Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — VUNESP 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
vu113592
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Nutrologia (Adulto)
Paciente de 48 anos de idade, do sexo masculino, com obesidade grau III (IMC de 42 kg/m² ), busca ajuda para perda de peso após várias tentativas malsucedidas com dieta e exercício. Refere que há momentos nos quais sabe que está ingerindo mais do que o necessário e de forma muito rápida. Apresenta hipertensão arterial sistêmica e hiperlipidemia, apesar da medicação específica. Após avaliação, o médico decide iniciar uma terapia farmacológica.Com base nos mecanismos de ação dos medicamentos antiobesidade disponíveis, qual seria a opção mais adequada para melhorar o controle do apetite do paciente e os resultados metabólicos?
AIniciar semaglutida, um agonista do receptor GLP-1, para regular o apetite e melhorar o controle metabólico.
BPrescrever orlistate para bloquear a absorção de gordura, reduzindo calorias ingeridas.
CUtilizar naltrexona-bupropiona para modular os circuitos de recompensa e reduzir os desejos alimentares.
DPrescrever sibutramina, para diminuir fome e proporcionar saciedade.
EIniciar topiramato como monoterapia para reduzir a compulsão alimentar.
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GabaritoA — Iniciar semaglutida, um agonista do receptor GLP-1, para regular o apetite e melhorar o controle metabólico.
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Farmacoterapia da obesidade: escolha do agente antiobesidade
Gabarito: letra A. A semaglutida, agonista do receptor GLP-1, é a opção mais adequada para o paciente com obesidade grau III, hipertensão e hiperlipidemia, pois atua no controle central do apetite e promove benefícios metabólicos adicionais, como melhora do perfil glicêmico e lipídico. As diretrizes atuais recomendam os análogos de GLP-1 (aGLP1) como opção farmacológica para perda de peso, com bons resultados na redução de peso e do risco cardiovascular.
A obesidade é uma doença crônica multifatorial, e o tratamento farmacológico é indicado quando as medidas de mudança do estilo de vida não são efetivas. O paciente em questão já tentou dieta e exercício sem sucesso, apresenta IMC de 42 kg/m² (obesidade grau III) e comorbidades como hipertensão arterial sistêmica e hiperlipidemia, apesar da medicação específica. O objetivo do tratamento farmacológico é promover perda de peso clinicamente significativa (≥ 5-10% do peso corporal) e melhorar os desfechos metabólicos associados.
Os medicamentos antiobesidade disponíveis atuam por diferentes mecanismos de ação: inibidores da lipase gastrointestinal (orlistate), agentes de ação central (sibutramina, naltrexona-bupropiona, fentermina-topiramato) e análogos do GLP-1 (liraglutida, semaglutida, dulaglutida). A escolha do fármaco deve ser individualizada, considerando o perfil de comorbidades, contraindicações e efeitos colaterais.
No caso apresentado, o paciente tem hipertensão arterial e hiperlipidemia. A sibutramina é contraindicada em pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou hipertensão não controlada, pois pode elevar a pressão arterial e causar eventos cardíacos. O orlistate atua localmente no trato gastrointestinal, bloqueando a absorção de gorduras, mas tem eficácia modesta e não aborda diretamente o controle do apetite. A naltrexona-bupropiona modula os circuitos de recompensa, mas tem menor evidência de benefício metabólico comparada aos aGLP1. O topiramato não é aprovado como monoterapia para obesidade, sendo usado em combinação com fentermina.
Os análogos de GLP-1, como a semaglutida, são a classe mais promissora, pois atuam em múltiplos alvos: reduzem o apetite, retardam o esvaziamento gástrico, aumentam a saciedade e melhoram o controle glicêmico. Além disso, têm demonstrado benefícios cardiovasculares e metabólicos, sendo uma opção atraente para pacientes com obesidade e comorbidades como hipertensão e dislipidemia.
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025:
"Recomenda-se o uso de medicamentos para diminuir peso, tais como os aGLP1 (liraglutida, semaglutida e dulaglutida) que apresentam bons resultados na redução de peso e do risco CV, mas os resultados na redução da PA são modestos."
A semaglutida, em particular, tem mostrado resultados expressivos na redução de peso, com perdas médias de 15-17% do peso corporal em estudos clínicos, superiores aos demais fármacos. Seu mecanismo de ação envolve a ativação dos receptores GLP-1 no cérebro, especialmente no hipotálamo, reduzindo a ingestão alimentar e aumentando a saciedade. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina e tem efeitos benéficos no perfil lipídico.
A pegadinha desta questão está em considerar que todos os fármacos são equivalentes, quando na verdade a escolha deve levar em conta o perfil de comorbidades do paciente. A sibutramina, por exemplo, é uma opção que poderia parecer adequada por reduzir a fome, mas é contraindicada em pacientes com hipertensão não controlada. O orlistate, por sua vez, é uma opção segura, mas com eficácia limitada e sem efeito direto no controle do apetite.
Guarde a distinção entre os mecanismos de ação e as indicações específicas de cada fármaco: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Medicamento
Mecanismo de ação
Efeito no apetite
Benefício metabólico
Indicação/Contraindicação no caso
Semaglutida (A)
Agonista do receptor GLP-1
Reduz apetite, aumenta saciedade
Melhora glicemia e perfil lipídico
Adequada — benefício cardiovascular e metabólico
Orlistate (B)
Inibidor da lipase gastrointestinal
Sem efeito direto no apetite
Modesto (perda de peso pequena)
Eficácia limitada; não aborda controle do apetite
Naltrexona-bupropiona (C)
Modula circuitos de recompensa
Reduz desejos alimentares
Menor evidência de benefício metabólico
Pode elevar PA — preocupação no hipertenso
Sibutramina (D)
Ação central (serotonina/noradrenalina)
Reduz fome, proporciona saciedade
Sem benefício metabólico adicional
Contraindicada — hipertensão não controlada
Topiramato (E)
Modulador GABA/glutamato (uso combinado)
Reduz compulsão alimentar
Sem benefício metabólico relevante
Não aprovado como monoterapia; efeitos colaterais
Antiobesidade
1Ação central
Semaglutida (aGLP1)
Controle do apetite
Benefício metabólico
Sibutramina
Contraindicada em hipertenso
Naltrexona-bupropiona
Reduz desejos alimentares
Pode elevar PA
2Ação periférica
Orlistate
Bloqueia absorção de gordura
Eficácia modesta
3Combinações
Fentermina + topiramato
Topiramato não é monoterapia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A semaglutida é um agonista do receptor GLP-1 que atua no sistema nervoso central para regular o apetite, promovendo saciedade e reduzindo a ingestão alimentar. Além disso, tem benefícios metabólicos adicionais, como melhora do controle glicêmico e do perfil lipídico, sendo uma opção adequada para pacientes com obesidade e comorbidades como hipertensão e hiperlipidemia. As diretrizes atuais recomendam os aGLP1 como opção farmacológica para perda de peso, com bons resultados na redução de peso e do risco cardiovascular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O orlistate é um inibidor da lipase gastrointestinal que bloqueia a absorção de gorduras, reduzindo a ingestão calórica. No entanto, sua eficácia é modesta (perda média de 2,68 kg em meta-análises) e não atua diretamente no controle do apetite, que é o principal objetivo no caso do paciente. Além disso, o orlistate não oferece benefícios metabólicos adicionais significativos para hipertensão e hiperlipidemia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A naltrexona-bupropiona é uma combinação que modula os circuitos de recompensa e reduz os desejos alimentares, sendo útil para pacientes com compulsão alimentar. No entanto, tem menor evidência de benefício metabólico comparada aos aGLP1, e seu uso pode estar associado a aumento da pressão arterial, o que é uma preocupação no paciente hipertenso. A semaglutida oferece benefícios mais abrangentes para o perfil metabólico do paciente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sibutramina é um agente de ação central que reduz a fome e proporciona saciedade, mas é contraindicada em pacientes com hipertensão não controlada ou doença cardiovascular, pois pode elevar a pressão arterial e causar eventos cardíacos como fibrilação atrial e taquicardia. O paciente em questão tem hipertensão arterial sistêmica, o que torna a sibutramina uma opção inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O topiramato não é aprovado como monoterapia para o tratamento da obesidade, sendo utilizado em combinação com fentermina. Embora tenha mostrado benefício na perda de peso e na compulsão alimentar, seu uso isolado não é recomendado pelas diretrizes atuais. Além disso, apresenta efeitos colaterais como parestesias, alterações do paladar e distúrbios psicomotores, que podem limitar sua adesão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação e as indicações específicas de cada fármaco. O candidato pode ser tentado a escolher a sibutramina (alternativa D) por seu efeito direto na redução da fome, mas ignora a contraindicação em pacientes hipertensos. Da mesma forma, o orlistate (alternativa B) parece uma opção segura, mas tem eficácia limitada e não aborda o controle do apetite. A semaglutida (alternativa A) é a opção mais completa, pois combina controle do apetite com benefícios metabólicos.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, lembre-se de que a escolha do antiobesidade deve considerar o perfil de comorbidades do paciente. Para pacientes com hipertensão, evite sibutramina; para pacientes com diabetes, os aGLP1 são preferenciais; para pacientes com compulsão alimentar, considere naltrexona-bupropiona ou topiramato. A semaglutida é uma opção versátil que combina controle do apetite com benefícios metabólicos.