Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu113524
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Neonatologia
Em relação à recepção do recém-nascido (RN) na sala de parto, podemos concluir que
  1. Ano RN ≥34 semanas, com boa vitalidade ao nascer, independentemente do aspecto do líquido amniótico, recomenda-se o clampeamento do cordão umbilical antes de completar 60 segundos do nascimento.
  2. Bo escore de Apgar serve para avaliar a vitalidade do recém-nascido no primeiro e no quinto minuto de vida, sendo usado para indicar o início da reanimação neonatal.
  3. Ca primeira ação da equipe que irá cuidar do RN é realizar o briefing antecedendo a cada nascimento.
  4. Dtodos os recém-nascidos devem ter as vias aéreas aspiradas após o nascimento, pois esse procedimento, apesar de invasivo, permite que as vias aéreas sejam liberadas e o RN consiga respirar melhor.
  5. Eo uso de balão valva máscara deve ser indicado se FC < 110 bpm.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a primeira ação da equipe que irá cuidar do RN é realizar o briefing antecedendo a cada nascimento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reanimação neonatal: recepção do recém-nascido na sala de parto

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que afirma que a primeira ação da equipe é realizar o briefing antes de cada nascimento, pois o preparo da equipe e a definição de papéis são etapas essenciais e prévias a qualquer procedimento. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o clampeamento do cordão, o uso do escore de Apgar, a aspiração de vias aéreas e o limiar de frequência cardíaca para indicar ventilação com pressão positiva (VPP).

A recepção do recém-nascido (RN) na sala de parto é um momento crítico que exige preparo, organização e conhecimento técnico da equipe. O objetivo principal é garantir uma transição segura da vida intrauterina para a extrauterina, com avaliação imediata da vitalidade e intervenções oportunas quando necessário. As diretrizes de reanimação neonatal, como as da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do ILCOR, estabelecem uma sequência lógica de passos que começa muito antes do nascimento em si.

O preparo para a assistência é a pedra angular de todo o processo. Isso inclui a obtenção da anamnese materna detalhada para identificar fatores de risco, a verificação e o teste de todos os equipamentos (fonte de calor, aspirador, balão e máscara, medicamentos) e, crucialmente, a definição da equipe: quem será o líder, quais os papéis e responsabilidades de cada membro. Esse alinhamento prévio, que pode ser chamado de briefing, é fundamental para que a atuação seja coordenada e a comunicação seja efetiva, conferindo qualidade ao atendimento e segurança ao paciente. É exatamente essa a primeira ação da equipe, antes mesmo de qualquer contato com o RN.

Após o nascimento, a avaliação da vitalidade é feita pela frequência cardíaca (FC) e pela respiração, e não pelo escore de Apgar. A FC é o principal determinante das decisões de reanimação. O escore de Apgar, embora seja um importante indicador das condições de nascimento, é uma ferramenta de avaliação retrospectiva, aplicada no 1º e 5º minutos, e não deve ser usado para decidir o início da reanimação, pois isso atrasaria intervenções que precisam ser imediatas. A decisão de iniciar a VPP, por exemplo, baseia-se na FC < 100 bpm e/ou apneia, não no resultado do Apgar.

Outro ponto central é o clampeamento do cordão umbilical. Para RN ≥ 34 semanas com boa vitalidade, a recomendação é o clampeamento tardio, ou seja, após 30 a 60 segundos do nascimento, independentemente do aspecto do líquido amniótico. O clampeamento imediato (< 60 segundos) é reservado para situações em que o RN não apresenta boa vitalidade (não respira, não tem tônus, FC < 100 bpm) e necessita de reanimação. A aspiração das vias aéreas, por sua vez, não é um procedimento de rotina para todos os RN. Ela é indicada apenas em situações específicas, como na presença de secreções que obstruem a via aérea, e mesmo em casos de líquido amniótico meconial, a recomendação atual é não aspirar a traqueia sob visualização direta logo após o nascimento, a menos que haja obstrução evidente.

A alternativa correta, portanto, destaca um princípio fundamental da segurança do paciente e do trabalho em equipe: o briefing antes do nascimento. As demais alternativas apresentam erros que podem levar a condutas inadequadas na prática clínica. Vamos analisar cada uma em detalhes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que, no RN ≥ 34 semanas com boa vitalidade, o clampeamento deve ser feito antes de completar 60 segundos. Isso está errado: a recomendação é o clampeamento tardio, aguardando de 30 a 60 segundos (ou mais) após o nascimento, para permitir a transfusão placentária e os benefícios hemodinâmicos. O clampeamento imediato é indicado apenas quando o RN não tem boa vitalidade e precisa de reanimação. A alternativa inverte a conduta recomendada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O escore de Apgar é um método de avaliação das condições de nascimento, aplicado no 1º e 5º minutos, mas não é utilizado para indicar o início da reanimação neonatal. A decisão de reanimar é baseada na avaliação simultânea da frequência cardíaca e da respiração, que são os sinais de vitalidade. Usar o Apgar para essa finalidade atrasaria as manobras de reanimação, que devem ser iniciadas imediatamente quando a FC < 100 bpm ou há apneia. O Apgar é um escore retrospectivo, útil para avaliar a resposta do RN às manobras, mas não para decidir iniciá-las.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta. O briefing da equipe antes de cada nascimento é a primeira ação, pois envolve a definição de papéis, a revisão do plano de assistência e a verificação da prontidão de todos os membros. Isso é essencial para uma atuação coordenada e eficaz, garantindo a segurança do RN. As diretrizes de reanimação neonatal enfatizam a importância do preparo da equipe e da comunicação efetiva antes do parto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A aspiração das vias aéreas não é um procedimento de rotina para todos os recém-nascidos. Ela é indicada apenas quando há obstrução evidente por secreções ou sangue, e deve ser feita com cuidado para evitar lesões. A recomendação atual, inclusive para RN com líquido amniótico meconial, é não aspirar a traqueia sob visualização direta logo após o nascimento, a menos que haja indicação específica. A aspiração de rotina pode causar bradicardia reflexa e lesão da mucosa, sem benefício comprovado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O limiar para indicar a ventilação com pressão positiva (VPP) é FC < 100 bpm, e não FC < 110 bpm. A FC é o principal determinante das decisões de reanimação. Se a FC estiver abaixo de 100 bpm após os passos iniciais, a VPP deve ser iniciada. O valor de 110 bpm não é o limiar correto e pode levar a intervenções desnecessárias em RN com FC entre 100 e 110 bpm, que não precisam de VPP.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os sinais de vitalidade (FC e respiração) e o escore de Apgar, além de inverter a recomendação do clampeamento do cordão. O candidato que decora o Apgar como ferramenta de decisão ou que não sabe o momento correto do clampeamento cai nas alternativas B e A. Lembre-se: a reanimação é decidida pela FC e respiração, e o clampeamento tardio é a regra para RN com boa vitalidade.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de reanimação neonatal, foque nos passos iniciais (avaliar FC e respiração, manter temperatura, posicionar, aspirar se necessário) e nos limiares de decisão: FC < 100 bpm para VPP, FC < 60 bpm para massagem cardíaca. O Apgar é apenas um escore de avaliação, não um gatilho de ação. Memorize a sequência: briefing → avaliação da vitalidade → passos iniciais → VPP → massagem cardíaca → medicações.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu113524