Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113705
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Pediatria
Escolar, sexo feminino, 9 anos de idade, com antecedente de epilepsia em uso de ácido valproico (comprimidos) diariamente, com controle total de suas crises. A criança teve seu pai recentemente diagnosticado com tuberculose pulmonar, que está em tratamento há 30 dias. Ela está assintomática e apresentou teste tuberculínico de 6 mm. Foi vacinada com BCG ao nascimento. A radiografia de tórax dessa criança não apresentou anormalidades.Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada diante desse caso.
ARealizar um novo teste tuberculínico em 8 semanas e reavaliar a necessidade de tratamento profilático.
BNão iniciar esquema terapêutico no momento e apenas monitorar a criança, já que ela está assintomática e com radiografia normal.
CIniciar esquema terapêutico com três drogas para tuberculose ativa, devido ao contato próximo e alto risco de doença instalada.
DIniciar isoniazida com rifapentina por 3 meses e realizar acompanhamento clínico regular.
ESolicitar IGRA (teste de liberação do interferon-gama) imediatamente, para definir mais claramente de que se trata: se de uma infecção latente ou doença tuberculose.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Iniciar isoniazida com rifapentina por 3 meses e realizar acompanhamento clínico regular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tuberculose na infância: infecção latente e tratamento da ILTB
Gabarito: letra D. A criança tem indicação de tratar a infecção latente pela tuberculose (ILTB), pois é contato domiciliar de caso de tuberculose pulmonar bacilífera, tem teste tuberculínico (PT) de 6 mm (≥ 5 mm em contato) e radiografia de tórax normal — o que afasta doença ativa. O esquema de 3 meses de isoniazida + rifapentina (3HP) é uma das opções recomendadas para o tratamento da ILTB em crianças, sendo a conduta mais adequada entre as alternativas.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida por via respiratória. Na infância, a infecção primária costuma ser paucibacilar e assintomática, manifestando-se como infecção latente — o indivíduo é infectado, mas não adoece, permanecendo com o bacilo em estado de dormência. O risco de progressão para doença ativa é maior em crianças pequenas e em imunocomprometidos, mas também é relevante em contatos próximos de casos bacilíferos, como é o caso da paciente.
O diagnóstico da ILTB é feito pela combinação de critérios: história de contato com caso de tuberculose, teste tuberculínico (PT) ou IGRA positivo, e radiografia de tórax normal (sem sinais de doença ativa). Na criança, a PT é o teste mais utilizado, e o ponto de corte para considerar positivo depende do contexto: em contatos domiciliares de casos de TB, considera-se positivo a partir de 5 mm. A vacinação prévia com BCG não altera a interpretação da PT em contatos, pois o que se avalia é a infecção recente, não a resposta vacinal.
O tratamento da ILTB visa prevenir a progressão para doença ativa. As opções incluem: isoniazida por 6 ou 9 meses, rifampicina por 4 meses, ou a combinação de isoniazida + rifapentina por 3 meses (esquema 3HP). Este último é uma alternativa moderna, com menor duração e boa adesão, sendo recomendado inclusive para crianças a partir de 2 anos de idade. A escolha do esquema deve considerar a idade, a disponibilidade e a tolerância.
A alternativa D é a única que propõe o tratamento da ILTB com esquema adequado e duração correta. As demais alternativas ou não tratam (B), ou tratam como doença ativa (C), ou propõem condutas desnecessárias ou inadequadas (A e E). A chave da questão está em reconhecer que a criança tem ILTB (PT ≥ 5 mm em contato + RX normal) e que o tratamento profilático é indicado, sendo o 3HP uma opção válida.
ILTB na infância: Critérios diagnósticos (Contato com caso bacilífero, PT ≥ 5 mm (em contatos), RX tórax normal); Tratamento (prevenir doença ativa) (Isoniazida (6-9 meses), Rifampicina (4 meses), 3HP: isoniazida + rifapentina (3 meses)); Condutas inadequadas (Repetir PT (já positiva), Só monitorar (risco de adoecer), Tratar como doença ativa (RX normal), IGRA imediato (não muda conduta))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Repetir a PT em 8 semanas não é a conduta adequada, pois a criança já tem indicação de tratamento da ILTB com base na PT atual de 6 mm (≥ 5 mm em contato domiciliar). A repetição da PT seria útil apenas se o primeiro teste fosse negativo (< 5 mm) e houvesse necessidade de confirmar a infecção após o período de janela imunológica. Aqui, o teste já é positivo, e a conduta é tratar, não repetir o exame.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não iniciar tratamento e apenas monitorar é conduta inadequada, pois a criança tem ILTB confirmada (PT ≥ 5 mm em contato + RX normal) e o tratamento profilático é indicado para prevenir a progressão para doença ativa. O risco de adoecimento em contatos próximos não tratados é significativo, especialmente em crianças. A monitorização isolada não é recomendada quando há indicação formal de tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Iniciar esquema com três drogas para tuberculose ativa é um erro grave. A criança tem ILTB, não doença ativa — a radiografia de tórax é normal e ela está assintomática. O tratamento da doença ativa (esquema RHZ ou RHZE) é indicado apenas quando há confirmação ou forte suspeita de TB doença, o que não é o caso. Tratar ILTB como doença ativa expõe a criança a medicamentos desnecessários e a potenciais efeitos adversos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar isoniazida com rifapentina por 3 meses (esquema 3HP) é uma conduta adequada para o tratamento da ILTB em crianças. A paciente tem indicação formal: contato domiciliar de caso de TB pulmonar, PT de 6 mm (≥ 5 mm em contato) e radiografia de tórax normal. O esquema 3HP é uma opção recomendada, com duração de 3 meses, e o acompanhamento clínico regular é parte do manejo. A alternativa espelha corretamente a conduta preconizada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar IGRA imediatamente não é necessário, pois a PT já é positiva (6 mm) e a criança tem indicação de tratamento da ILTB. O IGRA é uma alternativa à PT, mas não é superior em contatos com PT ≥ 5 mm. Além disso, a solicitação do IGRA não muda a conduta neste caso: a criança já tem critério para tratamento. O exame seria útil apenas se a PT fosse inconclusiva ou se houvesse dúvida diagnóstica, o que não ocorre.