Questão de Medicina — Oftalmologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113620
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Oftalmologia
- Aadrenalina.
- Bclonidina.
- Cdopamina.
- Ddobutamina.
- Eisoproterenol.
GabaritoB — clonidina.
Gabarito: letra B. A clonidina é um agonista alfa-2 adrenérgico que reduz a pressão intraocular (PIO) ao diminuir a produção de humor aquoso e aumentar sua drenagem, sendo utilizada como adjuvante no perioperatório de cirurgias oculares, incluindo a facectomia. As demais alternativas (adrenalina, dopamina, dobutamina e isoproterenol) são catecolaminas com ações cardiovasculares e não têm papel estabelecido na redução da PIO nesse contexto.
A cirurgia de catarata, ou facectomia, é um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo. Durante o ato cirúrgico, o controle da pressão intraocular é fundamental para evitar complicações como o glaucoma de fechamento angular, a neuropatia óptica isquêmica e o edema de córnea. O manitol, um agente hiperosmótico, é clássico nesse cenário: administrado por via intravenosa, aumenta a osmolaridade plasmática, desidrata o humor vítreo e reduz a PIO de forma rápida e efetiva. No entanto, em algumas situações, associa-se um segundo fármaco para potencializar ou manter esse efeito hipotensor.
A clonidina, originalmente desenvolvida como anti-hipertensivo de ação central, também é utilizada em oftalmologia. Seu mecanismo envolve a ativação de receptores alfa-2 adrenérgicos, o que reduz a produção de humor aquoso e aumenta a drenagem uveoescleral. Essa dupla ação a torna útil no controle da PIO, tanto no tratamento crônico do glaucoma quanto no perioperatório de cirurgias oculares. Estudos demonstram que a clonidina tópica ou oral pode ser usada como adjuvante ao manitol para manter a PIO em níveis seguros durante a facectomia.
As demais alternativas são catecolaminas com ações predominantemente cardiovasculares:
Adrenalina: agonista alfa e beta adrenérgico, usada em anafilaxia, parada cardiorrespiratória e choque refratário. Na oftalmologia, pode ser usada como midriático, mas não como hipotensor ocular.
Dopamina: precursora da noradrenalina, usada em choque cardiogênico e séptico para aumentar o débito cardíaco e a pressão arterial. Não tem efeito hipotensor ocular.
Dobutamina: agonista beta-1 seletivo, usado em insuficiência cardíaca e choque cardiogênico. Sem ação ocular relevante.
Isoproterenol: agonista beta não seletivo, usado em bradicardia e bloqueios cardíacos. Sem ação hipotensora ocular.
A pegadinha da banca está em oferecer fármacos que o candidato pode associar ao ambiente cirúrgico (adrenalina, por exemplo, é comum em anestesia local) ou a contextos de emergência, mas que não têm indicação para redução da PIO. A clonidina, por sua vez, é um fármaco menos óbvio, mas com respaldo na literatura oftalmológica para esse fim.
A adrenalina é um agonista adrenérgico com potente ação vasoconstritora e cardíaca. Na oftalmologia, é utilizada como midriático (dilatador da pupila) em associação com outros agentes, mas não como hipotensor ocular. Seu uso na cirurgia de catarata está relacionado à anestesia local (para prolongar o efeito do anestésico e reduzir sangramento), não ao controle da PIO. A banca explora a confusão entre o uso cirúrgico comum da adrenalina e o efeito hipotensor que não possui.
A clonidina é um agonista alfa-2 adrenérgico que reduz a produção de humor aquoso e aumenta a drenagem uveoescleral, diminuindo a PIO. É utilizada como adjuvante no controle da pressão intraocular em cirurgias oculares, incluindo a facectomia, especialmente quando o manitol isolado não é suficiente ou é contraindicado. A alternativa está correta ao apontar a clonidina como droga utilizada para esse fim.
A dopamina é um precursor da noradrenalina, com ação inotrópica e vasopressora. É usada em choque cardiogênico, séptico e em situações de hipotensão grave. Não há indicação para redução da PIO em cirurgia de catarata. A banca oferece a dopamina como distrator por ser uma catecolamina comum em ambiente hospitalar, mas sem relação com a oftalmologia.
A dobutamina é um agonista beta-1 adrenérgico seletivo, com ação inotrópica positiva, usada em insuficiência cardíaca e choque cardiogênico. Não possui efeito hipotensor ocular e não é utilizada em cirurgia de catarata. A alternativa confunde o uso cardiovascular da dobutamina com o contexto oftalmológico.
O isoproterenol é um agonista beta-adrenérgico não seletivo, usado em bradicardia, bloqueios cardíacos e em testes de provocação para asma. Não tem ação sobre a PIO e não é utilizado em cirurgia de catarata. A banca oferece o isoproterenol como distrator por ser uma catecolamina, mas sem relevância oftalmológica.
A banca explora a confusão entre fármacos usados no ambiente cirúrgico (adrenalina, por exemplo, é comum em anestesia local) e o efeito hipotensor ocular. A clonidina, por ser menos óbvia, é a resposta correta. Lembre-se: para redução da PIO, os agentes clássicos são hiperosmóticos (manitol), inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida), betabloqueadores (timolol), agonistas alfa-2 (clonidina, brimonidina) e análogos de prostaglandinas. As catecolaminas (adrenalina, dopamina, dobutamina, isoproterenol) não têm esse papel.
Gabarito: letra B
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