O medicamento já comercializado no Brasil que vem apresentando melhores resultados no tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e do edema macular diabético (EMD), pelo fato de ter duplo mecanismo de ação (inibe a ação tanto do VEGF-A como da angiopoietina-2), é
AEylia (aflicebercept, Bayer).
BLucentis (ranibizumabe, Novartis).
CVsiqq (brolucizumabe, Novartis).
DVabysmo (faricimabe, Roche).
EAbicipar (abicipar pegol, Allergan).
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GabaritoD — Vabysmo (faricimabe, Roche).
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Gabarito: letra D. O Vabysmo (faricimabe, Roche) é o único medicamento entre as opções com duplo mecanismo de ação — inibe simultaneamente o VEGF-A e a angiopoietina-2 (via Tie-2) —, o que confere maior durabilidade e eficácia no tratamento da DMRI neovascular e do EMD. Os demais fármacos (aflibercepte, ranibizumabe, brolucizumabe e abicipar) são anti-VEGF de alvo único, atuando apenas sobre o VEGF-A.
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e o edema macular diabético (EMD) são as duas principais causas de perda visual central em adultos, ambas caracterizadas por neovascularização coroideana ou retinal e aumento da permeabilidade vascular. O tratamento padrão-ouro é a injeção intravítrea de agentes antiangiogênicos, que bloqueiam o fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF), principal mediador da angiogênese patológica e do extravasamento vascular. Os fármacos dessa classe diferem quanto à estrutura molecular, ao peso, à afinidade pelos subtipos de VEGF e, crucialmente, quanto ao mecanismo de ação.
O faricimabe (Vabysmo) representa uma evolução terapêutica: além de neutralizar o VEGF-A, ele também se liga à angiopoietina-2 (Ang-2), uma proteína que desestabiliza os vasos sanguíneos e potencializa a ação do VEGF. Ao bloquear as duas vias simultaneamente, o faricimabe promove maior estabilização vascular, redução mais expressiva do edema e, na prática clínica, permite intervalos de tratamento mais longos (até 16 semanas após a fase de carga), melhorando a adesão e a qualidade de vida dos pacientes. Essa é a característica que o distingue dos demais anti-VEGF disponíveis no Brasil.
Os outros medicamentos citados são todos inibidores isolados do VEGF-A: o aflibercepte (Eylia) é uma proteína de fusão que age como "armadilha de VEGF" (VEGF-Trap), ligando-se ao VEGF-A e ao VEGF-B e ao fator de crescimento placentário (PlGF); o ranibizumabe (Lucentis) é um fragmento de anticorpo monoclonal humanizado; o brolucizumabe (Vsiqq) é um fragmento de anticorpo de cadeia única de baixo peso molecular; e o abicipar pegol (Abicipar) é uma proteína de ancoragem (DARPin) projetada para maior durabilidade, mas que também atua exclusivamente sobre o VEGF-A. Nenhum deles possui atividade sobre a via da angiopoietina-2.
A pegadinha da questão está em associar o "duplo mecanismo de ação" a qualquer anti-VEGF de segunda geração ou de maior durabilidade. O candidato pode ser tentado a marcar o aflibercepte (por ser uma "armadilha" de múltiplos fatores) ou o brolucizumabe (por ser mais recente), mas o único com mecanismo verdadeiramente duplo — anti-VEGF-A e anti-Ang-2 — é o faricimabe. Guarde essa distinção: é ela que separa a alternativa correta das demais.
Anti-VEGF intravítreos
1Alvo único (VEGF-A)
Ranibizumabe (Lucentis)
Brolucizumabe (Vsiqq)
Abicipar pegol (Abicipar)
Aflibercepte (Eylia)
VEGF-A, VEGF-B e PlGF
Ainda assim, via única
2Duplo mecanismo
Faricimabe (Vabysmo)
Anti-VEGF-A
Anti-angiopoietina-2 (Ang-2)
Intervalos mais longos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O Eylia (aflibercepte, Bayer) é uma proteína de fusão que atua como receptor-armadilha solúvel para o VEGF-A, VEGF-B e PlGF. Embora seja um antiangiogênico potente e amplamente utilizado, seu mecanismo é de alvo único sobre a família do VEGF — não há bloqueio da angiopoietina-2. A confusão pode surgir porque o aflibercepte "sequestra" mais de um fator de crescimento, mas todos pertencem à mesma via do VEGF.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Lucentis (ranibizumabe, Novartis) é um fragmento Fab de anticorpo monoclonal humanizado que neutraliza especificamente o VEGF-A. É um dos primeiros anti-VEGF aprovados para DMRI e EMD, com eficácia comprovada, mas seu mecanismo é exclusivamente anti-VEGF-A, sem qualquer ação sobre a angiopoietina-2 ou sua via de sinalização.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Vsiqq (brolucizumabe, Novartis) é um fragmento de anticorpo de cadeia única (scFv) de baixo peso molecular, desenvolvido para maior penetração retiniana e durabilidade. Apesar de ser um anti-VEGF de geração mais recente, seu alvo é único: o VEGF-A. A ausência de atividade sobre a angiopoietina-2 o exclui da definição de duplo mecanismo de ação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Vabysmo (faricimabe, Roche) é um anticorpo biespecífico que se liga simultaneamente ao VEGF-A e à angiopoietina-2 (Ang-2). Essa dupla neutralização é o diferencial: enquanto o bloqueio do VEGF-A inibe a angiogênese e a permeabilidade vascular, o bloqueio da Ang-2 estabiliza a vasculatura, reduzindo a inflamação e o extravasamento. Estudos clínicos (como os ensaios TENAYA, LUCERNE, YOSEMITE e RHINE) demonstraram eficácia não inferior ou superior aos comparadores, com possibilidade de intervalos de tratamento estendidos — o que justifica a afirmação de "melhores resultados" e o destaque do duplo mecanismo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Abicipar (abicipar pegol, Allergan) é uma proteína de ancoragem projetada (DARPin) que se liga com alta afinidade ao VEGF-A, com o objetivo de prolongar o intervalo entre injeções. No entanto, seu mecanismo é de alvo único sobre o VEGF-A, e seu desenvolvimento clínico enfrentou desafios de segurança (inflamação intraocular), não tendo sido aprovado no Brasil. Não possui atividade sobre a angiopoietina-2.
Gabarito: letra D — o faricimabe (Vabysmo) é o único com duplo mecanismo de ação (anti-VEGF-A e anti-Ang-2).