Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025
Medicina›Médico da Família
Código
vu113466
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina de Família e Comunidade
Em uma cidade com cerca de 90 mil habitantes, um paciente de 16 anos de idade é atendido em uma Unidade Básica de Saúde com queixas de ansiedade intensa, isolamento social e dificuldade em manter o desempenho escolar. A mãe relata que o adolescente tem apresentado comportamento arredio, pouca comunicação e irritabilidade frequente. Durante a consulta, o médico identifica suspeita de sofrimento psíquico relacionado a possíveis transtornos mentais e uso prejudicial de álcool.Considerando a necessidade de avaliação especializada e acompanhamento contínuo, para qual modalidade de Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) o paciente deve ser prioritariamente encaminhado?
ACAPS I, pois atende pessoas de todas as faixas etárias com intenso sofrimento psíquico.
BCAPS II, pois é indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 70 mil habitantes.
CCAPS III, pois oferece serviços de atenção contínua, 24 horas por dia, incluindo feriados e finais de semana.
DCAPS i, pois é especializado no atendimento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico.
ECAPS AD, pois é voltado para pessoas de todas as faixas etárias com sofrimento psíquico decorrente do uso de álcool e outras drogas.
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GabaritoD — CAPS i, pois é especializado no atendimento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico.
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Encaminhamento em saúde mental: CAPS i para adolescentes
Gabarito: letra D. O paciente tem 16 anos e apresenta sofrimento psíquico — o critério decisivo é a faixa etária, e não o diagnóstico específico ou o porte do município. O CAPS i é a modalidade especializada no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais, conforme a Política Nacional de Saúde Mental e a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um serviço de saúde mental comunitário, substitutivo ao modelo manicomial, que oferece cuidado intensivo, semi-intensivo e não-intensivo a pessoas com sofrimento psíquico grave e persistente. A RAPS, instituída pela Portaria de Consolidação nº 3/2017 (origem: PRT MS/GM 3.088/2011), organiza esses serviços em diferentes modalidades, cada uma com público-alvo e porte populacional próprios. A lógica é territorial: o CAPS deve estar inserido na comunidade e ser a referência para o cuidado contínuo, evitando internações desnecessárias.
A classificação dos CAPS é o ponto central da questão. O CAPS I atende municípios de pequeno porte (população entre 15 mil e 70 mil habitantes) e recebe todas as faixas etárias, mas não é especializado. O CAPS II é para municípios com população acima de 70 mil habitantes, também sem recorte etário específico. O CAPS III é o serviço de atenção contínua, com funcionamento 24 horas, incluindo feriados e finais de semana, e atende adultos. O CAPS AD é voltado para pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas, de todas as idades. Já o CAPS i é a modalidade exclusiva para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico intenso, independentemente do diagnóstico — é exatamente o perfil do paciente do enunciado.
A pegadinha da banca está em explorar dois distratores fortes: o CAPS AD, porque o enunciado menciona "uso prejudicial de álcool", e o CAPS III, porque o caso sugere necessidade de acompanhamento contínuo. Mas o que define o encaminhamento prioritário é a idade do paciente (16 anos), não o consumo de álcool nem a gravidade isolada. O CAPS AD seria indicado se o problema central fosse o uso de substâncias, mas aqui o quadro é de sofrimento psíquico com possível uso prejudicial — e o CAPS i é o serviço que acolhe adolescentes com essa complexidade. O CAPS III, embora ofereça atenção 24h, é voltado para adultos; para adolescentes, a porta de entrada na RAPS é o CAPS i.
Na prática, o médico de família, ao identificar sofrimento psíquico em um adolescente, deve acionar a RAPS e encaminhar ao CAPS i, que fará a avaliação especializada e o acompanhamento contínuo, articulado com a Atenção Básica. O CAPS i trabalha com equipe multiprofissional (psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, entre outros) e desenvolve projetos terapêuticos singulares, envolvendo a família e a escola. O cuidado é longitudinal e comunitário, reforçando o papel da Atenção Primária como ordenadora do cuidado.
Guarde a fronteira que decide esta questão: CAPS i = criança e adolescente; CAPS AD = álcool e outras drogas; CAPS III = atenção contínua 24h (adulto). É nessa distinção que as alternativas se separam.
Critério
CAPS I
CAPS II
CAPS III
CAPS i
CAPS AD
Faixa etária
Todas as idades
Adultos
Adultos
Crianças e adolescentes
Todas as idades
Porte populacional do município
15 mil a 70 mil habitantes
Acima de 70 mil habitantes
Não especificado (geralmente grandes centros)
Não especificado
Não especificado
Funcionamento
Horário comercial
Horário comercial
24 horas, incluindo feriados e fins de semana
Horário comercial
Horário comercial
Especialização
Não especializado
Não especializado
Não especializado
Exclusivo para crianças e adolescentes
Transtornos por uso de álcool e outras drogas
CAPS (RAPS): CAPS I (Municípios 15 mil a 70 mil hab., Todas as faixas etárias); CAPS II (Municípios acima de 70 mil hab., Adultos); CAPS III (Atenção contínua 24h, Adultos); CAPS i (Crianças e adolescentes, Qualquer diagnóstico); CAPS AD (Álcool e outras drogas, Todas as idades)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O CAPS I atende todas as faixas etárias, mas é destinado a municípios de pequeno porte (população entre 15 mil e 70 mil habitantes). A cidade do enunciado tem cerca de 90 mil habitantes, o que já o desqualifica pelo critério populacional. Além disso, não é a modalidade especializada para adolescentes — o CAPS i é o serviço específico para essa faixa etária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O CAPS II é indicado para municípios com população acima de 70 mil habitantes, o que se encaixaria no porte da cidade (90 mil). Porém, o CAPS II atende adultos com transtornos mentais graves e persistentes, sem especialização para crianças e adolescentes. O critério etário prevalece: para o paciente de 16 anos, o encaminhamento prioritário é o CAPS i.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O CAPS III oferece atenção contínua 24 horas, incluindo feriados e finais de semana, e é indicado para casos graves que necessitam de cuidado intensivo. No entanto, o CAPS III é voltado para a população adulta. O enunciado descreve um adolescente com sofrimento psíquico, mas sem indicação de crise aguda que exija leito 24h — e, mesmo que houvesse, o serviço de referência para adolescentes é o CAPS i.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O CAPS i é a modalidade especializada no atendimento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico intenso, conforme a RAPS. O paciente tem 16 anos e apresenta ansiedade, isolamento social e irritabilidade — perfil típico de encaminhamento ao CAPS i, que fará a avaliação especializada e o acompanhamento contínuo, articulado com a Atenção Básica e a família.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O CAPS AD é voltado para pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas, de todas as idades. Embora o enunciado mencione "uso prejudicial de álcool", o quadro central é de sofrimento psíquico (ansiedade, isolamento, irritabilidade) — e o paciente é adolescente. O CAPS i é o serviço que acolhe adolescentes com essa complexidade; o CAPS AD seria indicado se o uso de substâncias fosse o problema predominante e o paciente fosse adulto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece dois distratores fortes: o CAPS AD, porque o enunciado cita "uso prejudicial de álcool", e o CAPS III, porque sugere "acompanhamento contínuo". O candidato que se prende a esses detalhes esquece o critério decisivo: a idade do paciente. O CAPS i é a modalidade exclusiva para crianças e adolescentes — é isso que define o encaminhamento prioritário, não o diagnóstico nem a gravidade isolada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de encaminhamento na RAPS, monte um quadro mental rápido: CAPS i = criança/adolescente; CAPS AD = álcool/drogas; CAPS III = 24h (adulto); CAPS II = município > 70 mil (adulto); CAPS I = município pequeno (todas as idades). Na prova, leia a idade do paciente primeiro — ela é o filtro mais forte.