Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — VUNESP 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
vu113598
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Nutrologia (Adulto)
Paciente de 62 anos de idade, do sexo masculino, diagnosticado com câncer de pâncreas, apresenta perda de peso significativa e queixa de fraqueza muscular. Exames laboratoriais indicam proteína C-reativa elevada, glicemia normal e baixos níveis de albumina sérica (2,8 g/dL). Após avaliação nutricional, foi constatado que sua ingestão calórica é insuficiente, correspondendo a apenas 50% da sua necessidade diária.Qual seria a estratégia nutricional inicial mais adequada para melhorar a condição do paciente?
AColocar o paciente em cuidados paliativos e não prescrever nenhuma terapia nutricional.
BPrescrever nutrição parenteral suplementar para corrigir a albumina sérica.
CPrescrever suplementos orais enriquecidos com ácidos graxos ômega-3 para estabilizar o peso e reduzir a inflamação.
DImplementar dieta hipercalórica e hiperproteica para minimizar estresse metabólico.
EOferecer terapia nutricional somente se o paciente não for fazer quimioterapia nos próximos 15 dias.
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GabaritoC — Prescrever suplementos orais enriquecidos com ácidos graxos ômega-3 para estabilizar o peso e reduzir a inflamação.
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Câncer de pâncreas e suporte nutricional: estratégia inicial
Gabarito: letra C. Em paciente oncológico com perda de peso, inflamação sistêmica (PCR elevada) e ingestão calórica de apenas 50% da necessidade, a estratégia nutricional inicial mais adequada é a suplementação oral enriquecida com ácidos graxos ômega-3, que atua na estabilização do peso e na modulação da resposta inflamatória — conduta alinhada às diretrizes de terapia nutricional no câncer. As demais alternativas ou negligenciam a terapia nutricional, ou a indicam de forma inadequada (via parenteral sem falência intestinal, dieta hipercalórica sem modulação inflamatória, ou condicionam o suporte a fatores externos).
A caquexia do câncer é uma síndrome multifatorial caracterizada por perda de peso involuntária, depleção de massa muscular e inflamação sistêmica, mediada por citocinas pró-inflamatórias (IL-1, IL-6, TNF-α). No paciente com câncer de pâncreas, a perda de peso é frequentemente acentuada, tanto pela doença quanto pela insuficiência exócrina pancreática associada. A albumina baixa (2,8 g/dL) reflete o estado inflamatório e a depleção proteica visceral, mas não é um marcador sensível de resposta à terapia nutricional isolada — sua correção depende do controle do processo inflamatório subjacente.
A terapia nutricional no paciente oncológico deve ser individualizada, priorizando a via oral sempre que possível. Os suplementos orais enriquecidos com ômega-3 (EPA e DHA) têm evidência de benefício na estabilização do peso e na redução da resposta inflamatória em pacientes com câncer avançado, especialmente em tumores pancreáticos. A nutrição parenteral fica reservada para casos de falência intestinal ou impossibilidade de uso do trato gastrointestinal, não sendo indicada apenas para "corrigir albumina". A dieta hipercalórica e hiperproteica, embora importante, não é a estratégia inicial isolada quando há inflamação ativa — a modulação inflamatória com ômega-3 é o diferencial.
A decisão entre as alternativas depende de compreender os pilares da terapia nutricional oncológica: (1) priorizar a via enteral/oral; (2) modular a inflamação; (3) oferecer substratos que preservem massa magra; (4) evitar a hiperalimentação, que pode piorar o prognóstico. A alternativa C contempla simultaneamente a via oral, a modulação inflamatória e a estabilização do peso — exatamente o que o caso clínico demanda.
Terapia nutricional no câncer
1Priorizar via oral/enteral
Suplemento oral com ômega-3 (EPA/DHA)
Estabiliza peso
Reduz inflamação (PCR)
2Nutrição parenteral
Reservada a falência intestinal
Não corrige albumina isoladamente
3Dieta hipercalórica isolada
Sem modulação inflamatória
Risco de hiperalimentação
4Condicionar a quimioterapia
Suporte independe do tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Negligencia a terapia nutricional, o que é inaceitável mesmo em cuidados paliativos. Pacientes em cuidados paliativos têm direito ao conforto nutricional, e a suplementação oral pode melhorar qualidade de vida, mesmo sem intenção curativa. A conduta correta seria oferecer suporte nutricional adequado ao estágio da doença, nunca simplesmente omiti-lo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A nutrição parenteral não é indicada para "corrigir albumina". A albumina é um marcador inflamatório e de depleção visceral, não um alvo terapêutico direto. A NP é reservada para pacientes com falência intestinal ou impossibilidade de usar o TGI (ex.: obstrução, íleo paralítico, síndrome do intestino curto). Neste caso, o paciente tem via oral preservada e ingestão de 50% — a suplementação oral é a via de escolha, não a parenteral.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os suplementos orais enriquecidos com ômega-3 (EPA/DHA) são a estratégia inicial mais adequada em paciente oncológico com caquexia e inflamação. Evidências mostram que o ômega-3 modula a resposta inflamatória (reduz PCR), estabiliza o peso e pode melhorar a qualidade de vida em câncer de pâncreas. A via oral é preferível à parenteral, e a modulação inflamatória é o diferencial em relação à dieta hipercalórica simples.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Embora a dieta hipercalórica e hiperproteica seja importante, não é a estratégia inicial isolada quando há inflamação ativa. A hiperalimentação pode ser prejudicial, e a modulação inflamatória com ômega-3 é o componente-chave que falta nesta alternativa. A oferta proteica deve ser adequada (1,2–2,0 g/kg/dia), mas o foco inicial deve incluir o controle da inflamação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Condicionar a terapia nutricional à realização de quimioterapia é um erro conceitual. O suporte nutricional é indicado independentemente do tratamento oncológico, sempre que houver risco de desnutrição ou desnutrição estabelecida. A perda de peso e a ingestão de 50% já justificam intervenção imediata, sem aguardar 15 dias.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "dieta hipercalórica" (alternativa D) e "suplemento com ômega-3" (alternativa C). A pegadinha está em reconhecer que, em paciente com inflamação ativa (PCR elevada), a modulação inflamatória é tão importante quanto o aporte calórico — e o ômega-3 é o diferencial. Cuidado também com a alternativa B: a albumina baixa não é indicação de nutrição parenteral.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, lembre-se da tríade da caquexia oncológica: perda de peso + inflamação + depleção muscular. A conduta inicial é sempre priorizar a via oral/enteral, modular a inflamação (ômega-3) e oferecer proteína adequada. A NP só entra se o TGI não funcionar. Essa sequência resolve a maioria das questões de suporte nutricional em oncologia.