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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu113469
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina de Família e Comunidade
Em uma Unidade Básica de Saúde, a equipe discute como melhorar o acompanhamento de pacientes crônicos que frequentemente interrompem o tratamento.Considerando os princípios da Política Nacional de Humanização (PNH), qual das alternativas melhor reflete a aplicação desses princípios para enfrentar esse desafio?
  1. ACriar um protocolo padrão para pacientes crônicos, definindo etapas fixas de atendimento coordenadas pelos gestores para alinhar as ações da equipe.
  2. BDividir as responsabilidades de gestão e atenção, delegando aos gestores o planejamento e à equipe clínica o acompanhamento dos pacientes para organizar o processo.
  3. CCentralizar as decisões na equipe de saúde, orientando os pacientes crônicos a seguirem recomendações clínicas baseadas em evidências técnicas para otimizar os resultados.
  4. DPromover a integração entre diferentes especialidades e os pacientes, criando espaços de diálogo que incluam suas experiências e redes sociofamiliares na construção do cuidado.
  5. EPriorizar a autonomia dos profissionais de saúde na definição do tratamento, incentivando-os a ajustarem os planos de cuidado com base em sua expertise e na avaliação dos casos.
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GabaritoD — Promover a integração entre diferentes especialidades e os pacientes, criando espaços de diálogo que incluam suas experiências e redes sociofamiliares na construção do cuidado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Política Nacional de Humanização (PNH) e o cuidado centrado no paciente

Gabarito: letra D. A Política Nacional de Humanização (PNH) do SUS, conhecida como "HumanizaSUS", tem como eixo central a valorização do sujeito — usuário, trabalhador e gestor — e a construção de um cuidado que integre a clínica com a escuta, o diálogo e a participação ativa do paciente e de sua rede social. A alternativa D é a única que reflete essa lógica ao propor a integração entre especialidades e pacientes, criando espaços de diálogo que incluam suas experiências e redes sociofamiliares na construção do cuidado.

A PNH foi instituída pelo Ministério da Saúde em 2003 e se baseia em princípios como a transversalidade, a indissociabilidade entre atenção e gestão e o protagonismo dos sujeitos. Na prática, isso significa que o cuidado não pode ser imposto de cima para baixo, nem reduzido a protocolos rígidos ou à autoridade exclusiva dos profissionais. O paciente crônico que interrompe o tratamento não é um "paciente não aderente" a ser corrigido, mas um sujeito com uma história, com dificuldades concretas (financeiras, familiares, emocionais) e com saberes que precisam ser ouvidos. A humanização propõe exatamente o oposto do modelo verticalizado: um cuidado compartilhado, em que o plano terapêutico é construído COM o paciente, e não PARA o paciente.

Um exemplo concreto: um paciente hipertenso que abandona a medicação pode estar deixando de tomar o remédio porque não entende a prescrição, porque não tem dinheiro para comprá-lo, porque sente efeitos colaterais que não foram discutidos ou porque a rotina de trabalho impede os horários. Um espaço de diálogo — como um grupo de educação em saúde, uma consulta compartilhada ou uma visita domiciliar — permite que essas barreiras venham à tona e que a equipe, junto com o paciente e sua família, encontre soluções realistas. Isso é muito mais eficaz do que simplesmente repetir a orientação técnica.

A distinção central que a questão explora é entre um modelo centrado na equipe/gestão (verticalizado, prescritivo, técnico) e um modelo centrado no usuário (horizontal, dialógico, participativo). As alternativas A, B, C e E representam variações do primeiro modelo, em que o paciente é objeto passivo das decisões. A alternativa D é a única que coloca o paciente como sujeito ativo do próprio cuidado, em linha com os princípios da PNH.

A pegadinha da banca está em apresentar alternativas que parecem "organizadas" e "eficientes" (protocolos, divisão de tarefas, centralização de decisões, autonomia profissional), mas que, na verdade, contradizem o espírito da humanização. O candidato que não conhece a PNH pode ser seduzido pela alternativa E, que fala em "autonomia dos profissionais", ou pela A, que fala em "protocolo padrão". No entanto, a PNH valoriza a autonomia e o protagonismo do USUÁRIO, não apenas do profissional, e rejeita a padronização que ignora a singularidade de cada caso.

Guarde este critério para julgar as alternativas: a PNH coloca o usuário como protagonista e corresponsável pelo cuidado, integrando sua subjetividade e seu contexto social ao processo terapêutico. Toda alternativa que centralizar as decisões na equipe, na gestão ou em protocolos rígidos, sem abrir espaço para a voz do paciente, estará em desacordo com a política.

PNH (HumanizaSUS)
  • 1Princípios
    • Protagonismo do usuário
    • Corresponsabilização
    • Indissociabilidade atenção-gestão
    • Valorização da subjetividade
  • 2Modelo centrado no usuário
    • Diálogo e escuta
    • Integração com rede sociofamiliar
    • Cuidado construído COM o paciente
  • 3Modelo verticalizado (rejeitado)
    • Protocolo rígido
    • Decisão centralizada na equipe
    • Paciente como objeto passivo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Criar um protocolo padrão com etapas fixas de atendimento coordenadas pelos gestores contradiz a PNH, que valoriza a singularidade de cada caso e a construção compartilhada do cuidado. A padronização rígida ignora as diferenças individuais, sociais e culturais dos pacientes, tratando todos como se fossem iguais. A PNH não nega a importância de diretrizes clínicas, mas elas devem ser flexíveis e adaptadas à realidade de cada usuário, e não impostas de forma verticalizada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Dividir as responsabilidades entre gestores e equipe clínica, separando planejamento de acompanhamento, reforça uma dicotomia entre gestão e atenção que a PNH busca superar. Um dos princípios da política é a indissociabilidade entre atenção e gestão: quem cuida também participa das decisões, e quem gere também conhece a realidade do cuidado. Essa separação fragmenta o trabalho e não coloca o paciente no centro do processo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Centralizar as decisões na equipe de saúde e orientar os pacientes a seguirem recomendações clínicas é uma postura prescritiva e verticalizada, que trata o paciente como um receptor passivo de ordens. A PNH defende o protagonismo do usuário, ou seja, que ele seja ouvido, participe das decisões e seja corresponsável pelo seu tratamento. A "orientação" unilateral, sem diálogo, é justamente o que a humanização busca superar.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa sintetiza os princípios da PNH: integralidade (integração entre especialidades), corresponsabilização (paciente como sujeito ativo) e valorização da subjetividade (inclusão das experiências e redes sociofamiliares). Criar espaços de diálogo é uma das principais estratégias da humanização, pois permite que o paciente exponha suas dificuldades, medos e expectativas, e que a equipe, junto com ele, construa um plano de cuidado que faça sentido para a sua vida. É exatamente isso que se espera para enfrentar o problema da interrupção do tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Priorizar a autonomia dos profissionais na definição do tratamento, sem envolver o paciente, é uma visão centrada no profissional, não no usuário. A PNH valoriza a autonomia, mas a autonomia do paciente — sua capacidade de decidir sobre a própria vida e saúde. O profissional deve ser um facilitador, um parceiro no cuidado, e não um decisor unilateral. A "expertise" técnica é importante, mas deve ser colocada a serviço do diálogo, e não da imposição.

Gabarito: letra D — a única alternativa que coloca o paciente como protagonista e integra sua experiência e rede social ao cuidado, em plena consonância com a Política Nacional de Humanização.

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