Questão de Medicina — Microbiologia Clínica — VUNESP 2025
- Código
- vu113676
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Patologia
- ACitomegalovírus.
- BGiardia.
- CLeishmania.
- DHistoplasma.
- ECriptococos.
GabaritoA — Citomegalovírus.
Gabarito: letra A. Em pacientes imunossuprimidos, como receptores de transplante, o citomegalovírus (CMV) é um dos principais agentes de gastrite infecciosa, podendo causar inflamação grave da mucosa gástrica, evoluir com ulceração, necrose e até perfuração — quadro clássico descrito na literatura de transplante e gastroenterologia. As demais alternativas (Giardia, Leishmania, Histoplasma e Criptococos) não são causas frequentes de gastrite com necrose e perfuração nesse contexto.
A gastrite é definida como inflamação da mucosa gástrica, e suas causas são variadas: infecção por Helicobacter pylori (a mais comum), uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), doenças autoimunes, isquemia e agentes infecciosos. Em pacientes transplantados, a imunossupressão crônica altera profundamente o perfil de infecções, e o trato gastrointestinal é um sítio frequente de doença. O citomegalovírus é um herpesvírus que, após a primo-infecção, permanece latente no organismo e pode ser reativado em situações de imunossupressão — exatamente o que ocorre no pós-transplante, especialmente no período intermediário (2º ao 6º mês), quando as infecções oportunistas são o grande destaque.
A infecção por CMV no trato gastrointestinal pode acometer esôfago, estômago, intestino delgado e cólon. No estômago, a gastrite por CMV caracteriza-se por inflamação da mucosa com infiltrado inflamatório, ulcerações e, nos casos graves, necrose tecidual que pode evoluir para perfuração gástrica — uma complicação cirúrgica de alta morbimortalidade. O diagnóstico exige alto índice de suspeição clínica, sendo confirmado por endoscopia digestiva alta com biópsias (que mostram inclusões citomegálicas típicas ou imuno-histoquímica positiva para CMV) e/ou detecção do vírus por PCR. O tratamento é feito com antivirais, como ganciclovir ou valganciclovir, e a cirurgia fica reservada para complicações como a perfuração.
É importante distinguir o CMV dos demais agentes listados: a Giardia lamblia é um protozoário que coloniza o intestino delgado, causando diarreia e má absorção, sem comprometimento gástrico significativo; a Leishmania causa leishmaniose visceral ou tegumentar, com acometimento de órgãos como fígado, baço e medula óssea, não sendo causa de gastrite; o Histoplasma capsulatum é um fungo que causa histoplasmose, geralmente pulmonar, podendo disseminar-se em imunossuprimidos, mas a gastrite não é uma manifestação típica; e o Cryptococcus neoformans é um fungo que causa principalmente meningoencefalite e pneumonia, raramente acometendo o trato gastrointestinal. Portanto, a associação entre gastrite com necrose e perfuração em transplantados aponta diretamente para o citomegalovírus.
A banca explora a confusão entre os diversos agentes oportunistas que acometem o transplantado, mas a chave da questão está na localização anatômica (gastrite) e na evolução (necrose e perfuração), que são características da infecção por CMV no trato gastrointestinal.
O citomegalovírus é um dos principais agentes de gastrite infecciosa em pacientes imunossuprimidos, especialmente transplantados. A infecção por CMV no estômago causa inflamação da mucosa, ulceração e, nos casos graves, necrose e perfuração — exatamente o quadro descrito no enunciado. O diagnóstico é feito por endoscopia com biópsia e o tratamento com antivirais.
A Giardia lamblia é um protozoário que infecta o intestino delgado, causando diarreia, dor abdominal e má absorção. Não é causa de gastrite, necrose ou perfuração gástrica. A confusão aqui é pensar que qualquer parasita intestinal pode causar gastrite, mas a Giardia não tem tropismo pela mucosa gástrica.
A Leishmania é o agente da leishmaniose, que pode ser visceral (acometendo fígado, baço e medula óssea) ou tegumentar (pele e mucosas). Não é causa de gastrite. Em transplantados, a leishmaniose visceral pode ocorrer como infecção oportunista, mas não se manifesta como gastrite com necrose e perfuração.
O Histoplasma capsulatum é um fungo dimórfico que causa histoplasmose, geralmente uma infecção pulmonar. Em imunossuprimidos, pode haver disseminação para vários órgãos, mas o trato gastrointestinal não é um sítio preferencial, e a gastrite não é uma manifestação típica. A confusão pode surgir porque o Histoplasma é um fungo oportunista comum em transplantados, mas não causa o quadro descrito.
O Cryptococcus neoformans é um fungo que causa principalmente meningoencefalite e pneumonia em imunossuprimidos. O acometimento gastrointestinal é raro e não se manifesta como gastrite com necrose e perfuração. A confusão aqui é pensar que qualquer fungo oportunista pode causar o quadro, mas o Criptococo tem tropismo pelo sistema nervoso central e pulmões.
A banca lista vários agentes oportunistas que acometem transplantados, mas apenas o CMV tem predileção pelo trato gastrointestinal superior, causando gastrite com necrose e perfuração. Os demais agentes (Giardia, Leishmania, Histoplasma e Criptococos) têm outros sítios de infecção preferenciais — intestino delgado, sistema reticuloendotelial, pulmão e SNC, respectivamente. Guarde essa distinção: o CMV é o grande causador de doença gastrointestinal no transplantado.
Para questões sobre infecções em transplantados, lembre-se do tempo decorrido desde o transplante: no 1º mês, infecções nosocomiais e do sítio cirúrgico; do 2º ao 6º mês, infecções oportunistas (CMV, Pneumocystis, Aspergillus, Listeria); após 6 meses, infecções comunitárias. O CMV é o principal agente viral no período intermediário e pode causar colite, gastrite, esofagite e retinite.
Gabarito: letra A
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