Paciente masculino, 41 anos, com diagnóstico de linfoma difuso de grandes células de cervical tratado há seis anos. Procura o pronto atendimento com dor abdominal intensa e difusa. Realizada laparotomia exploradora, com retirada do apêndice cecal e 40 cm do intestino delgado devido à presença de nódulos na serosa e linfonodos mesentéricos aumentados de tamanho, que foram biopsiados e enviados para análise anatomopatológica. À microscopia, foi observada neoplasia linfoide com infiltração difusa, constituída por células grandes com núcleos pleomórficos e citoplasma. O estudo imuno-histoquímico revelou positividade para CD20, PAX5, CD79a, MUM1, CD30 e P53; BCL6, BCL2, CD10 e ALK negativos, com índice de proliferação celular alto.Considerando o exposto, qual o provável diagnóstico?
ALinfoma difuso de grandes células B, subtipo anaplásico.
BLinfoma difuso de grandes células B, com rearranjo IRF4.
CLinfoma difuso de grandes células B de alto grau, com aberração 11q.
DLinfoma plasmablástico.
ELinfoma primário de grandes células B de locais imunoprivilegiados.
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GabaritoA — Linfoma difuso de grandes células B, subtipo anaplásico.
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Linfoma difuso de grandes células B: subtipo anaplásico
Gabarito: letra A. O quadro clínico-patológico — linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) com células grandes pleomórficas, positividade para CD20, PAX5, CD79a, MUM1, CD30 e P53, e negatividade para BCL6, BCL2, CD10 e ALK — é o perfil clássico do subtipo anaplásico do LDGCB, uma variante morfológica reconhecida pela classificação da OMS. O diagnóstico se apoia na imuno-histoquímica: a expressão de CD30 e MUM1 com ausência de ALK e CD10 aponta para essa variante, e não para os outros subtipos listados.
O linfoma difuso de grandes células B é o linfoma não Hodgkin mais comum no adulto, e a classificação da OMS reconhece variantes morfológicas e subtipos moleculares. O subtipo anaplásico é uma variante morfológica caracterizada por células grandes, com núcleos pleomórficos, por vezes com aspecto "anaplásico" (células bizarras, multinucleadas, semelhantes a células de Reed-Sternberg), e citoplasma abundante. A imuno-histoquímica é decisiva: essas células são tipicamente CD20+, PAX5+, CD79a+ (confirmando linhagem B), e frequentemente expressam CD30 e MUM1, com negatividade para CD10 e BCL6 (perfil não centro germinativo). A negatividade para ALK é crucial para excluir o linfoma anaplásico de grandes células (LAGC), que é um linfoma T/null e ALK positivo na maioria dos casos.
O paciente tem história de LDGCB tratado há seis anos, e agora apresenta doença abdominal com nódulos na serosa e linfonodos mesentéricos — provável recidiva da doença. A positividade para CD20 confirma a linhagem B, e o padrão imuno-histoquímico (CD30+, MUM1+, ALK−, CD10−, BCL6−) é o que define o subtipo anaplásico. O índice de proliferação alto (Ki-67 elevado) é esperado em LDGCB, especialmente em variantes agressivas.
A distinção entre os subtipos de LDGCB é feita por critérios morfológicos e imuno-histoquímicos/moleculares. O subtipo anaplásico é uma variante morfológica, enquanto os outros subtipos listados nas alternativas são entidades distintas com perfis imunofenotípicos e genéticos próprios. A tabela abaixo resume as diferenças:
Critério
Subtipo anaplásico (A)
LDGCB com rearranjo IRF4 (B)
LDGCB de alto grau com aberração 11q (C)
Linfoma plasmablástico (D)
LDGCB de locais imunoprivilegiados (E)
Linhagem
B (CD20+, PAX5+, CD79a+)
B (CD20+)
B (CD20+)
B, mas com perda de CD20 e PAX5
B (CD20+)
CD30
+ (frequentemente)
−
−
−
−
MUM1
+
+ (em alguns)
−
+
−
ALK
−
−
−
−
−
CD10
−
−
+ (em alguns)
−
−
BCL6
−
+ (em alguns)
+ (em alguns)
−
−
Localização típica
Qualquer local, mas comum em sítios extranodais
Cabeça e pescoço (crianças/jovens)
Sítios extranodais (mama, testículo, etc.)
Cavidade oral, trato GI, pele (em imunossupressão)
SNC, testículo
Associação com EBV/HIV
−
−
−
+ (frequentemente)
−
A alternativa A é a correta porque o perfil imuno-histoquímico descrito (CD20+, PAX5+, CD79a+, MUM1+, CD30+, P53+, BCL6−, BCL2−, CD10−, ALK−) é exatamente o esperado para o subtipo anaplásico do LDGCB. As demais alternativas apresentam características que não se encaixam no quadro.
O subtipo anaplásico do LDGCB é uma variante morfológica caracterizada por células grandes com núcleos pleomórficos e citoplasma abundante, frequentemente com positividade para CD30 e MUM1, e negatividade para CD10, BCL6 e ALK. A positividade para CD20, PAX5 e CD79a confirma a linhagem B. O caso descrito se encaixa perfeitamente nesse perfil, com a presença de nódulos na serosa e linfonodos mesentéricos, compatível com recidiva da doença. A expressão de P53 e o alto índice proliferativo são achados comuns em variantes agressivas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O LDGCB com rearranjo IRF4 é uma entidade distinta, mais comum em crianças e adultos jovens, com predileção por cabeça e pescoço (tonsilas, anel de Waldeyer). Apresenta positividade para IRF4/MUM1 e frequentemente BCL6, mas CD30 é tipicamente negativo. O caso descrito tem CD30 positivo e BCL6 negativo, o que não é compatível com esse subtipo. Além disso, o rearranjo IRF4 é um achado molecular específico que não foi investigado no caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O LDGCB de alto grau com aberração 11q é uma entidade recentemente reconhecida, caracterizada por ganhos/amplificações na região 11q, e frequentemente apresenta morfologia de alto grau (blastóide ou burkitt-like). A imuno-histoquímica mostra CD20+, BCL6+ (em geral), CD10+ (em alguns), e CD30−. O caso descrito tem CD30+ e BCL6−, o que não é compatível. Além disso, a aberração 11q é um achado citogenético que não foi descrito no caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O linfoma plasmablástico é um linfoma B agressivo, frequentemente associado ao HIV e ao EBV, com predileção por cavidade oral e trato gastrointestinal. As células tumorais são grandes, com morfologia plasmablástica, e tipicamente perdem a expressão de CD20 e PAX5, sendo positivas para marcadores de plasmócitos (CD138, MUM1). O caso descrito tem CD20+, PAX5+ e CD79a+, o que exclui o linfoma plasmablástico. Além disso, a positividade para CD30 não é característica dessa entidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O linfoma primário de grandes células B de locais imunoprivilegiados (SNC, testículo) é uma entidade distinta, com perfil imuno-histoquímico de célula B ativada (MUM1+, BCL6−, CD10−), mas CD30 é tipicamente negativo. O caso descrito tem CD30 positivo, o que não é compatível. Além disso, a localização abdominal (serosa, linfonodos mesentéricos) não é típica de locais imunoprivilegiados, embora possa ocorrer recidiva sistêmica.
A chave para acertar esta questão é reconhecer que a positividade para CD30 em um linfoma B difuso de grandes células, com negatividade para ALK, aponta para o subtipo anaplásico. A banca explora a confusão com o linfoma anaplásico de grandes células (LAGC), que é um linfoma T/null e ALK positivo — mas aqui a linhagem B é confirmada por CD20, PAX5 e CD79a.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com o linfoma anaplásico de grandes células (LAGC), que também expressa CD30, mas é um linfoma de linhagem T/null e, na maioria dos casos, ALK positivo. No caso, a positividade para CD20, PAX5 e CD79a confirma a linhagem B, e a negatividade para ALK exclui o LAGC. Fique atento: CD30+ em um linfoma B difuso de grandes células é a marca do subtipo anaplásico.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar os subtipos de LDGCB, monte um esquema mental com os marcadores-chave: CD10 e BCL6 indicam perfil centro germinativo (GCB); MUM1 e CD30 indicam perfil não-GCB/ativado. O subtipo anaplásico é o único que costuma ser CD30+ e ALK−. Na prova, se a questão trouxer CD30+ e ALK− em um linfoma B, pense imediatamente em subtipo anaplásico.