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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu113459
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina de Família e Comunidade
Em um município com recursos escassos, uma equipe de saúde da família decide implementar a Política Nacional de Humanização (PNH) para qualificar o cuidado e diminuir o absenteísmo. A equipe enfrenta resistência de alguns profissionais e apoio limitado da gestão municipal, que alega outras prioridades.Diante desse contexto, qual a abordagem mais estratégica para a equipe da unidade promover a humanização de forma sustentável e alinhada aos princípios da PNH, considerando as dificuldades apresentadas?
  1. AFocar os profissionais engajados, ignorando a resistência, para que se tornem multiplicadores da PNH.
  2. BInterromper a implementação da PNH e priorizar outras estratégias para melhorar o cuidado e reduzir o absenteísmo.
  3. CManter todas as ações planejadas, pressionando a gestão por recursos, a fim de garantir o compromisso da equipe com a PNH.
  4. DAdaptar o plano, focando ações factíveis e alinhadas com as prioridades da gestão, e buscar apoio na rede de saúde e na comunidade.
  5. EPriorizar ações de baixo custo e impacto rápido, como rodas de conversa, para demonstrar resultados e convencer os profissionais resistentes e a gestão.
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GabaritoD — Adaptar o plano, focando ações factíveis e alinhadas com as prioridades da gestão, e buscar apoio na rede de saúde e na comunidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Política Nacional de Humanização (PNH) na Atenção Básica

Gabarito: letra D. A abordagem mais estratégica é adaptar o plano, focando ações factíveis e alinhadas com as prioridades da gestão, e buscar apoio na rede de saúde e na comunidade. Isso porque a PNH, como política transversal do SUS, valoriza a cogestão, a clínica ampliada e a construção coletiva de soluções — não a imposição de um plano rígido, nem a desistência diante de obstáculos. A alternativa D é a única que concilia os três elementos centrais do contexto: recursos escassos, resistência profissional e apoio limitado da gestão.

A Política Nacional de Humanização (PNH), também conhecida como HumanizaSUS, foi lançada em 2003 pelo Ministério da Saúde com o objetivo de qualificar práticas de saúde e fortalecer o vínculo entre usuários e equipes. Seus princípios fundamentais são a transversalidade (a humanização deve atravessar todas as políticas e ações do SUS), a indissociabilidade entre atenção e gestão, e o protagonismo dos sujeitos — usuários, trabalhadores e gestores. Na prática, isso significa que a humanização não é um programa isolado, mas um modo de fazer saúde que envolve escuta qualificada, acolhimento, clínica ampliada, cogestão e valorização do trabalho em equipe.

No cenário descrito — município com recursos escassos, equipe com resistência interna e gestão com outras prioridades —, a PNH não pode ser implementada de forma impositiva ou com um plano rígido. A própria lógica da política é a construção coletiva e a adaptação à realidade local. O que a alternativa D propõe é exatamente isso: adaptar o plano, focar no que é factível, alinhar-se às prioridades da gestão e buscar apoio na rede e na comunidade. Essa abordagem respeita o princípio da cogestão (gestão compartilhada entre equipe, gestores e usuários) e da transversalidade (articulação com outros pontos da rede e com a comunidade).

Um exemplo concreto: em vez de tentar implementar todas as diretrizes da PNH de uma vez, a equipe poderia começar com um projeto terapêutico singular para os pacientes com maior absenteísmo, envolvendo o agente comunitário de saúde e a família. Ao mesmo tempo, poderia negociar com a gestão municipal um pequeno espaço na agenda para rodas de conversa com a comunidade, mostrando resultados rápidos e construindo legitimidade. Essa é a lógica da "clínica ampliada" e da "cogestão": pequenas ações, construídas coletivamente, que geram efeito demonstração e abrem caminho para mudanças maiores.

A pegadinha desta questão está na tentação de escolher alternativas que parecem "práticas" (como a E, de baixo custo e impacto rápido) ou "pragmáticas" (como a B, de interromper a implementação), mas que não capturam a essência da PNH. A política não é sobre desistir, nem sobre impor, nem sobre focar apenas nos engajados — é sobre construir coletivamente, adaptar e articular. A alternativa D é a única que integra todos esses elementos de forma sustentável e alinhada aos princípios da PNH.

PNH (HumanizaSUS)
  • 1Princípios
    • Transversalidade
    • Indissociabilidade atenção/gestão
    • Protagonismo dos sujeitos
  • 2Estratégias
    • Cogestão
    • Clínica ampliada
    • Acolhimento e escuta
  • 3Implementação sustentável
    • Adaptar à realidade local
    • Ações factíveis
    • Alinhar com a gestão
    • Apoio da rede e comunidade
    • Imposição de plano rígido
    • Desistir diante de obstáculos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Focar apenas nos profissionais engajados e ignorar a resistência contraria o princípio da cogestão e da transversalidade da PNH. A política busca envolver todos os sujeitos — inclusive os resistentes — por meio do diálogo e da construção coletiva. Ignorar a resistência não a elimina; apenas a empurra para debaixo do tapete, o que tende a minar a sustentabilidade da iniciativa no médio e longo prazo. A PNH valoriza a gestão participativa e a negociação, não a exclusão de quem discorda.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Interromper a implementação da PNH diante das dificuldades é uma postura de desistência que contraria o próprio espírito da política. A PNH é uma política transversal do SUS, e abandoná-la por falta de apoio imediato da gestão ou por resistência de alguns profissionais não é uma solução estratégica. A alternativa ignora que a humanização é um processo contínuo, que pode e deve ser adaptado às circunstâncias, e não um projeto que se liga e desliga conforme a conveniência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Manter todas as ações planejadas e pressionar a gestão por recursos é uma postura impositiva e pouco realista. Em um cenário de recursos escassos e apoio limitado, insistir em um plano rígido e pressionar por mais verba tende a gerar conflito e inviabilizar a iniciativa. A PNH valoriza a cogestão e a negociação, não a imposição. Além disso, a alternativa ignora a necessidade de adaptar o plano à realidade local, um princípio central da política.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a abordagem mais estratégica e alinhada aos princípios da PNH. Adaptar o plano, focando ações factíveis e alinhadas com as prioridades da gestão, demonstra flexibilidade e realismo — qualidades essenciais em um contexto de recursos escassos. Buscar apoio na rede de saúde e na comunidade reforça o princípio da transversalidade e da construção coletiva, ampliando a legitimidade da iniciativa e criando uma rede de sustentação que vai além da equipe. Essa abordagem respeita a cogestão (envolvendo gestores e usuários), a clínica ampliada (considerando o contexto e as necessidades reais) e o protagonismo dos sujeitos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Priorizar ações de baixo custo e impacto rápido, como rodas de conversa, pode até ser um bom ponto de partida, mas a alternativa é incompleta e, em certo sentido, ingênua. Ela sugere que o objetivo é "convencer" os resistentes e a gestão, o que reduz a PNH a uma ferramenta de persuasão. A PNH não é sobre convencer, mas sobre construir coletivamente. Além disso, a alternativa não menciona a necessidade de adaptar o plano às prioridades da gestão nem de buscar apoio na rede e na comunidade — elementos centrais para a sustentabilidade da iniciativa. As rodas de conversa podem ser uma ação factível, mas não são a abordagem estratégica completa que a questão pede.

Gabarito: letra D — a única alternativa que integra adaptação, factibilidade, alinhamento com a gestão e articulação com a rede e a comunidade, em conformidade com os princípios da PNH.

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