A leucemia mieloide crônica (LMC) representa um marco na descoberta das alterações cromossômicas e moleculares relacionadas à gênese, diagnóstico e terapêutica das leucemias.Sobre essa doença, é correto afirmar:
Aleucocitose neutrofílica no sangue periférico; detecção do cromossomo Ph e/ou BCR :: ABL1 por citogenética e/ou outras técnicas genéticas moleculares não são essenciais para o diagnóstico, tendo em vista que os achados morfológicos são patognomônicos ao mielograma e na biópsia de medula óssea.
Ba biópsia de medula óssea foi substituída pelas avaliações moleculares, sendo o grau de fibrose de pouca importância tanto no diagnóstico diferencial com outras neoplasias mieloproliferativas quanto com relação à perspectiva da resposta molecular.
Ca transcrição atípica do BCR :: ABL1, que origina o p190, indica uma resposta relativamente pobre ao imatinibe, possivelmente associada a mutações frequentes em genes modificadores epigenéticos.
Danormalidades cromossômicas adicionais são pouco observadas no decorrer da doença, tendo em vista a terapêutica bem estabelecida.
Ea hipercelularidade e a proliferação megacariocítica não fazem parte dos critérios morfológicos na biopsia de medula óssea.
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GabaritoC — a transcrição atípica do BCR :: ABL1, que origina o p190, indica uma resposta relativamente pobre ao imatinibe, possivelmente associada a mutações frequentes em genes modificadores epigenéticos.
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Leucemia Mieloide Crônica (LMC): diagnóstico e biologia molecular
Gabarito: letra C. A transcrição atípica do BCR::ABL1 que origina a proteína p190 está associada a uma resposta relativamente pobre ao imatinibe e a mutações frequentes em genes modificadores epigenéticos — afirmação que espelha a literatura sobre a doença. As demais alternativas distorcem os critérios diagnósticos e morfológicos da LMC, que dependem essencialmente da detecção do cromossomo Philadelphia e/ou do rearranjo BCR::ABL1.
A LMC é uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela proliferação excessiva de granulócitos maduros e em amadurecimento, tendo como marca genética a translocação recíproca t(9;22)(q34;q11.2), que origina o cromossomo Philadelphia (Ph) e o gene de fusão BCR::ABL1. Esse gene codifica uma tirosinoquinase constitutivamente ativa, central na patogênese da doença e alvo terapêutico dos inibidores de tirosinoquinase, como o imatinibe.
O diagnóstico da LMC não se baseia apenas na morfologia: é necessária a confirmação citogenética ou molecular do rearranjo BCR::ABL1. A detecção do cromossomo Ph por citogenética convencional ou do transcrito BCR::ABL1 por RT-PCR ou FISH é indispensável, pois os achados morfológicos, embora característicos, não são patognomônicos — outras condições, como reações leucemoides e outras neoplasias mieloproliferativas, podem mimetizar o quadro. A biópsia de medula óssea mantém papel relevante, especialmente para avaliar celularidade, fibrose e blastos, e não foi substituída pelas avaliações moleculares.
A doença evolui em três fases — crônica, acelerada e blástica — e a progressão é frequentemente acompanhada por anormalidades cromossômicas adicionais nas células Ph+, como duplo Ph, trissomia 8, isocromossomo 17q e trissomia 19. Essas alterações são marcadores de evolução e pior prognóstico, contrariando a ideia de que seriam pouco observadas. Na fase crônica, a medula óssea é densamente hipercelular, com hiperplasia granulocítica acentuada e, em 40% a 50% dos casos, hiperplasia megacariocítica moderada a intensa — achados que integram os critérios morfológicos.
A variante p190 do BCR::ABL1, resultante de um ponto de quebra alternativo no gene BCR, é menos comum que a p210 e confere características clínicas distintas, incluindo monocitose que pode simular leucemia mielomonocítica crônica. Estudos associam a p190 a resposta inferior ao imatinibe e a maior frequência de mutações em genes modificadores epigenéticos, o que fundamenta a alternativa correta.
Guarde a fronteira entre o que é essencial para o diagnóstico (detecção do Ph/BCR::ABL1) e o que é achado morfológico complementar (celularidade, fibrose, hiperplasia megacariocítica): é exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Critério
LMC (padrão)
Variante p190
Transcrito BCR::ABL1
p210 (mais comum)
p190 (atípico)
Resposta ao imatinibe
Boa (padrão)
Relativamente pobre
Associação com mutações epigenéticas
Menos frequente
Frequente
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a detecção do cromossomo Ph e/ou BCR::ABL1 não é essencial para o diagnóstico, pois os achados morfológicos seriam patognomônicos. É o inverso do que a literatura estabelece: a confirmação do rearranjo BCR::ABL1 é indispensável, e a morfologia, embora sugestiva, não é patognomônica — reações leucemoides e outras neoplasias mieloproliferativas podem apresentar quadro semelhante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a biópsia de medula óssea foi substituída pelas avaliações moleculares e que o grau de fibrose teria pouca importância. A biópsia mantém papel relevante no diagnóstico e na avaliação de celularidade, blastos e fibrose; a fibrose reticulínica, presente em cerca de 30% dos casos na fase crônica, correlaciona-se com pior prognóstico e é útil no diagnóstico diferencial com outras neoplasias mieloproliferativas, como a mielofibrose primária.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A transcrição atípica do BCR::ABL1 que origina a proteína p190 está associada a resposta relativamente pobre ao imatinibe e a mutações frequentes em genes modificadores epigenéticos. Essa é uma característica reconhecida na literatura: a p190 confere particularidades clínicas e prognósticas, incluindo pior resposta ao tratamento com imatinibe.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que anormalidades cromossômicas adicionais são pouco observadas no decorrer da doença. Na verdade, a evolução citogenética clonal — com alterações como duplo Ph, trissomia 8, isocromossomo 17q e trissomia 19 — é frequente e marca a progressão para fases mais avançadas, sendo critério para definir a fase acelerada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que hipercelularidade e proliferação megacariocítica não fazem parte dos critérios morfológicos na biópsia de medula óssea. O oposto é verdadeiro: a medula é densamente hipercelular, com hiperplasia granulocítica acentuada, e 40% a 50% dos pacientes apresentam hiperplasia megacariocítica moderada a intensa — achados que integram os critérios morfológicos da LMC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o papel da morfologia e da genética molecular: tenta fazer o candidato acreditar que o mielograma é suficiente (alternativa A) ou que a biópsia perdeu importância (alternativa B). Na LMC, a detecção do Ph/BCR::ABL1 é o padrão-ouro diagnóstico — sem ela, não se confirma a doença. Fique atento: sempre que uma alternativa minimizar a necessidade do exame molecular, ela está errada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de LMC, memorize o tripé: (1) diagnóstico exige Ph/BCR::ABL1; (2) fase crônica tem hipercelularidade + hiperplasia megacariocítica + possível fibrose; (3) anormalidades cromossômicas adicionais indicam progressão. Com esse esquema, você elimina rapidamente as alternativas que negam qualquer um desses pontos.