Questão de Medicina — Nefrologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113508
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Nefrologia
- AMetotrexato.
- BBevacizumabe.
- CCisplatina.
- DIfosfamida.
- ESunitinibe.
GabaritoE — Sunitinibe.
Gabarito: letra E. O sunitinibe, um inibidor de tirosina quinase usado no tratamento de tumores sólidos (como carcinoma de células renais e tumor estromal gastrointestinal), é descrito na literatura como causa de rabdomiólise, que por sua vez pode levar à lesão renal aguda (LRA). Os demais quimioterápicos listados têm outros mecanismos de nefrotoxicidade, mas não são classicamente associados à rabdomiólise.
A rabdomiólise é uma síndrome caracterizada pela destruição da musculatura esquelética, com liberação de conteúdo intracelular (mioglobina, CPK, potássio, fosfato) na corrente sanguínea. A mioglobina, ao ser filtrada pelos glomérulos, precipita nos túbulos renais, especialmente em meio ácido, causando obstrução tubular, vasoconstrição renal e citotoxicidade direta — mecanismos que culminam em lesão renal aguda. O contexto clínico é bem descrito: a LRA é uma complicação tardia (12-72 horas após o insulto muscular) e ocorre em 13-50% dos casos de rabdomiólise em adultos.
A questão cobra o conhecimento específico de quais drogas podem desencadear rabdomiólise. Entre os quimioterápicos, o sunitinibe é um dos mais citados por esse efeito adverso. O mecanismo exato não é totalmente compreendido, mas acredita-se que a inibição de vias de sinalização envolvidas na homeostase muscular (como a via do VEGF e dos receptores de tirosina quinase) possa levar à lesão muscular direta ou à isquemia. Outros inibidores de tirosina quinase também foram associados à rabdomiólise, mas o sunitinibe é o exemplo clássico cobrado em provas.
É importante distinguir a rabdomiólise de outros mecanismos de nefrotoxicidade dos quimioterápicos. A cisplatina, por exemplo, é nefrotóxica por lesão tubular direta (necrose tubular aguda), mas não por rabdomiólise. A ifosfamida causa cistite hemorrágica e lesão tubular proximal (síndrome de Fanconi), não rabdomiólise. O metotrexato pode precipitar nos túbulos (nefropatia por cristais), e o bevacizumabe, um anticorpo monoclonal anti-VEGF, causa proteinúria e hipertensão, podendo levar a lesão renal por mecanismo vascular, mas não rabdomiólise.
A pegadinha da banca está em associar a rabdomiólise a um quimioterápico que não é o mais "óbvio" em termos de nefrotoxicidade. O candidato pode ser tentado a escolher a cisplatina (letra C), que é a droga mais conhecida por causar lesão renal, mas o mecanismo é diferente. A questão exige conhecimento específico do perfil de toxicidade do sunitinibe.
Guarde a distinção: a cisplatina é o protótipo de nefrotoxicidade direta, mas a rabdomiólise é um efeito adverso descrito para o sunitinibe. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
O metotrexato é nefrotóxico principalmente por precipitação de seus metabólitos (e do próprio fármaco) nos túbulos renais, especialmente em urina ácida e com altas doses. Isso causa nefropatia obstrutiva por cristais, não rabdomiólise. A lesão renal é dose-dependente e pode ser prevenida com hidratação e alcalinização da urina.
O bevacizumabe é um anticorpo monoclonal anti-VEGF (fator de crescimento do endotélio vascular). Seus efeitos renais mais comuns são proteinúria e hipertensão arterial, podendo evoluir para lesão renal por mecanismo vascular (como microangiopatia trombótica). Não há associação clássica com rabdomiólise.
A cisplatina é o quimioterápico mais conhecido por nefrotoxicidade, mas o mecanismo é a lesão tubular direta (necrose tubular aguda), principalmente no túbulo proximal, por toxicidade mitocondrial e estresse oxidativo. Não causa rabdomiólise. É o distrator mais forte, pois o candidato pode associar "nefrotoxicidade" a "rabdomiólise" sem considerar o mecanismo específico.
A ifosfamida é nefrotóxica por lesão tubular proximal, causando síndrome de Fanconi (perda de glicose, fosfato, aminoácidos e bicarbonato na urina), além de cistite hemorrágica. Não está associada à rabdomiólise. A lesão renal é dose-dependente e pode ser crônica.
O sunitinibe, um inibidor de tirosina quinase (ITK) usado em tumores sólidos, é descrito na literatura como causa de rabdomiólise. O mecanismo não é totalmente esclarecido, mas acredita-se que a inibição de vias de sinalização envolvidas na homeostase muscular (como a via do VEGF e dos receptores de tirosina quinase) possa levar à lesão muscular direta ou à isquemia. A rabdomiólise, por sua vez, pode evoluir para lesão renal aguda pela precipitação de mioglobina nos túbulos renais.
A banca explora a confusão entre "nefrotoxicidade" e "rabdomiólise". A cisplatina (letra C) é o quimioterápico mais famoso por causar lesão renal, mas por necrose tubular direta, não por rabdomiólise. O sunitinibe é o único da lista com associação descrita a rabdomiólise. Na prova, desconfie de alternativas que parecem "óbvias" demais — a banca quer testar o conhecimento específico do perfil de toxicidade de cada droga.
Gabarito: letra E
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