistêmicos ou quando há contraindicação a eles. Não é o manejo inicial para dor oncológica intensa, que deve começar com opioides sistêmicos (morfina IV). Além disso, o paciente apresenta déficit motor (força 4/5), o que pode contraindicar ou dificultar a realização de bloqueio peridural, pelo risco de mascarar ou agravar um quadro neurológico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) são adjuvantes no tratamento da dor neuropática. Embora o paciente possa ter um componente neuropático (dor irradiada, mais intensa à noite), o manejo inicial da dor oncológica intensa não se baseia em anticonvulsivantes isolados. Eles são usados em associação com opioides, quando há resposta parcial, mas não substituem o opioide forte como primeira linha para dor intensa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os degraus da escada analgésica da OMS. O candidato pode ser atraído pela alternativa B (tramadol + paracetamol), que é um opioide fraco, ou pela E (anticonvulsivantes), que trata dor neuropática. Mas a dor é intensa e oncológica, o que exige opioides fortes (morfina) — o terceiro degrau. Lembre-se: a intensidade da dor, e não o tipo, é o que determina o degrau inicial.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de dor oncológica, decore a escada analgésica da OMS: 1º degrau (dor leve) → paracetamol/AINEs; 2º degrau (dor moderada) → codeína/tramadol; 3º degrau (dor intensa) → morfina/metadona. A banca adora testar se você sabe em qual degrau cada fármaco se encaixa. Se a dor é intensa e não respondeu a analgésicos comuns, o caminho é sempre o opioide forte.

Gabarito: letra C

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