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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu113585
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Neurologia
Uma mulher de 40 anos apresenta um histórico de fraqueza muscular flutuante que iniciou nos músculos extraoculares, manifestada por ptose palpebral bilateral e diplopia. Os sintomas pioram no final do dia e melhoram com repouso. Durante a avaliação, o teste de edrofônio foi positivo, e os anticorpos contra o receptor de acetilcolina (AChR) foram detectados em altos títulos. Não há sinais de comprometimento respiratório, e o exame físico não revela fraqueza bulbar significativa. A paciente relata cansaço generalizado após esforço físico prolongado. Ela também tem histórico de hipertensão controlada com bloqueadores do receptor de angiotensina. Os exames laboratoriais de rotina são normais, exceto por leve elevação da CK. Uma radiografia de tórax realizada previamente não mostrou alterações significativas. Qual é o próximo passo mais apropriado no manejo dessa paciente?
  1. AIniciar piridostigmina para alívio sintomático imediato e solicitar tomografia computadorizada de tórax com contraste para avaliação de timoma.
  2. BPrescrever corticosteroides em dose moderada, iniciar piridostigmina e monitorar sinais de crise miastênica.
  3. CRealizar plasmaférese como terapia de primeira linha e investigar complicações associadas à doença autoimune.
  4. DEncaminhar para timectomia eletiva independentemente da presença de alterações na imagem torácica.
  5. ESolicitar biópsia muscular para excluir polimiosite como causa de elevação da CK antes de iniciar terapia definitiva.
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GabaritoA — Iniciar piridostigmina para alívio sintomático imediato e solicitar tomografia computadorizada de tórax com contraste para avaliação de timoma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miastenia Gravis: manejo inicial e investigação de timoma

Gabarito: letra A. O quadro clínico — ptose e diplopia flutuantes, piora ao final do dia, melhora com repouso, teste de edrofônio positivo e anticorpos anti-AChR em altos títulos — é clássico de miastenia gravis (MG) generalizada. O próximo passo apropriado é iniciar piridostigmina para alívio sintomático e solicitar TC de tórax com contraste para rastrear timoma, presente em cerca de 10% dos pacientes soropositivos. A conduta se baseia nos princípios de tratamento da MG e na necessidade de excluir timoma, que altera a estratégia terapêutica.

A miastenia gravis é uma doença autoimune da junção neuromuscular, na qual anticorpos contra o receptor de acetilcolina (AChR) reduzem o número de receptores funcionais, comprometendo a transmissão do impulso nervoso ao músculo. Isso gera fraqueza muscular flutuante e fatigabilidade, que piora com o uso repetido dos músculos e melhora com repouso. A apresentação típica começa com sintomas oculares — ptose e diplopia — e, em cerca de metade dos casos, evolui para forma generalizada em dois anos. O diagnóstico é clínico, confirmado por testes como o edrofônio (inibidor de curta ação da acetilcolinesterase), pela dosagem de anticorpos anti-AChR (positivos em ~80% dos casos generalizados) e pela eletroneuromiografia com estimulação repetitiva.

O tratamento da MG é escalonado conforme a gravidade. A piridostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, é a primeira linha para alívio sintomático, melhorando a força na maioria dos pacientes. É usada isoladamente em casos oculares puros ou generalizados leves, ou associada a imunossupressores (prednisona, azatioprina, micofenolato) em formas mais graves. A plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa são reservadas para crises miastênicas, fraqueza bulbar ou generalizada grave, ou quando não há resposta aos imunomoduladores orais. A timectomia está indicada para todos os pacientes com timoma e é recomendada em MG não timomatosa para aumentar a chance de remissão, mas geralmente não é indicada em pacientes acima de 60 anos.

A investigação de timoma é etapa obrigatória no diagnóstico da MG, pois o timoma está presente em cerca de 10% dos pacientes soropositivos e sua ressecção é sempre indicada. A TC de tórax com contraste é o exame de escolha para essa avaliação. A radiografia de tórax, que foi realizada e não mostrou alterações, não é suficiente para excluir timoma, pois lesões pequenas podem não ser visíveis. Portanto, mesmo com RX normal, a TC é necessária.

A alternativa A é a única que combina corretamente as duas condutas essenciais: iniciar a medicação sintomática (piridostigmina) e investigar a causa mais relevante associada (timoma). As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de indicação, como veremos a seguir. A pegadinha central é a tentação de tratar a elevação leve da CK como indicativa de miopatia inflamatória (polimiosite) ou de indicar terapias mais agressivas (plasmaférese, timectomia imediata) sem a devida fundamentação clínica.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais apropriada. A piridostigmina é a primeira linha para alívio sintomático na MG, e a TC de tórax com contraste é obrigatória para rastrear timoma, que está presente em cerca de 10% dos pacientes soropositivos. A radiografia de tórax normal não exclui timoma, tornando a TC indispensável. A alternativa espelha exatamente o manejo inicial recomendado: tratar os sintomas e investigar a causa associada mais relevante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A associação de corticosteroides em dose moderada com piridostigmina não é o próximo passo imediato para uma paciente com MG generalizada leve, sem comprometimento bulbar ou respiratório. Corticosteroides são indicados quando a piridostigmina isolada não controla os sintomas ou em formas mais graves. Além disso, iniciar corticosteroides pode causar piora transitória da fraqueza, exigindo monitorização cuidadosa. A monitorização de crise miastênica é sempre importante, mas não justifica a introdução precoce de corticoide nesta paciente estável.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A plasmaférese não é terapia de primeira linha para MG leve ou moderada. Ela é reservada para crises miastênicas, fraqueza bulbar ou generalizada grave, ou quando há contraindicação ou falha dos imunomoduladores orais. A paciente descrita não apresenta sinais de crise (sem comprometimento respiratório ou bulbar significativo), portanto a plasmaférese seria um tratamento excessivo e inadequado nesta fase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A timectomia eletiva não deve ser realizada "independentemente" da imagem torácica. A indicação de timectomia depende da presença de timoma (sempre indicada) ou, em MG não timomatosa, é recomendada para aumentar a chance de remissão, mas não é uma emergência e deve ser avaliada caso a caso, considerando idade, gravidade e resposta ao tratamento clínico. A TC de tórax é essencial para decidir a conduta cirúrgica, e a timectomia não é o "próximo passo" imediato antes da investigação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A biópsia muscular para excluir polimiosite não é indicada neste contexto. A elevação leve da CK pode ocorrer na MG, mas o quadro clínico (ptose, diplopia, flutuação, teste de edrofônio positivo, anti-AChR positivo) é altamente sugestivo de MG, e não de miopatia inflamatória. A polimiosite cursaria com fraqueza proximal simétrica, elevação importante de CK e, tipicamente, sem sintomas oculares flutuantes. A biópsia muscular seria um procedimento desnecessário e atrasaria o tratamento adequado.

Gabarito: letra A

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