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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
vu113518
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Neonatologia
A respeito das infecções congênitas, é correto afirmar:
  1. Aatualmente a toxoplasmose congênita não precisa ser investigada em todos os recém-nascidos.
  2. Ba citomegalia congênita pode causar calcificações intracerebrais difusas, grosseiras e a forma clínica mais comum de apresentação dessa infecção é a assintomática.
  3. Ca sífilis congênita vem apresentando prevalência elevada no Brasil, provavelmente por falta de bons exames de triagem para essa infecção.
  4. Da síndrome de infecção congênita pelo vírus Zika, citomegalia congênita e toxoplasmose congênita podem causar calcificações intracerebrais.
  5. Eo pênfigo palmo-plantar é causado pela citomegalia congênita.
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GabaritoD — a síndrome de infecção congênita pelo vírus Zika, citomegalia congênita e toxoplasmose congênita podem causar calcificações intracerebrais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecções congênitas: o espectro clínico e a chave da questão

Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que a síndrome de infecção congênita pelo vírus Zika, a citomegalia congênita e a toxoplasmose congênita podem causar calcificações intracerebrais — e isso é verdadeiro, pois as três infecções são reconhecidas por esse achado de neuroimagem. O erro das demais alternativas está em afirmações incorretas ou incompletas sobre a toxoplasmose, a citomegalia e a sífilis congênitas, como veremos em detalhe.

As infecções congênitas (também chamadas de infecções perinatais ou do complexo TORCH) são aquelas transmitidas da mãe para o feto durante a gestação, por via transplacentária. O acrônimo TORCH reúne as principais: Toxoplasmose, Outras (sífilis, HIV, Zika, varicela, parvovírus B19), Rubéola, Citomegalovírus (CMV) e Herpes simples. Cada uma tem um espectro clínico próprio, mas compartilham manifestações como prematuridade, baixo peso, hepatoesplenomegalia, icterícia, exantema e, crucialmente para esta questão, comprometimento do sistema nervoso central (SNC).

O achado de calcificações intracerebrais é um marcador importante de infecção congênita com envolvimento do SNC. A distribuição e o aspecto dessas calcificações ajudam a diferenciar os agentes: na toxoplasmose congênita, são tipicamente difusas e grosseiras, espalhadas pelo parênquima cerebral; na citomegalia congênita, são periventriculares (ao redor dos ventrículos laterais); na síndrome congênita do Zika, podem ser difusas, frequentemente na junção córtico-subcortical. A presença de calcificações, portanto, não é exclusiva de um único agente — é um sinal compartilhado por várias infecções congênitas, o que torna a alternativa D correta ao afirmar que as três podem causá-las.

A citomegalia congênita merece atenção especial. O CMV é a infecção congênita mais comum no mundo, e a grande maioria dos recém-nascidos infectados é assintomática ao nascimento (cerca de 90%). Quando sintomática, pode cursar com microcefalia, hepatoesplenomegalia, icterícia, petéquias e as já citadas calcificações periventriculares. A alternativa B mistura corretamente a forma assintomática como a mais comum, mas erra ao descrever as calcificações como "difusas e grosseiras" — esse padrão é típico da toxoplasmose, não da citomegalia. Já a toxoplasmose congênita, embora também possa ser assintomática, é classicamente associada à tríade: coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracerebrais difusas. A alternativa A erra ao afirmar que a toxoplasmose congênita "não precisa ser investigada em todos os recém-nascidos" — na verdade, a triagem neonatal para toxoplasmose é recomendada e faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal em muitos estados brasileiros, pois o diagnóstico precoce permite tratamento que reduz sequelas.

A sífilis congênita é um problema de saúde pública no Brasil, com prevalência elevada, mas a alternativa C erra ao atribuir isso à "falta de bons exames de triagem". Os exames de triagem (VDRL e testes treponêmicos) são amplamente disponíveis e de baixo custo; o problema real está na falta de pré-natal adequado, no diagnóstico tardio e no tratamento inadequado ou não realizado das gestantes. A alternativa E, por fim, comete um erro grosseiro ao atribuir o "pênfigo palmo-plantar" à citomegalia congênita. O pênfigo palmo-plantar não é uma manifestação de infecção congênita; na verdade, o termo correto para a lesão cutânea da sífilis congênita é pênfigo sifilítico (lesões bolhosas palmoplantares), e não há relação com o CMV.

Guarde a fronteira entre os padrões de calcificação e as manifestações cutâneas de cada infecção: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A banca explora a confusão entre os achados de neuroimagem da toxoplasmose e da citomegalia, e a associação incorreta de manifestações cutâneas a agentes errados.

1Toxoplasmose
Calcificações difusas e grosseiras
Coriorretinite
Hidrocefalia
Investigar em todos os RN
2Citomegalia (CMV)
Calcificações periventriculares
Forma assintomática (90%)
Petéquias, icterícia
3Síndrome do Zika
Calcificações difusas (junção córtico-subcortical)
Microcefalia
4Sífilis
Pênfigo palmo-plantar
Rinite
Falta de pré-natal (não de exames)
Infecções congênitas (TORCH)
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Infecções congênitas (TORCH): Toxoplasmose (Calcificações difusas e grosseiras, Coriorretinite, Hidrocefalia, Investigar em todos os RN); Citomegalia (CMV) (Calcificações periventriculares, Forma assintomática (90%), Petéquias, icterícia); Síndrome do Zika (Calcificações difusas (junção córtico-subcortical), Microcefalia); Sífilis (Pênfigo palmo-plantar, Rinite, Falta de pré-natal (não de exames))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a toxoplasmose congênita "não precisa ser investigada em todos os recém-nascidos". Isso é falso: a toxoplasmose congênita deve ser investigada em todos os recém-nascidos, pois a infecção pode ser assintomática ao nascimento e manifestar sequelas tardias (coriorretinite, hidrocefalia, calcificações). A triagem neonatal (teste do pezinho ampliado) e a investigação sorológica de recém-nascidos de mães com sorologia positiva ou suspeita são recomendadas. O erro está em negar a necessidade de investigação universal, quando a conduta correta é justamente a busca ativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B contém dois erros. Primeiro, descreve as calcificações da citomegalia congênita como "difusas e grosseiras" — esse padrão é típico da toxoplasmose congênita; na citomegalia, as calcificações são periventriculares. Segundo, embora a forma assintomática seja de fato a mais comum (cerca de 90% dos casos), a descrição das calcificações está incorreta, o que torna a alternativa falsa. A banca troca o padrão de calcificação entre os dois agentes, uma armadilha clássica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sífilis congênita tem prevalência elevada no Brasil, mas a justificativa apresentada é falsa. Não é a "falta de bons exames de triagem" que explica a prevalência — os exames (VDRL, FTA-ABS, testes rápidos) são amplamente disponíveis e de baixo custo. O problema real é a falta de pré-natal adequado, o diagnóstico tardio e o tratamento inadequado ou não realizado das gestantes e parceiros. A alternativa erra ao atribuir a causa a uma deficiência de exames, quando a falha está na cobertura e na qualidade do pré-natal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D afirma que a síndrome de infecção congênita pelo vírus Zika, a citomegalia congênita e a toxoplasmose congênita podem causar calcificações intracerebrais. Isso é verdadeiro: as três infecções são reconhecidas por causar calcificações intracerebrais, embora com padrões distintos (difusas e grosseiras na toxoplasmose, periventriculares na citomegalia, e difusas na junção córtico-subcortical no Zika). A palavra "podem" é crucial — não afirma que todas causam sempre, mas que há essa possibilidade, o que é correto. A alternativa espelha exatamente o conhecimento sobre o espectro clínico das infecções congênitas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O "pênfigo palmo-plantar" não é causado pela citomegalia congênita. Na verdade, o termo correto para a lesão cutânea da sífilis congênita é pênfigo sifilítico (lesões bolhosas palmoplantares), e não há relação com o CMV. A citomegalia congênita pode causar petéquias, icterícia e hepatoesplenomegalia, mas não pênfigo palmo-plantar. A alternativa troca o agente etiológico de uma manifestação cutânea, um erro grosseiro que a banca usa como distrator.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os padrões de calcificação entre toxoplasmose e citomegalia, e associar manifestações cutâneas a agentes errados. Na toxoplasmose, as calcificações são difusas e grosseiras; na citomegalia, periventriculares. E o pênfigo palmo-plantar é da sífilis, não do CMV. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as principais infecções congênitas e seus achados de neuroimagem e cutâneos: toxoplasmose (calcificações difusas, coriorretinite), citomegalia (calcificações periventriculares, petéquias), Zika (calcificações difusas, microcefalia), sífilis (pênfigo palmo-plantar, rinite). Isso cobre a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra D

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