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Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — VUNESP 2025

MedicinaDistúrbios Nutricionais
Código
vu113595
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Nutrologia (Adulto)
Paciente de 52 anos de idade, do sexo masculino, com histórico de cirrose hepática compensada devido a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), apresenta perda de peso de 8% nos últimos quatro meses, cansaço extremo e episódios de hipoglicemia noturna. Exames laboratoriais mostram albumina de 3,0 g/dL, bilirrubina total de 1,5 mg/dL e INR de 1,2. Durante a avaliação, observaram-se redução significativa de massa muscular e aumento do ângulo de fase na bioimpedância.Qual seria a abordagem nutricional mais apropriada para esse paciente, conforme as diretrizes da ESPEN (Sociedade Europeia de Nutrição Parenteral e Enteral 2020)?
  1. AIniciar nutrição parenteral total para rápida recuperação de peso.
  2. BPrescrever suplementos orais com alto teor de proteínas e introduzir lanches noturnos.
  3. CImplementar dieta restritiva em gorduras para minimizar sobrecarga hepática.
  4. DPriorizar nutrição enteral com fórmula enriquecida em aminoácidos de cadeia ramificada.
  5. EComeçar com nutrição enteral com sonda nasojejunal.
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GabaritoB — Prescrever suplementos orais com alto teor de proteínas e introduzir lanches noturnos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cirrose hepática e suporte nutricional: sarcopenia e hipoglicemia noturna

Gabarito: letra B. Em paciente cirrótico com perda de peso significativa, sarcopenia e episódios de hipoglicemia noturna, a conduta mais adequada é prescrever suplementos orais hiperproteicos e lanches noturnos, conforme as diretrizes da ESPEN 2020. Essa estratégia combate o catabolismo proteico e previne a hipoglicemia, sem necessidade de via artificial, já que o trato gastrointestinal está funcionante.

A cirrose hepática, independentemente da etiologia (aqui, NASH), cursa com um estado hipercatabólico: o fígado doente tem capacidade reduzida de sintetizar proteínas e de armazenar glicogênio. Isso explica dois achados centrais do caso: a sarcopenia (perda de massa muscular, evidenciada pela redução de massa magra) e a hipoglicemia noturna (jejum prolongado esgota o pouco glicogênio hepático disponível). A perda de peso de 8% em 4 meses é um sinal de alerta nutricional importante, e a albumina de 3,0 g/dL, embora influenciada pela função hepática, reforça o estado de depleção proteica.

A diretriz da ESPEN 2020 para doença hepática crônica é clara: aumentar a ingestão proteica (1,2–1,5 g/kg/dia) e distribuir a alimentação em pequenas refeições frequentes, incluindo um lanche noturno rico em proteínas e carboidratos complexos. O lanche noturno é uma recomendação específica e consagrada, pois reduz os períodos de jejum, diminui a gluconeogênese a partir do músculo e melhora o balanço nitrogenado. A via oral deve ser sempre a primeira escolha quando o paciente consegue deglutir e o intestino funciona — e é exatamente o caso: não há disfagia, obstrução ou íleo. Suplementos orais hiperproteicos são a forma prática de atingir as metas proteicas sem sobrecarregar o paciente com grandes volumes alimentares.

A bioimpedância citada no enunciado (aumento do ângulo de fase) merece atenção: na prática clínica, o ângulo de fase elevado indica melhor integridade celular e melhor prognóstico; ângulo de fase reduzido é que se associa a depleção celular e sarcopenia. O enunciado, ao dizer "aumento do ângulo de fase", pode ser uma pegadinha — mas o que decide a questão é o conjunto: perda de peso, sarcopenia e hipoglicemia noturna apontam inequivocamente para a necessidade de suplementação oral hiperproteica com lanche noturno, independentemente do valor exato do ângulo de fase.

A distinção crucial que separa as alternativas é: via oral (suplementos) versus via artificial (enteral por sonda ou parenteral). A via artificial só se justifica quando a via oral é insuficiente ou impossível (ingestão < 60% das necessidades por mais de 5–7 dias, disfagia grave, obstrução, etc.). Aqui, o paciente não tem contraindicação à via oral — ele apenas precisa de reforço nutricional. Portanto, a alternativa que respeita o princípio "se o intestino funciona, use-o" e ataca diretamente os dois problemas (catabolismo e hipoglicemia) é a letra B.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar nutrição parenteral total (NPT) seria um erro grave. A NPT é reservada para pacientes com insuficiência intestinal (síndrome do intestino curto, íleo paralítico, obstrução) ou quando a via enteral é impossível por mais de 3–5 dias. Este paciente tem trato gastrointestinal funcionante e consegue se alimentar por via oral — a NPT traria riscos desnecessários (infecção de cateter, sobrecarga hepática, maior custo) sem benefício. A diretriz é enfática: "se o intestino funciona, use-o".

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Suplementos orais hiperproteicos + lanche noturno é exatamente o que a ESPEN 2020 preconiza para cirróticos com sarcopenia e risco de hipoglicemia. A proteína extra combate o catabolismo muscular; o lanche noturno (fonte de carboidratos complexos e proteína) encurta o jejum noturno, prevenindo a hipoglicemia e poupando a massa magra. É uma conduta de baixo risco, fisiológica e baseada em evidências.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dieta restritiva em gorduras não é recomendada de forma genérica na cirrose. A restrição de gordura só se aplica em situações específicas (ex.: esteatorreia por colestase). Na NASH, o foco é o controle calórico e a qualidade da gordura (preferir insaturadas), mas não uma restrição drástica que poderia piorar o déficit calórico já presente. Além disso, a alternativa ignora os problemas centrais: sarcopenia e hipoglicemia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Nutrição enteral com fórmula enriquecida em aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) é uma opção para pacientes com encefalopatia hepática que não toleram proteína padrão. Este paciente não tem encefalopatia (não há relato de confusão, asterixis ou hiperamonemia). Além disso, a via enteral por sonda seria desnecessária, pois a via oral está preservada. A alternativa confunde indicação específica (BCAA para encefalopatia) com o caso geral de sarcopenia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sonda nasojejunal (nutrição enteral) é uma via artificial que só se justifica quando a via oral é insuficiente ou impossível. Este paciente consegue se alimentar por via oral — a sonda seria invasiva, desconfortável e sem benefício adicional. A diretriz prioriza a via oral sempre que possível; a sonda fica para casos de disfagia grave, anorexia severa com ingestão < 60% por vários dias, ou impossibilidade de deglutição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora duas confusões clássicas: (1) trocar a via oral por via artificial (sonda ou parenteral) quando o intestino funciona — o princípio "se o intestino funciona, use-o" é a chave; (2) usar o ângulo de fase "aumentado" como se fosse ruim, quando na verdade ângulo de fase elevado é bom — o que importa é o conjunto de sinais de sarcopenia e hipoglicemia, que apontam para suplementação oral hiperproteica com lanche noturno.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver cirrose + sarcopenia + hipoglicemia noturna, lembre-se do tripé: proteína em dose alta (1,2–1,5 g/kg/dia), refeições fracionadas e lanche noturno. Se a alternativa trouxer via artificial sem justificativa (disfagia, obstrução, íleo), descarte-a. E desconfie de "restrição de gordura" ou "BCAA" sem contexto de encefalopatia — são distratores frequentes.

Gabarito: letra B

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