Um paciente de 40 anos de idade procura o serviço de emergência oftalmológica queixando-se de dor intensa e sensação de areia no olho esquerdo após ser atingido por um galho de árvore enquanto podava o jardim sem utilizar óculos de proteção. Ao exame, observa-se lacrimejo, vermelhidão e dificuldade para abrir o olho devido à dor.Qual das seguintes condutas é a mais adequada para o atendimento inicial desse paciente?
APrescrever colírio anestésico para aliviar a dor, encaminhar o paciente para casa com orientação de repouso e compressas frias, com retorno caso os sintomas persistam.
BRealizar lavagem ocular exaustiva com soro fisiológico, ocluir o olho com curativo compressivo e indicar consulta com neurologista para descartar lesão nervosa.
CIniciar colírio de corticoide para reduzir a inflamação e encaminhar o paciente para avaliação com especialista em doenças infecciosas devido ao risco de infecção.
DAdministrar analgésico oral para aliviar a dor, realizar teste de acuidade visual e agendar consulta com oftalmologista em até 72 horas para avaliação.
ERealizar exame com colírio anestésico e fluoresceína, remover o corpo estranho após eversão da pálpebra, prescrever colírio antibiótico e indicar acompanhamento oftalmológico.
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GabaritoE — Realizar exame com colírio anestésico e fluoresceína, remover o corpo estranho após eversão da pálpebra, prescrever colírio antibiótico e indicar acompanhamento oftalmológico.
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Trauma ocular por corpo estranho: conduta inicial
Gabarito: letra E. A conduta mais adequada é realizar exame com colírio anestésico e fluoresceína, remover o corpo estranho após eversão da pálpebra, prescrever colírio antibiótico e indicar acompanhamento oftalmológico. Essa sequência segue o manejo padrão de corpo estranho ocular, conforme a literatura de emergências oftalmológicas.
O trauma ocular por corpo estranho é uma das causas mais comuns de atendimento oftalmológico de urgência. O quadro clínico descrito — dor intensa, sensação de areia, lacrimejamento, vermelhidão e dificuldade de abrir o olho — é típico de um corpo estranho na superfície ocular, geralmente alojado na córnea ou na conjuntiva tarsal (na face interna da pálpebra). O mecanismo do trauma (galho de árvore) aumenta a suspeita de corpo estranho vegetal, que pode carrear material orgânico e bactérias, elevando o risco de ceratite infecciosa.
O passo inicial do atendimento é a anamnese dirigida e o exame ocular completo, incluindo a medida da acuidade visual. Em seguida, realiza-se o exame com lâmpada de fenda (biomicroscopia) e o teste com fluoresceína, que cora a córnea e evidencia abrasões ou ulcerações. O colírio anestésico (como proximetacaína ou tetracaína) é utilizado para permitir o exame e a remoção do corpo estranho, pois elimina o blefaroespasmo e a dor. A eversão da pálpebra é fundamental para visualizar e remover corpos estranhos retidos na conjuntiva tarsal superior, que são muito comuns e frequentemente esquecidos.
Após a remoção, a conduta inclui a prescrição de colírio antibiótico tópico (profilático ou terapêutico) e o acompanhamento oftalmológico para reavaliação, pois complicações como ceratite infecciosa, úlcera de córnea ou corpo estranho intraocular podem se manifestar tardiamente. A profilaxia antitetânica deve ser considerada conforme o estado vacinal do paciente.
A alternativa E é a única que contempla todos os passos essenciais: exame com anestésico e fluoresceína (diagnóstico), eversão palpebral e remoção do corpo estranho (tratamento imediato), antibiótico tópico (prevenção de infecção) e seguimento (vigilância de complicações). As demais alternativas apresentam erros conceituais ou condutas inadequadas, como veremos a seguir.
1Anamnese + acuidade visual
2Anestésico + fluoresceína
3Eversão palpebral
4Remoção do corpo estranho
5Antibiótico tópico
6Reavaliação 24-48h
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em prescrever colírio anestésico para alívio da dor e encaminhar o paciente para casa. O colírio anestésico tópico é utilizado apenas como auxiliar diagnóstico e para permitir procedimentos (como a remoção de corpo estranho), nunca como analgésico de uso contínuo. O uso prolongado de anestésicos tópicos causa ceratopatia neurotrófica, retardo da cicatrização corneana e risco de úlcera infecciosa. Além disso, a conduta não aborda a remoção do corpo estranho, que é o tratamento definitivo, nem prescreve antibiótico ou seguimento adequado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B erra ao indicar oclusão com curativo compressivo e consulta com neurologista. Em traumas oculares com suspeita de corpo estranho, o curativo compressivo é contraindicado, pois pode pressionar o globo ocular e, em caso de perfuração, agravar a lesão. O correto, se houver suspeita de perfuração, é uma proteção ocular rígida (como um copinho) sem compressão. A lavagem ocular com soro fisiológico é útil, mas não substitui a remoção do corpo estranho. A consulta com neurologista não é indicada neste contexto; o encaminhamento deve ser ao oftalmologista.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está em iniciar colírio de corticoide sem diagnóstico definitivo e sem excluir infecção. O uso de corticoide tópico em um olho com possível ceratite infecciosa (especialmente por material orgânico) pode exacerbar a infecção, levando a úlcera de córnea grave e perfuração. O corticoide só deve ser usado sob supervisão oftalmológica e após afastar processo infeccioso ativo. Além disso, a conduta não realiza a remoção do corpo estranho, que é o passo fundamental. O encaminhamento a especialista em doenças infecciosas não é a prioridade; o manejo inicial é oftalmológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D é inadequada por adiar a avaliação oftalmológica em até 72 horas. Em um trauma com corpo estranho, a remoção precoce é essencial para evitar complicações como infecção, ulceração e cicatriz corneana. O teste de acuidade visual é importante, mas não substitui o exame com lâmpada de fenda e fluoresceína. O analgésico oral pode ser usado como adjuvante, mas não é o tratamento principal. O paciente deve ser avaliado e tratado imediatamente, não aguardar 72 horas.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o manejo do corpo estranho ocular: exame com colírio anestésico e fluoresceína para localizar e avaliar a lesão, eversão da pálpebra para inspecionar a conjuntiva tarsal, remoção do corpo estranho (com swab ou agulha sob lâmpada de fenda), prescrição de colírio antibiótico para prevenir infecção e acompanhamento oftalmológico para reavaliação e detecção precoce de complicações. Essa sequência segue as diretrizes de emergências oftalmológicas e é a conduta mais adequada para o caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o uso do anestésico tópico como ferramenta diagnóstica/procedimental (correto) e como analgésico de uso contínuo (incorreto e perigoso). A alternativa A parece tentadora por "aliviar a dor", mas o anestésico tópico nunca deve ser prescrito para uso domiciliar. Fique atento: em oftalmologia, anestésico tópico é para o consultório, não para levar para casa.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de trauma ocular, memorize a sequência: 1) anamnese + acuidade visual → 2) exame com fluoresceína (com ou sem anestésico) → 3) eversão palpebral e remoção do corpo estranho → 4) antibiótico tópico → 5) reavaliação em 24-48h. Se a alternativa pular qualquer um desses passos ou incluir algo contraindicado (curativo compressivo, corticoide sem diagnóstico, anestésico de uso contínuo), está errada.