Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — VUNESP 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
vu113435
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina de Emergência
Em relação à síndrome de lise tumoral (SLT), qual é a complicação metabólica mais característica e potencialmente fatal?
AHipocalcemia por precipitação de fosfato de cálcio.
BHipomagnesemia induzida por quimioterapia.
CAlcalose metabólica secundária à degradação de ácidos nucleicos.
DHipernatremia devido à liberação de sódio intracelular
EHiperinsulinemia compensatória levando à hipoglicemia.
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GabaritoA — Hipocalcemia por precipitação de fosfato de cálcio.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome de lise tumoral (SLT): a hipocalcemia como complicação metabólica fatal
Gabarito: letra A. A complicação metabólica mais característica e potencialmente fatal da síndrome de lise tumoral é a hipocalcemia, que ocorre pela precipitação de fosfato de cálcio nos túbulos renais e em outros tecidos, consequência direta da hiperfosfatemia resultante da lise celular maciça. Essa precipitação pode causar lesão renal aguda, arritmias cardíacas e até morte, sendo um dos pilares da fisiopatologia da SLT.
A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma emergência oncológica que ocorre quando há rápida destruição de um grande número de células malignas, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Esse conteúdo inclui principalmente potássio, fosfato e ácidos nucleicos. A degradação dos ácidos nucleicos gera ácido úrico, que pode precipitar nos túbulos renais e causar lesão renal aguda. Já o fosfato liberado em excesso combina-se com o cálcio sérico, formando fosfato de cálcio, que precipita nos tecidos, especialmente nos rins, levando à hipocalcemia (queda do cálcio ionizado) e agravando a lesão renal. Essa hipocalcemia pode ser sintomática, manifestando-se com parestesias, espasmos musculares, tetania e, em casos graves, arritmias cardíacas potencialmente fatais.
Os principais distúrbios hidroeletrolíticos da SLT são: hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hipercalemia. A hipocalcemia é consequência direta da hiperfosfatemia: o excesso de fosfato no sangue se liga ao cálcio, formando fosfato de cálcio insolúvel que precipita nos tecidos, especialmente nos túbulos renais. Essa precipitação causa lesão renal aguda e reduz o cálcio ionizado circulante, podendo levar a arritmias cardíacas potencialmente fatais. É por isso que a hipocalcemia é considerada a complicação metabólica mais característica e potencialmente fatal da SLT — não é apenas um distúrbio eletrolítico isolado, mas o elo entre a hiperfosfatemia e as consequências clínicas graves.
Na prática clínica, a SLT ocorre mais comumente em neoplasias hematológicas agressivas, como leucemias agudas e linfomas de alto grau, especialmente após o início da quimioterapia. O reconhecimento precoce e o tratamento agressivo são fundamentais: hidratação venosa, correção dos distúrbios eletrolíticos (com atenção especial para não tratar a hipocalcemia assintomática, pois isso pode agravar a precipitação de fosfato de cálcio), uso de rasburicase e, quando indicado, hemodiálise. A distinção crucial que a banca explora é entre a hipocalcemia da SLT (causada pela precipitação de fosfato de cálcio) e outras causas de hipocalcemia, como a hipomagnesemia ou a alcalose respiratória — que não são mecanismos da SLT.
A pegadinha central desta questão é que a banca oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que não correspondem aos mecanismos fisiopatológicos da SLT. A alternativa correta (A) descreve exatamente o mecanismo: a hiperfosfatemia leva à precipitação de fosfato de cálcio, que causa hipocalcemia. As demais alternativas apresentam distúrbios que não são característicos da SLT, como hipomagnesemia, alcalose metabólica, hipernatremia ou hiperinsulinemia — nenhum deles faz parte do quadro clássico da síndrome. Guarde a tríade fisiopatológica: lise celular → liberação de fosfato → precipitação de fosfato de cálcio → hipocalcemia. É exatamente nessa cadeia que as alternativas se dividem.
1Lise celular maciça
2Liberação de fosfato
3Precipitação de fosfato de cálcio
4Hipocalcemia
5Arritmias fatais
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipocalcemia por precipitação de fosfato de cálcio é a complicação metabólica mais característica e potencialmente fatal da SLT. A lise celular maciça libera grandes quantidades de fosfato na circulação, que se combina com o cálcio sérico formando fosfato de cálcio insolúvel. Esse precipitado se deposita nos túbulos renais, causando lesão renal aguda, e reduz o cálcio ionizado circulante, podendo levar a arritmias cardíacas potencialmente fatais. O texto de apoio confirma: "Os níveis elevados de fosfato resultam em precipitação de fosfato de cálcio, que pode causar hipocalcemia sintomática, lesão tubular renal e arritmias cardíacas." É exatamente esse o mecanismo que torna a hipocalcemia a complicação mais característica e fatal da SLT.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipomagnesemia não é um distúrbio característico da SLT. A lise celular libera principalmente potássio, fosfato e ácidos nucleicos — não magnésio em quantidade significativa. A hipomagnesemia pode ocorrer como efeito colateral de alguns quimioterápicos (como cisplatina), mas não é uma complicação metabólica central da SLT. A banca tenta confundir o candidato associando a SLT a efeitos colaterais de quimioterapia, mas o mecanismo fisiopatológico da síndrome é outro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alcalose metabólica não é consequência da degradação de ácidos nucleicos. Na verdade, a degradação dos ácidos nucleicos gera ácido úrico, que pode causar acidose metabólica, não alcalose. A SLT cursa com acidose metabólica devido ao acúmulo de ácido úrico e à lesão renal aguda, que compromete a excreção de ácidos. A banca inverte o sentido do distúrbio ácido-base, trocando acidose por alcalose — uma pegadinha clássica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipernatremia não é causada pela liberação de sódio intracelular na SLT. O sódio é um íon predominantemente extracelular, e a lise celular libera principalmente potássio (íon intracelular), fosfato e ácidos nucleicos. A SLT pode cursar com hiponatremia (por SIADH, por exemplo), mas não com hipernatremia por liberação de sódio intracelular. A banca troca o íon intracelular (potássio) pelo extracelular (sódio), criando um distrator fisiologicamente incorreto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hiperinsulinemia compensatória levando à hipoglicemia não faz parte da fisiopatologia da SLT. A SLT não cursa com hiperinsulinemia nem com hipoglicemia; pelo contrário, os distúrbios metabólicos são hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hipercalemia. A hipoglicemia pode ocorrer em outras emergências oncológicas ou como efeito colateral de tratamentos, mas não é uma complicação característica da SLT. A banca cria um distrator que mistura mecanismos endócrinos que não se aplicam à síndrome.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o sentido dos distúrbios metabólicos na SLT. Na alternativa C, troca acidose por alcalose; na D, troca potássio por sódio; na E, inventa um mecanismo endócrino inexistente. O candidato que decora apenas os nomes dos distúrbios (hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, hipercalemia) sem entender o mecanismo cai nas alternativas que parecem plausíveis. Lembre-se: a hipocalcemia é a consequência direta da precipitação de fosfato de cálcio — é o elo entre a hiperfosfatemia e as complicações fatais. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
Gabarito: letra A — a hipocalcemia por precipitação de fosfato de cálcio é a complicação metabólica mais característica e potencialmente fatal da síndrome de lise tumoral.