Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — VUNESP 2025
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
vu113604
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Nutrologia (Adulto)
Assinale a alternativa correta em relação aos conceitos de recomendações nutricionais para indivíduos saudáveis (ingestão diária recomendada - DRI).
AAs recomendações nutricionais para indivíduos saudáveis (ingestão diária recomendada - DRI) devem ser utilizadas, essencialmente, para definir rotulagem e planejar programas de orientação nutricional, não sendo adequadas para indivíduos, somente para populações.
BA ingestão dietética recomendada (RDA) é um valor de ingestão diária de determinado nutriente do qual a necessidade de metade (50%) dos indivíduos saudáveis de um grupo de mesmo sexo e estágio de vida se estima suprir.
CA necessidade média estimada (EAR) é a quantidade de ingestão alimentar diária suficiente para atender às necessidades nutricionais da maioria (97 a 98%) dos indivíduos saudáveis de um determinado grupo de mesmo sexo e estágio de vida.
DValores de ingestão adequada (AI) baseiam-se em valores de ingestão ajustados experimentalmente ou em aproximações da ingestão observada de nutrientes de um grupo de indivíduos aparentemente saudáveis.
EO limite superior tolerável de ingestão (UL) é o valor mais alto de ingestão diária continuada de um nutriente, correspondente a três vezes o valor da necessidade média estimada (EAR).
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GabaritoD — Valores de ingestão adequada (AI) baseiam-se em valores de ingestão ajustados experimentalmente ou em aproximações da ingestão observada de nutrientes de um grupo de indivíduos aparentemente saudáveis.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Recomendações Nutricionais (DRIs): EAR, RDA, AI e UL
Gabarito: letra D. A alternativa correta define a Ingestão Adequada (AI) como um valor baseado em ingestões observadas ou determinadas experimentalmente em grupos de indivíduos aparentemente saudáveis, quando não há dados suficientes para estabelecer a EAR e, consequentemente, a RDA. As demais alternativas trocam ou distorcem os conceitos das DRIs (EAR, RDA, AI e UL), que são o conjunto de referências de ingestão de nutrientes para indivíduos saudáveis.
As Dietary Reference Intakes (DRIs) — em português, Ingestões Dietéticas de Referência — são um conjunto de valores de referência de ingestão de nutrientes, desenvolvidos para planejar e avaliar dietas de indivíduos e populações saudáveis. Elas substituíram as antigas RDA (Recommended Dietary Allowances) como padrão único, pois reconhecem que as necessidades variam e que diferentes usos exigem diferentes valores de referência. O conjunto é composto por quatro valores principais: a Necessidade Média Estimada (EAR), a Ingestão Dietética Recomendada (RDA), a Ingestão Adequada (AI) e o Limite Superior Tolerável de Ingestão (UL).
A EAR (Estimated Average Requirement) é o valor de ingestão diária de um nutriente que se estima suprir a necessidade de 50% dos indivíduos saudáveis de um grupo, de mesmo sexo e estágio de vida. Ela é a base estatística para o cálculo da RDA e é usada para avaliar a adequação da ingestão de grupos populacionais. A RDA (Recommended Dietary Allowance) é derivada da EAR: é o valor de ingestão diária suficiente para atender às necessidades de 97 a 98% dos indivíduos saudáveis de um grupo. Na prática, a RDA é calculada como a EAR mais dois desvios-padrão (DP) da necessidade; quando não há dados suficientes para calcular o DP, a RDA não pode ser estabelecida, e recorre-se à AI.
A AI (Adequate Intake) é usada quando não há evidências científicas suficientes para determinar a EAR e, portanto, a RDA. Ela é baseada em aproximações da ingestão observada de nutrientes por um grupo de indivíduos aparentemente saudáveis, ou em dados experimentais. A AI é um valor de referência, mas não tem a mesma robustez estatística da RDA — ela é uma meta de ingestão presumivelmente adequada. Já o UL (Tolerable Upper Intake Level) é o valor mais alto de ingestão diária continuada de um nutriente que, provavelmente, não apresenta risco de efeitos adversos à saúde para quase todos os indivíduos do grupo. O UL não é um nível recomendado de ingestão, mas um limite de segurança; ele não é calculado como um múltiplo da EAR (como "três vezes a EAR"), mas sim determinado a partir de dados de toxicidade e efeitos adversos.
A pegadinha central desta questão é a inversão dos percentuais e das definições entre EAR e RDA, além da invenção de uma relação matemática entre UL e EAR. A banca explora a confusão clássica: muitos candidatos lembram que a RDA cobre "a maioria" e a EAR cobre "metade", mas trocam os percentuais (50% vs. 97-98%) ou os nomes. Além disso, a alternativa E inventa uma fórmula para o UL que não existe na literatura científica — o UL é definido por critérios de segurança, não por um múltiplo da EAR.
Guarde a hierarquia e a lógica: EAR (50%) → RDA (97-98%, derivada da EAR) → AI (quando não há EAR) → UL (limite de segurança, independente da EAR). É exatamente essa cadeia que as alternativas tentam embaralhar.
Sigla
Nome por extenso
Percentual da necessidade coberto
Base de cálculo / definição
EAR
Necessidade Média Estimada
50% dos indivíduos saudáveis
Estimativa estatística da necessidade média do grupo
RDA
Ingestão Dietética Recomendada
97–98% dos indivíduos saudáveis
Derivada da EAR (EAR + 2 desvios-padrão)
AI
Ingestão Adequada
Não definido (meta presumivelmente adequada)
Baseada em ingestão observada ou dados experimentais de grupos saudáveis (usada quando não há EAR)
UL
Limite Superior Tolerável
Não se aplica (limite de segurança)
Determinado por dados de toxicidade/efeitos adversos, não é múltiplo da EAR
DRIs (valores de referência): EAR (50% do grupo) (base para calcular a RDA); RDA (97-98% do grupo) (EAR + 2 desvios-padrão); AI (sem dados para EAR) (ingestão observada de saudáveis); UL (limite de segurança) (risco de efeitos adversos, não é múltiplo da EAR)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que as DRIs "não são adequadas para indivíduos, somente para populações" é falsa. As DRIs têm dupla aplicação: servem tanto para avaliar e planejar dietas de indivíduos (usando a RDA como meta individual) quanto para populações (usando a EAR para avaliar a prevalência de inadequação). A rotulagem e os programas de orientação nutricional são apenas um dos usos (aplicação em políticas públicas), mas não o único nem o essencial. O erro está em restringir o uso das DRIs a populações, excluindo os indivíduos — a RDA, por exemplo, é a meta de ingestão para um indivíduo saudável específico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa inverte o conceito: ela atribui à RDA o percentual de 50%, que é o percentual da EAR. A RDA é o valor que cobre as necessidades de 97 a 98% dos indivíduos saudáveis, não de metade. O erro é uma troca de percentuais entre EAR e RDA — a definição dada na alternativa B é, na verdade, a definição correta da EAR.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa comete o erro inverso da B: atribui à EAR o percentual de 97 a 98%, que é o percentual da RDA. A EAR cobre as necessidades de 50% dos indivíduos saudáveis. A definição dada na alternativa C é, na verdade, a definição correta da RDA. A banca troca os percentuais entre os dois conceitos, explorando a confusão clássica entre EAR e RDA.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D define corretamente a AI (Ingestão Adequada): ela é estabelecida quando não há dados suficientes para calcular a EAR, e é baseada em "valores de ingestão ajustados experimentalmente ou em aproximações da ingestão observada de nutrientes de um grupo de indivíduos aparentemente saudáveis". Essa é exatamente a definição de AI — um valor de referência usado como meta quando a RDA não pode ser determinada. A AI é uma aproximação baseada em observações de ingestão de grupos saudáveis, não em cálculos estatísticos de necessidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E define o UL de forma incorreta ao afirmar que ele corresponde a "três vezes o valor da necessidade média estimada (EAR)". O UL é o valor mais alto de ingestão diária continuada que provavelmente não apresenta risco de efeitos adversos, mas ele não é calculado como um múltiplo da EAR. O UL é determinado a partir de dados de toxicidade, efeitos adversos e segurança, e pode ser maior ou menor que múltiplos arbitrários da EAR, dependendo do nutriente. A relação "UL = 3 × EAR" é uma invenção sem base científica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os percentuais entre EAR e RDA — e faz isso duas vezes nesta questão (alternativas B e C). A EAR cobre 50%; a RDA cobre 97-98%. Grave essa dupla: se a alternativa diz "50%", é EAR; se diz "97-98%", é RDA. E desconfie de qualquer fórmula matemática inventada para o UL — ele é definido por segurança, não por múltiplo da EAR.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte mentalmente a escada das DRIs: EAR (50%) → RDA (97-98%, = EAR + 2 DP) → AI (quando não há EAR) → UL (limite de segurança). Na prova, leia a alternativa e pergunte: "qual valor cobre metade? qual cobre quase todos?" — isso resolve a questão em segundos.