Em relação à irrigação vascular do tronco encefálico, assinale a alternativa que melhor descreve as consequências de uma lesão no sistema vertebrobasilar.
AUma lesão no sistema vertebrobasilar pode afetar a função respiratória, levando à apneia, e causar perda de visão binocular, sem afetar os reflexos cardiorrespiratórios.
BA lesão no sistema vertebrobasilar pode comprometer as funções motoras e sensoriais dos membros superiores e inferiores, além de causar sintomas cranianos, como diplopia, disfagia e disartria.
CA lesão no sistema vertebrobasilar afeta preferencialmente as funções sensoriais, resultando em perda de tato e dor nas extremidades distais, com preservação das funções motoras e cranianas.
DA oclusão do sistema vertebrobasilar pode resultar em déficits motores, sensoriais e cerebelares, mas com preservação dos reflexos cranianos e da função respiratória, mesmo em estágios avançados.
EA lesão no sistema vertebrobasilar pode resultar em perda de coordenação motora e comprometimento dos reflexos cranianos, mas sem afetar a função visual ou auditiva.
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GabaritoE — A lesão no sistema vertebrobasilar pode resultar em perda de coordenação motora e comprometimento dos reflexos cranianos, mas sem afetar a função visual ou auditiva.
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Sistema vertebrobasilar e as consequências de sua lesão
Gabarito: letra B. A lesão no sistema vertebrobasilar compromete as funções motoras e sensoriais dos membros (vias longas que passam pelo tronco encefálico) e, por atingir os núcleos dos nervos cranianos localizados no tronco, causa sintomas como diplopia, disfagia e disartria. As demais alternativas erram ao afirmar preservação de funções que são justamente afetadas (respiração, reflexos cranianos, visão, audição) ou ao restringir o déficit a um único sistema.
O sistema vertebrobasilar é formado pelas artérias vertebrais (que sobem pelos forames transversos das vértebras cervicais) e pela artéria basilar (formada pela união das duas vertebrais na altura da ponte). Esse sistema irriga o tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo), o cerebelo e as porções posteriores dos hemisférios cerebrais (lobo occipital e parte do temporal). O tronco encefálico é uma estrutura vital: contém os núcleos da maioria dos nervos cranianos (III a XII), as vias motoras e sensitivas que sobem e descem entre o cérebro e a medula espinhal, e os centros de controle da respiração e da frequência cardíaca (no bulbo).
Quando há uma lesão isquêmica nesse território, o quadro clínico é extremamente variado, dependendo do nível exato da oclusão e da extensão do tecido afetado. Os sintomas clássicos incluem: déficits motores e sensitivos contralaterais (por comprometimento das vias corticoespinhal e espinotalâmica), ataxia e incoordenação (por lesão cerebelar), e uma miríade de sintomas cranianos — diplopia (núcleos do III, IV e VI), disfagia e disartria (núcleos do IX, X e XII), vertigem e nistagmo (núcleos vestibulares), perda auditiva (núcleo coclear), entre outros. A oclusão da artéria basilar, em particular, provoca disfunção maciça do tronco, podendo levar ao estado de aprisionamento (locked-in), no qual o paciente se comunica apenas pelos olhos e pálpebras.
A tabela abaixo resume os déficits conforme o território vascular comprometido, conforme descrito no material de apoio:
Artéria comprometida
Déficit habitual
Característica do déficit
Artéria vertebral
Náuseas, vômitos e tonturas; alterações nos nervos cranianos baixos; alterações cerebelares
—
Artéria cerebral posterior
Alterações no campo visual; rebaixamento da consciência; déficit sensitivo; alterações nas funções nervosas superiores
—
Artéria basilar
Déficit motor; déficit sensitivo; rebaixamento da consciência; alterações nos nervos cranianos
Frequentemente bilateral
A pegadinha central desta questão é a tentativa de separar funções que, na prática, andam juntas: o tronco encefálico concentra tanto as vias longas (motoras e sensitivas) quanto os núcleos dos nervos cranianos e os centros vitais. Qualquer alternativa que afirme preservação de reflexos cranianos, função respiratória, visão ou audição em uma lesão vertebrobasilar significativa está, por definição, errada — pois todas essas funções dependem de estruturas irrigadas por esse sistema. A alternativa correta é a única que reconhece o comprometimento combinado de funções motoras, sensitivas e cranianas.
Sistema vertebrobasilar
1Irriga
Tronco encefálico
Cerebelo
Lobo occipital
2Lesão causa
Déficits motores e sensitivos
Sintomas cranianos
Diplopia
Disfagia
Disartria
Ataxia e vertigem
3Oclusão da basilar
Estado de aprisionamento (locked-in)
Compromete centros vitais
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão pode causar apneia e perda de visão binocular, mas "sem afetar os reflexos cardiorrespiratórios". Isso é contraditório: a apneia é justamente um comprometimento respiratório, e os centros cardiorrespiratórios ficam no bulbo, irrigado pelo sistema vertebrobasilar. Além disso, a "perda de visão binocular" não é um sintoma típico — a lesão vertebrobasilar costuma causar diplopia (visão dupla), não perda da visão. A alternativa erra ao afirmar preservação dos reflexos cardiorrespiratórios, que são exatamente os mais vulneráveis em lesões do tronco.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a descrição mais fiel das consequências de uma lesão vertebrobasilar. O comprometimento das funções motoras e sensoriais dos membros superiores e inferiores decorre da lesão das vias longas (trato corticoespinhal e espinotalâmico) que atravessam o tronco encefálico. Os sintomas cranianos — diplopia, disfagia e disartria — resultam do acometimento dos núcleos dos nervos cranianos III, IV, VI (motricidade ocular), IX, X (deglutição e fonação) e XII (articulação da fala), todos localizados no tronco. A alternativa espelha exatamente o padrão clínico descrito no material: "A isquemia vertebrobasilar manifesta-se na forma de várias combinações de sintomas, como vertigem, diplopia, fraqueza facial, ataxia e sinais dos feixes longos".
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão afeta "preferencialmente as funções sensoriais", com preservação das funções motoras e cranianas. Isso é falso: a lesão vertebrobasilar compromete tanto vias motoras quanto sensitivas, e os sintomas cranianos são marca registrada do quadro. A perda de tato e dor nas extremidades distais isoladamente, sem déficit motor, não corresponde ao padrão clínico — as vias motoras e sensitivas caminham juntas no tronco, e a lesão raramente poupa uma em detrimento da outra.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Reconhece corretamente os déficits motores, sensoriais e cerebelares, mas erra ao afirmar "preservação dos reflexos cranianos e da função respiratória, mesmo em estágios avançados". Em estágios avançados de oclusão vertebrobasilar, especialmente da artéria basilar, há justamente comprometimento dos reflexos cranianos (pupilares, corneanos, oculocefálicos) e da função respiratória, podendo levar a padrões respiratórios anormais (Cheyne-Stokes, apnêustica, atáxica) e apneia. A preservação dessas funções em estágios avançados é exatamente o oposto do que ocorre.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão causa perda de coordenação motora e comprometimento dos reflexos cranianos, mas "sem afetar a função visual ou auditiva". Isso é falso: os núcleos dos nervos oculomotores (III, IV, VI) e vestibulococlear (VIII) ficam no tronco encefálico, irrigado pelo sistema vertebrobasilar. Lesões nesse território podem causar diplopia, nistagmo, vertigem e perda auditiva. A função visual e auditiva é diretamente afetada, contrariando a afirmação.
Gabarito: letra B — a única alternativa que descreve corretamente o comprometimento combinado de funções motoras, sensitivas e cranianas típico da lesão vertebrobasilar.