Quanto ao hipotireoidismo primário, é correto afirmar que
Aele afeta crianças e adolescentes, de ambos os sexos, em frequência semelhante.
Bquando encontramos uma criança com anticorpo antiperoxidase positivo, devemos iniciar a reposição de levotiroxina, independentemente do nível do TSH.
Cnão está associado a outras doenças como insuficiência adrenal e hipoparatireoidismo, quando a etiologia é a tireoidite de Hashimoto.
Dpacientes com as síndromes de Turner ou de Down devem ser avaliados periodicamente pela alta prevalência do hipotireoidismo nestas populações.
Eobserva-se, nas crianças recém-diagnosticadas e sem tratamento, um avanço da idade óssea, que pode evoluir para perda da altura final.
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GabaritoD — pacientes com as síndromes de Turner ou de Down devem ser avaliados periodicamente pela alta prevalência do hipotireoidismo nestas populações.
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Hipotireoidismo primário na infância: particularidades e associações
Gabarito: letra D. Pacientes com síndromes de Turner ou de Down apresentam prevalência aumentada de hipotireoidismo, justificando avaliação periódica — é a única alternativa que reflete uma recomendação consolidada na prática clínica. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de conduta, como veremos a seguir.
O hipotireoidismo primário é a forma mais comum da doença, decorrente de disfunção da própria glândula tireoide, e sua causa mais frequente em crianças e adolescentes é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune. O diagnóstico é essencialmente laboratorial, baseado na dosagem de TSH e T4 livre, e o tratamento é feito com reposição de levotiroxina. No entanto, a abordagem na faixa etária pediátrica tem particularidades importantes, especialmente em relação às síndromes genéticas associadas, ao impacto no crescimento e à interpretação dos anticorpos antitireoidianos.
A tireoidite de Hashimoto, principal etiologia do hipotireoidismo primário adquirido, é uma doença autoimune que pode ocorrer isoladamente ou associada a outras condições autoimunes, como a doença de Addison (insuficiência adrenal) e o hipoparatireoidismo, configurando a síndrome poliglandular autoimune. Essa associação é um ponto crucial que a alternativa C nega incorretamente. Além disso, a presença de anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) positivo é um marcador da doença autoimune, mas não indica, por si só, a necessidade de tratamento — a decisão de iniciar levotiroxina depende dos níveis de TSH, como veremos na análise da alternativa B.
Em relação ao crescimento, o hipotireoidismo na infância causa retardo do crescimento e atraso da idade óssea, e não avanço, como afirma a alternativa E. O tratamento precoce é fundamental para permitir a recuperação do crescimento e evitar comprometimento da altura final. Já a alternativa A erra ao afirmar que a frequência é semelhante entre os sexos, pois o hipotireoidismo, especialmente o autoimune, é mais comum em meninas.
A associação entre hipotireoidismo e síndromes genéticas é bem estabelecida. Na síndrome de Turner, há maior prevalência de tireoidite de Hashimoto e hipotireoidismo, e na síndrome de Down, a prevalência de hipotireoidismo, tanto congênito quanto adquirido, também é aumentada. Por isso, a recomendação é de rastreamento periódico da função tireoidiana nessas populações, o que torna a alternativa D correta.
A pegadinha central desta questão está na inversão de conceitos: a banca troca o atraso da idade óssea por avanço (alternativa E), nega uma associação real (alternativa C) e sugere uma conduta baseada apenas em anticorpos, ignorando o TSH (alternativa B). O candidato que domina as particularidades do hipotireoidismo na infância, especialmente as associações sindrômicas e o impacto no crescimento, identifica facilmente a alternativa correta.
Alternativa
Afirmação
Veredito
A
Frequência semelhante entre os sexos
❌ Incorreta — predomínio no sexo feminino
B
Iniciar levotiroxina com anti-TPO positivo, independente do TSH
❌ Incorreta — decisão depende do TSH
C
Não associação com insuficiência adrenal e hipoparatireoidismo
❌ Incorreta — associação existe (síndrome poliglandular)
D
Rastreamento periódico nas síndromes de Turner e Down
✅ Correta — maior prevalência de hipotireoidismo
E
Avanço da idade óssea no hipotireoidismo
❌ Incorreta — há atraso da idade óssea
Hipotireoidismo primário na infância
1Etiologia
Tireoidite de Hashimoto (autoimune)
Síndromes genéticas (Turner, Down)
2Diagnóstico
TSH e T4 livre
Anti-TPO (marcador, não indica tratamento)
3Particularidades
Atraso da idade óssea
Predomínio no sexo feminino
Associação com síndromes poliglandulares
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmação de que o hipotireoidismo primário afeta crianças e adolescentes de ambos os sexos em frequência semelhante está incorreta. O hipotireoidismo, especialmente o de etiologia autoimune (tireoidite de Hashimoto), é mais frequente no sexo feminino, com uma proporção de 15 a 20 mulheres para cada homem. Essa diferença é observada também na faixa etária pediátrica, embora a proporção possa ser menor do que em adultos. O erro está em afirmar que a frequência é semelhante, quando na verdade há um claro predomínio no sexo feminino.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que, em uma criança com anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) positivo, deve-se iniciar levotiroxina independentemente do nível de TSH. Isso está incorreto. O anti-TPO positivo é um marcador de tireoidite autoimune, mas a decisão de tratar depende dos níveis de TSH. No hipotireoidismo subclínico (TSH elevado com T4 livre normal), o tratamento pode ser considerado, mas não é obrigatório em todos os casos, e no hipotireoidismo clínico (TSH elevado com T4 livre baixo), o tratamento é indicado. Iniciar levotiroxina independentemente do TSH é uma conduta inadequada e potencialmente prejudicial, pois pode levar a supressão do TSH e iatrogenia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o hipotireoidismo por tireoidite de Hashimoto não está associado a outras doenças como insuficiência adrenal e hipoparatireoidismo. Isso é falso. A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune que pode fazer parte das síndromes poliglandulares autoimunes, nas quais há associação com outras endocrinopatias autoimunes, como a doença de Addison (insuficiência adrenal) e o hipoparatireoidismo. Portanto, a associação existe e deve ser considerada na avaliação clínica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D está correta. Pacientes com síndrome de Turner e síndrome de Down apresentam maior prevalência de hipotireoidismo. Na síndrome de Turner, há maior incidência de tireoidite de Hashimoto e hipotireoidismo, e na síndrome de Down, a prevalência de hipotireoidismo, tanto congênito quanto adquirido, é aumentada. Por isso, a recomendação é de avaliação periódica da função tireoidiana nessas populações, com dosagem de TSH, para diagnóstico e tratamento precoces.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que, em crianças recém-diagnosticadas e sem tratamento, observa-se um avanço da idade óssea, que pode evoluir para perda da altura final. Isso está incorreto. No hipotireoidismo, há atraso da idade óssea, e não avanço, devido à diminuição da velocidade de maturação óssea. O atraso da idade óssea é uma característica clássica do hipotireoidismo na infância, e o tratamento precoce permite a recuperação do crescimento, embora possa haver algum comprometimento da altura final se o diagnóstico for tardio. O erro está em afirmar que há avanço da idade óssea.
Gabarito: letra D — a única alternativa que reflete uma recomendação correta e bem estabelecida na prática clínica, relacionada à maior prevalência de hipotireoidismo em pacientes com síndromes de Turner e Down, justificando o rastreamento periódico.