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Questão de Medicina — Oncologia — VUNESP 2025

MedicinaOncologia
Código
vu113670
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Patologia
O mieloma múltiplo (MM) é uma proliferação neoplásica multifocal de plasmócitos neoplásicos que ocupam a medula óssea.A partir dessa informação, assinale a alternativa correta.
  1. AO MM, diferente de outras neoplasias linfoides, não evolui de um estado pré-maligno.
  2. BO MM sempre deve ser excluído em idosos com anemia e dor lombar associadas à hipercalcemia.
  3. CNos EUA, dados estatísticos demonstram uma queda na incidência anual dessa neoplasia.
  4. DNo MM não há predisposição genética descrita.
  5. EApesar de estudos controversos, o MM não expressa CD56.
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GabaritoB — O MM sempre deve ser excluído em idosos com anemia e dor lombar associadas à hipercalcemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mieloma múltiplo: conceitos-chave e armadilhas

Gabarito: letra B. O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia de plasmócitos que deve ser sempre considerada no diagnóstico diferencial de idosos que apresentam anemia, dor lombar e hipercalcemia — tríade clássica que sugere fortemente a doença (critérios de mieloma sintomático). As demais alternativas contêm afirmações incorretas sobre a história natural, epidemiologia, genética e imunofenótipo do MM.

O mieloma múltiplo é uma proliferação neoplásica monoclonal de plasmócitos que se acumulam na medula óssea, produzindo uma imunoglobulina monoclonal (proteína M) ou fragmentos dela. A doença faz parte do espectro das discrasias de plasmócitos, que vai desde a gamopatia monoclonal de significância indeterminada (GMSI) — condição pré-maligna — até o mieloma franco. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados: plasmócitos clonais na medula óssea (geralmente >10%), proteína M sérica ou urinária, e evidência de lesão de órgão-alvo (anemia, hipercalcemia, lesões ósseas líticas, insuficiência renal).

A apresentação clássica do MM sintomático inclui justamente a tríade que a alternativa B menciona: anemia (por supressão da hematopoese normal), dor óssea (especialmente lombar, por lesões líticas ou fraturas patológicas) e hipercalcemia (pela reabsorção óssea osteoclástica). Em um idoso com esses três achados, o MM é um diagnóstico que não pode ser esquecido — daí a assertiva correta. A hipercalcemia, inclusive, é uma complicação frequente e pode ser a primeira manifestação da doença.

A história natural do MM, ao contrário do que afirma a alternativa A, frequentemente evolui de um estado pré-maligno: a GMSI. Esta é uma condição assintomática, mais comum com o envelhecimento, que confere risco aumentado de progressão para mieloma ou outras discrasias malignas. A progressão, porém, é relativamente lenta, ocorrendo em cerca de 1% dos pacientes por ano. A alternativa A, portanto, erra ao afirmar que o MM não evolui de um estado pré-maligno.

A epidemiologia do MM também contradiz a alternativa C: a incidência da doença vem aumentando nas últimas décadas nos EUA, não caindo. O envelhecimento populacional e o melhor registro de casos contribuem para esse aumento. A alternativa D erra ao negar qualquer predisposição genética: há risco aumentado em parentes de primeiro grau de pacientes com discrasias de plasmócitos, e alterações citogenéticas são frequentes e têm valor prognóstico. Por fim, a alternativa E erra ao afirmar que o MM não expressa CD56: na verdade, a expressão de CD56 é comum nas células do mieloma, sendo um marcador útil para distinguir plasmócitos neoplásicos dos normais.

Guarde a tríade anemia + dor lombar + hipercalcemia em idoso como um forte sinal de alerta para MM — é exatamente esse o critério que separa a alternativa correta das demais.

1Espectro das discrasias
GMSI (pré-maligna)
MM (maligno)
2Tríade clássica (idoso)
Anemia
Dor lombar
Hipercalcemia
3Características
CD56 positivo
Predisposição genética
Incidência em alta
Mieloma múltiplo (MM)
LEVELsoulevel.com.br
Mieloma múltiplo (MM): Espectro das discrasias (GMSI (pré-maligna), MM (maligno)); Tríade clássica (idoso) (Anemia, Dor lombar, Hipercalcemia); Características (CD56 positivo, Predisposição genética, Incidência em alta)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o MM, diferente de outras neoplasias linfoides, não evolui de um estado pré-maligno. Isso é falso: o MM frequentemente evolui da GMSI, que é considerada uma condição pré-maligna. A GMSI é mais comum que o mieloma e confere risco aumentado (cerca de 7 vezes) de progressão para mieloma franco ou discrasias relacionadas. A progressão ocorre em aproximadamente 1% dos pacientes por ano. A banca explora a confusão entre a GMSI (pré-maligna) e o MM (maligno), mas a relação de progressão é bem estabelecida.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta: o MM deve ser sempre excluído em idosos com anemia e dor lombar associadas à hipercalcemia. Essa tríade é altamente sugestiva de mieloma sintomático, que se caracteriza por disfunção orgânica relacionada à doença — anemia, lesões ósseas líticas (que causam dor, especialmente lombar) e hipercalcemia. Em um paciente idoso com esses achados, a investigação para MM é obrigatória, incluindo eletroforese de proteínas, dosagem de cadeias leves livres e avaliação da medula óssea.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que nos EUA há queda na incidência anual do MM. Isso é incorreto: a incidência do mieloma vem aumentando, não caindo. Houve um número estimado de 32.110 novos casos nos EUA em 2019, e a doença é mais comum em homens, em afro-americanos e em idosos (idade mediana de 69 anos ao diagnóstico). O envelhecimento populacional contribui para o aumento da incidência. A banca inverte a tendência epidemiológica para confundir o candidato.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que não há predisposição genética descrita no MM. Isso é falso: o risco de mieloma aumenta para pacientes com parentes de primeiro grau que apresentam discrasias de plasmócitos. Além disso, alterações citogenéticas (como translocações envolvendo o locus da imunoglobulina de cadeia pesada no cromossomo 14) são frequentes e têm importância prognóstica. A banca nega uma predisposição que é reconhecida na literatura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o MM não expressa CD56, apesar de estudos controversos. Isso é incorreto: a expressão de CD56 é comum nas células do mieloma múltiplo. O CD56 (NCAM) é uma molécula de adesão que está presente na maioria dos casos de MM, sendo um marcador útil na imunofenotipagem para distinguir plasmócitos neoplásicos (que costumam ser CD56+) dos plasmócitos normais (que são CD56-). A banca troca o marcador por um que não é característico da doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o MM e outras neoplasias linfoides. No MM, a expressão de CD56 é a regra, não a exceção — e a GMSI é um estado pré-maligno bem estabelecido. Fique atento: a tríade anemia + dor lombar + hipercalcemia em idoso é o chamariz clássico para o diagnóstico de mieloma.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as características do MM, lembre-se da sigla CRAB: Cálcio elevado (hipercalcemia), Renal (insuficiência), Anemia, Bone (lesões ósseas). Se a alternativa trouxer um idoso com esses achados, o MM deve ser sempre considerado. E lembre-se: CD56 é positivo no mieloma, e a GMSI é o precursor pré-maligno.

Gabarito: letra B

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