Em 2023, o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel) investigou a prevalência de hipertensão arterial nas capitais do Brasil.Considerando os dados do estudo, qual das alternativas descreve adequadamente a relação entre idade, escolaridade, sexo e diagnóstico de hipertensão arterial na população adulta no conjunto das capitais brasileiras e no Distrito Federal?
AA prevalência de hipertensão é menor em mulheres com alta escolaridade (12 anos e mais), comparadas aos homens com o mesmo nível de escolaridade.
BA escolaridade não exerce influência sobre a prevalência de hipertensão, sendo a idade e o sexo os principais determinantes do diagnóstico da doença.
CA hipertensão é mais comum em homens com alta escolaridade (12 anos e mais) do que naqueles com baixa escolaridade (0 a 8 anos).
DA prevalência de hipertensão é uniforme em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade, sem distinção entre homens e mulheres.
EA hipertensão é menos comum em mulheres idosas (65 anos e mais), em comparação aos homens de mesma faixa etária.
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GabaritoA — A prevalência de hipertensão é menor em mulheres com alta escolaridade (12 anos e mais), comparadas aos homens com o mesmo nível de escolaridade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertensão arterial: epidemiologia no Vigitel
Gabarito: letra A. No Vigitel 2023, a prevalência de hipertensão arterial autorreferida é menor em mulheres com alta escolaridade (12 anos ou mais de estudo) quando comparadas aos homens com o mesmo nível de escolaridade — padrão consistente com a literatura, que mostra maior prevalência de HA em homens e sua redução com o aumento da escolaridade, especialmente entre mulheres. As demais alternativas invertem ou negam essas relações epidemiológicas.
A hipertensão arterial sistêmica (HA) é uma doença crônica não transmissível, multifatorial, definida pela elevação persistente da pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg. No Brasil, os principais inquéritos epidemiológicos são o Vigitel (inquérito telefônico, capitais e DF, desde 2006) e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, domiciliar). Ambos se baseiam em diagnóstico autorreferido, o que tende a subestimar a prevalência real, mas permitem analisar tendências e desigualdades.
Os dados do Vigitel 2023 mostram prevalência geral de HA de 27,9% (IC 95% 26,6–29,2), com variação entre capitais (menor em São Luís, 19,2%; maior no Rio de Janeiro, 34,4%). A análise por sexo, idade e escolaridade revela padrões bem definidos:
Sexo: a prevalência é maior em homens do que em mulheres na população geral, embora essa diferença se inverta em idades mais avançadas (após os 65 anos, as mulheres passam a ter prevalência maior).
Idade: a prevalência aumenta progressivamente com a idade, chegando a mais de 60% na faixa acima de 65 anos (cerca de 7% entre 18–39 anos).
Escolaridade: há relação inversa entre escolaridade e prevalência de HA — quanto maior a escolaridade, menor a prevalência, tanto em homens quanto em mulheres. Esse gradiente é mais acentuado entre as mulheres.
A alternativa correta (A) captura exatamente essa interação: entre pessoas com alta escolaridade (12 anos ou mais), as mulheres têm prevalência menor que os homens. Isso reflete o efeito protetor da escolaridade, que se associa a melhor acesso à informação, dieta, atividade física e uso de serviços de saúde — benefício que se manifesta de forma mais intensa no sexo feminino.
A pegadinha da questão está em inverter o gradiente de escolaridade (alternativa C) ou em negar a influência da escolaridade (alternativa B), além de generalizar a uniformidade (D) e inverter a relação etária entre sexos (E).
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta: no Vigitel 2023, entre adultos com 12 anos ou mais de escolaridade, a prevalência de hipertensão é menor em mulheres do que em homens. Esse dado é consistente com a literatura, que mostra que o gradiente educacional é mais forte entre mulheres — ou seja, a diferença de prevalência entre os sexos se reduz ou se inverte conforme aumenta a escolaridade, mas no grupo de alta escolaridade os homens ainda apresentam prevalência maior.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A escolaridade exerce influência sobre a prevalência de hipertensão. Os dados do Vigitel mostram relação inversa: quanto maior a escolaridade, menor a prevalência de HA, tanto em homens quanto em mulheres. A alternativa nega esse gradiente, afirmando que apenas idade e sexo seriam determinantes — o que contraria os achados epidemiológicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o gradiente de escolaridade. Na verdade, a hipertensão é menos comum em homens com alta escolaridade (12 anos ou mais) do que naqueles com baixa escolaridade (0 a 8 anos). O aumento da escolaridade associa-se a menor prevalência de HA, não maior.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A prevalência de hipertensão não é uniforme entre faixas etárias e níveis de escolaridade. Há clara tendência de aumento com a idade e de redução com a escolaridade, além de diferenças entre sexos. A afirmativa generaliza indevidamente, ignorando os gradientes epidemiológicos bem estabelecidos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipertensão é mais comum em mulheres idosas (65 anos ou mais) do que em homens da mesma faixa etária. Após os 65 anos, a prevalência feminina supera a masculina — inversão que ocorre em parte pela maior sobrevida das mulheres e pelas alterações hormonais da menopausa. A alternativa afirma o contrário.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de dois gradientes clássicos: (1) o efeito da escolaridade — que é protetor, não de risco — e (2) a relação entre sexo e idade — em que a prevalência masculina é maior na meia-idade, mas se inverte após os 65 anos. Nas alternativas C e E, esses gradientes aparecem invertidos; na B, a escolaridade é descartada como determinante. Com treino, você reconhece essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de epidemiologia descritiva, monte mentalmente uma tabela de 2×2 (sexo × escolaridade) e lembre: escolaridade alta = menor prevalência; idade avançada = maior prevalência; homens > mulheres até ~65 anos, depois inverte. Esses três eixos resolvem a maioria das questões sobre Vigitel.