A hemorragia subaracnoide (HSA) é uma emergência neurológica que exige diagnóstico e tratamento precoces para a redução da morbimortalidade que está relacionada a essa condição.Em face do exposto, é correto afirmar que
Aa principal causa de HSA espontânea é o traumatismo craniano, sendo os aneurismas cerebrais as causas menos frequentes.
Ba punção lombar é contraindicada na suspeita de HSA, pois aumenta o risco de herniação cerebral.
Ca tomografia computadorizada de crânio não contrastada é o exame de escolha inicial para o diagnóstico de HSA.
Do tratamento preferencial para aneurismas rotos na HSA é o manejo clínico, com repouso e uso de analgésicos.
Eé indispensável a realização de radiografia de crânio em casos de suspeita de HSA.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — a tomografia computadorizada de crânio não contrastada é o exame de escolha inicial para o diagnóstico de HSA.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hemorragia subaracnóidea: diagnóstico e manejo inicial
Gabarito: letra C. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é o exame de escolha inicial para o diagnóstico de hemorragia subaracnóidea (HSA), pois apresenta alta sensibilidade nas primeiras horas do sangramento. As demais alternativas contêm erros conceituais: a principal causa de HSA espontânea é a ruptura de aneurisma cerebral (não o traumatismo), a punção lombar é indicada quando a TC é negativa (não é contraindicada), o tratamento do aneurisma roto é cirúrgico ou endovascular (não apenas clínico) e a radiografia de crânio não tem papel no diagnóstico dessa condição.
A hemorragia subaracnóidea é uma emergência neurológica caracterizada pelo extravasamento de sangue para o espaço subaracnóideo, que é preenchido por liquor. Cerca de 80 a 85% dos casos de HSA não traumática são causados pela ruptura de um aneurisma intracraniano, sendo essa a principal etiologia. O quadro clássico é a cefaleia súbita e de intensidade máxima ("pior cefaleia da vida"), frequentemente acompanhada de rigidez de nuca, náuseas e rebaixamento do nível de consciência. A mortalidade é alta, com cerca de 26% dos pacientes evoluindo para óbito antes de chegar ao hospital.
O diagnóstico exige rapidez. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é o primeiro exame a ser realizado, com sensibilidade de aproximadamente 100% nas primeiras 12 horas do sangramento, caindo para cerca de 93% em até 24 horas e para 50% após uma semana, devido ao clareamento do sangue. Quando a TC é negativa e a suspeita clínica permanece alta, a punção lombar é o próximo passo, para pesquisa de sangue no liquor ou xantocromia. A angiografia cerebral digital é o exame de escolha para o diagnóstico etiológico, identificando o aneurisma responsável pelo sangramento.
O tratamento da HSA aneurismática não se limita ao manejo clínico. Após o diagnóstico, o paciente deve ser estabilizado com controle pressórico, e o aneurisma deve ser obliterado o mais precocemente possível, por clipagem cirúrgica ou embolização endovascular, para reduzir o risco de ressangramento. A nimodipina é utilizada para prevenir a isquemia cerebral tardia, uma das principais complicações. A radiografia de crânio, por sua vez, não tem utilidade no diagnóstico de HSA, sendo um exame obsoleto para essa finalidade.
A banca explora a confusão entre as causas de HSA (traumática versus espontânea), o papel da punção lombar (contraindicação versus indicação após TC negativa), a abordagem terapêutica (clínica versus intervencionista) e a escolha do exame de imagem (radiografia versus tomografia). O critério decisivo para esta questão é o conhecimento do fluxo diagnóstico da HSA: TC de crânio sem contraste como exame inicial, seguida de punção lombar se negativa, e angiografia para etiologia.
1TC de crânio sem contraste
2Se negativa: punção lombar
3Angiografia cerebral (etiologia)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a principal causa de HSA espontânea é o traumatismo craniano, sendo os aneurismas causas menos frequentes. Há uma inversão completa: o traumatismo craniano é a principal causa de HSA traumática, mas a HSA espontânea (não traumática) tem como principal etiologia a ruptura de aneurisma intracraniano, responsável por 80 a 85% dos casos. A banca troca o contexto (espontânea por traumática) para induzir ao erro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a punção lombar é contraindicada na suspeita de HSA por aumentar o risco de herniação cerebral. Na verdade, a punção lombar é indicada quando a TC de crânio é negativa e a suspeita clínica de HSA permanece. O risco de herniação existe, mas é mitigado pela realização prévia da TC, que afasta efeito de massa significativo. A contraindicação absoluta da punção lombar ocorre em casos de hipertensão intracraniana com sinais de herniação iminente, não na suspeita de HSA em geral.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é, de fato, o exame de escolha inicial para o diagnóstico de HSA. Sua sensibilidade é de aproximadamente 100% nas primeiras 12 horas do sangramento, caindo progressivamente com o passar dos dias. O exame também permite graduar o sangramento (escala de Fisher) e identificar complicações como hidrocefalia e hematomas. É o primeiro exame a ser solicitado na suspeita clínica, antes mesmo da punção lombar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento preferencial para aneurismas rotos é o manejo clínico, com repouso e analgésicos. O manejo clínico é parte do tratamento, mas não é o tratamento preferencial do aneurisma roto. A obliteração do aneurisma, por clipagem cirúrgica ou embolização endovascular, é essencial para reduzir o risco de ressangramento, que é uma das principais causas de morte nesses pacientes. O tratamento deve ser realizado o mais precocemente possível, de forma multidisciplinar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que é indispensável a realização de radiografia de crânio em casos de suspeita de HSA. A radiografia de crânio não tem papel no diagnóstico de HSA, pois não é capaz de visualizar o sangramento no espaço subaracnóideo. O exame de escolha é a tomografia computadorizada, que permite a detecção do sangue com alta sensibilidade. A radiografia poderia ser útil em outras condições, como fraturas, mas não na suspeita de HSA.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os conceitos para confundir o candidato. Nesta questão, a alternativa A troca a causa da HSA espontânea (aneurisma) pela traumática, e a alternativa B transforma uma indicação (punção lombar após TC negativa) em contraindicação. Fique atento: a HSA espontânea é aneurismática em 80-85% dos casos, e a punção lombar é um passo diagnóstico válido quando a TC não confirma o sangramento. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o fluxo diagnóstico da HSA, lembre-se da sequência: TC de crânio sem contraste → se negativa, punção lombar → angiografia cerebral para etiologia. Na prova, quando a questão perguntar sobre o exame inicial, a resposta quase sempre será a TC. E desconfie de alternativas que mencionam radiografia de crânio — ela não tem utilidade nesse contexto.