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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu113547
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Neurocirurgia
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade no mundo. A esse respeito é correto afirmar:
  1. Aa escala de coma de Glasgow (ECG) é utilizada para classificar o TCE em leve, moderado ou grave, sendo 15 o escore máximo.
  2. Bno TCE grave, a intubação orotraqueal não é recomendada, uma vez que dificulta avaliação neurológica inicial.
  3. Ca realização imediata de tomografia computadorizada é indicada apenas nos casos de TCE grave, para evitar radiação desnecessária.
  4. Do uso de solução glicofisiológica é indicado para reposição volêmica, pois previne aumento da pressão intracraniana.
  5. Euma coleta liquórica lombar deve ser realizada assim que o paciente chega à sala de emergência.
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GabaritoA — a escala de coma de Glasgow (ECG) é utilizada para classificar o TCE em leve, moderado ou grave, sendo 15 o escore máximo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma cranioencefálico (TCE): classificação e manejo inicial

Gabarito: letra A. A escala de coma de Glasgow (ECG) é o instrumento mais utilizado para classificar a gravidade do TCE, com escore máximo de 15 pontos, dividindo os pacientes em leve (13–15), moderado (9–12) e grave (≤ 8). As demais alternativas apresentam condutas incorretas ou inversões de conceitos fundamentais no atendimento inicial ao paciente neurotraumatizado.

O TCE é uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, e seu manejo inicial exige rapidez e precisão. A classificação pela ECG é o primeiro passo para definir a gravidade e orientar a conduta. A escala avalia três parâmetros: abertura ocular (1–4), resposta verbal (1–5) e resposta motora (1–6), somando-se os pontos para obter o escore final, que varia de 3 (pior) a 15 (melhor). Essa pontuação é universalmente aceita por sua simplicidade, reprodutibilidade e valor preditivo prognóstico.

A fisiopatologia do TCE envolve a lesão primária (mecânica, no momento do trauma) e a lesão secundária (isquemia, edema, hipertensão intracraniana), que se desenvolve nas horas seguintes. A prevenção da lesão secundária é o objetivo central do tratamento, incluindo a manutenção da via aérea, da ventilação e da perfusão cerebral adequadas. A doutrina de Monro-Kellie explica que o crânio é um compartimento fechado e incompressível, de modo que o aumento de qualquer componente intracraniano (sangue, tecido cerebral ou líquido cefalorraquidiano) eleva a pressão intracraniana (PIC), comprometendo a perfusão cerebral.

No atendimento inicial, a prioridade é o ABCDE do trauma: garantir via aérea pérvia, ventilação e circulação. No TCE grave (ECG ≤ 8), a intubação orotraqueal é frequentemente necessária para proteger a via aérea e manter a oxigenação, sendo uma conduta recomendada, não contraindicada. A tomografia computadorizada (TC) de crânio é o exame de escolha para avaliar lesões intracranianas e deve ser realizada de forma urgente em pacientes com TCE moderado ou grave, ou com critérios de risco, não apenas nos casos graves. A reposição volêmica deve ser feita preferencialmente com soluções isotônicas, como o soro fisiológico 0,9%, evitando soluções hipotônicas (como o soro glicosado) que podem aumentar o edema cerebral e a PIC. A punção lombar é contraindicada na suspeita de hipertensão intracraniana, pois pode causar herniação cerebral.

A banca explora a confusão entre condutas corretas e incorretas no manejo do TCE, testando o conhecimento dos princípios fundamentais do atendimento inicial. A alternativa correta é a única que apresenta uma afirmação verdadeira e amplamente aceita, enquanto as demais contêm erros conceituais ou condutas que podem piorar o prognóstico do paciente.

1Escala de Glasgow (ECG)
Abertura ocular (1–4)
Resposta verbal (1–5)
Resposta motora (1–6)
Escore: 3 (pior) a 15 (melhor)
2Classificação
Leve (13–15)
Moderado (9–12)
Grave (≤ 8)
3Manejo inicial (ABCDE)
Via aérea: IOT se ECG ≤ 8
TC de crânio urgente (moderado/grave ou risco)
Reposição com soro fisiológico 0,9%
Evitar soro glicosado (hipotônico)
Punção lombar (risco de herniação)
TCE: classificação e manejo
LEVELsoulevel.com.br
TCE: classificação e manejo: Escala de Glasgow (ECG) (Abertura ocular (1–4), Resposta verbal (1–5), Resposta motora (1–6), Escore: 3 (pior) a 15 (melhor)); Classificação (Leve (13–15), Moderado (9–12), Grave (≤ 8)); Manejo inicial (ABCDE) (Via aérea: IOT se ECG ≤ 8, TC de crânio urgente (moderado/grave ou risco), Reposição com soro fisiológico 0,9%, Evitar soro glicosado (hipotônico), Punção lombar (risco de herniação))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A escala de coma de Glasgow é o instrumento padrão para classificar a gravidade do TCE, com escore máximo de 15 pontos. A classificação divide os pacientes em TCE leve (13–15), moderado (9–12) e grave (≤ 8). A afirmação está correta ao descrever a ECG como ferramenta de classificação e o escore máximo de 15.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A intubação orotraqueal é recomendada no TCE grave, especialmente quando o escore de Glasgow é ≤ 8, para proteger a via aérea, prevenir aspiração e manter a oxigenação e ventilação adequadas. A afirmação de que a intubação não é recomendada por dificultar a avaliação neurológica é incorreta, pois a proteção da via aérea é prioritária e a avaliação neurológica pode ser feita antes da sedação ou com técnicas que permitam monitorização.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada de crânio é indicada de forma urgente não apenas nos casos de TCE grave, mas também em pacientes com TCE moderado ou com critérios de risco (como perda de consciência, amnésia, vômitos, cefaleia intensa, idade avançada, uso de anticoagulantes). A realização imediata da TC é fundamental para identificar lesões intracranianas que podem necessitar de intervenção cirúrgica, e o benefício supera o risco da radiação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A solução glicofisiológica (soro glicosado) é hipotônica e pode aumentar o edema cerebral e a pressão intracraniana, sendo contraindicada na reposição volêmica do paciente com TCE. A reposição volêmica deve ser feita com soluções isotônicas, como o soro fisiológico 0,9%, para manter a pressão arterial e a perfusão cerebral sem agravar o edema.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A punção lombar é contraindicada na suspeita de hipertensão intracraniana, como no TCE, pois a retirada de líquido cefalorraquidiano pode causar herniação cerebral, uma complicação fatal. A coleta de liquor deve ser realizada apenas em situações específicas, como na suspeita de meningite, e após a exclusão de hipertensão intracraniana por exame de imagem.

Gabarito: letra A

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