Tuberculose latente: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra B. Em adolescentes contatos de caso de tuberculose, sem sintomas e com teste tuberculínico < 5 mm, a recomendação do Ministério da Saúde é repetir o teste em 8 semanas; se não houver conversão, pode-se dar alta. As demais alternativas distorcem os critérios de indicação de tratamento da infecção latente (ILTB), que se baseiam no tamanho da prova tuberculínica (PT), no resultado do IGRA e na presença de alterações radiográficas compatíveis com TB prévia não tratada.
A infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) é um estado em que a pessoa está infectada pelo bacilo, mas não apresenta doença ativa — ou seja, não tem sintomas e não transmite a doença. O diagnóstico da ILTB é feito por meio da prova tuberculínica (PT, também chamada de PPD) ou do teste de liberação de interferon-gama (IGRA), que detectam a resposta imune celular ao bacilo. É importante destacar que nem o teste tuberculínico nem o IGRA distinguem a doença ativa da infecção latente; por isso, antes de tratar a ILTB, é obrigatório afastar a TB ativa, o que se faz com a avaliação clínica (busca de tosse, febre, sudorese noturna, perda de peso) e a radiografia de tórax.
A regra central do Ministério da Saúde, expressa no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, é: inicia-se o tratamento da ILTB em pacientes com PT ≥ 5 mm ou IGRA reagente, desde que excluída a TB ativa. Além disso, o tratamento também é indicado quando há alterações radiográficas compatíveis com TB prévia não tratada ou contato próximo com caso de TB pulmonar nos últimos dois anos, mesmo sem a necessidade de realizar o IGRA ou a PT. Essa é a lógica que rege todas as alternativas: o ponto de corte da PT (5 mm) e a presença de radiografia alterada são os gatilhos para tratar.
Na prática, o fluxo de investigação de um contato de caso de TB é o seguinte: primeiro, avalia-se se há sintomas; se houver, investiga-se TB ativa. Se não houver sintomas, realiza-se a radiografia de tórax e a PT (ou IGRA). Se a PT for ≥ 5 mm, indica-se o tratamento da ILTB. Se a PT for < 5 mm, a conduta depende do contexto: em imunocomprometidos, repete-se a PT; em contatos saudáveis, pode-se repetir a PT após 8 semanas para verificar conversão — se não houver conversão, a pessoa pode receber alta. Essa é exatamente a situação descrita na alternativa B, que é a correta.
A pegadinha central desta questão é a inversão dos critérios de tratamento: a banca apresenta situações em que o teste é positivo (PT ≥ 5 mm) e manda apenas observar, ou situações em que o teste é negativo (PT < 5 mm) e manda tratar, ou ainda atribui a positividade do teste à vacina BCG. O candidato que não domina o ponto de corte de 5 mm e a necessidade de afastar TB ativa antes de tratar a ILTB acaba errando. Guarde bem: PT ≥ 5 mm ou IGRA reagente = tratar ILTB (após excluir TB ativa); PT < 5 mm = repetir em 8 semanas ou dar alta, conforme o caso.
Situação clínica | Conduta correta (MS) | Erro da alternativa |
|---|
A – Candidato a transplante de medula, IGRA positivo, sem sintomas, RX normal | Tratar ILTB (imunocomprometido, IGRA reagente) | "Observar" – subestima risco de reativação |
B – Adolescente contato, sem sintomas, PT < 5 mm | Repetir PT em 8 semanas; sem conversão → alta | — (conduta correta) |
C – Criança < 10 anos contato, RX normal, PT < 5 mm | Repetir PT em 8 semanas (verificar conversão) | "Alta imediata" – antecipa alta sem acompanhamento |
D – Adulto contato, PT > 5 mm, RX alterada | Investigar TB ativa antes de tratar ILTB | "Iniciar tratamento" – pode tratar TB ativa como latente |
E – Criança < 10 anos contato, RX normal, PT > 5 mm | Tratar ILTB (PT ≥ 5 mm exclui TB ativa) | "Não fazer nada" – atribui à BCG, ignora ponto de corte |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Em pacientes candidatos a transplante de medula óssea, que são imunocomprometidos, a recomendação não é apenas observar. Se o IGRA for positivo (reagente), o tratamento da ILTB está indicado, desde que excluída a TB ativa. A alternativa inverte a conduta: em vez de tratar, sugere observar, o que contraria a regra de que PT ≥ 5 mm ou IGRA reagente indica tratamento. O erro está em subestimar o risco de reativação em um paciente gravemente imunocomprometido.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. Em adolescentes contatos de caso de TB, sem sintomas e com PT < 5 mm, a recomendação é repetir o teste em 8 semanas. Se não houver conversão (ou seja, a PT continuar < 5 mm), não há indicação de tratamento da ILTB e o paciente pode receber alta. Essa é a conduta padrão para contatos sem fatores de risco adicionais, conforme o Manual de Recomendações do Ministério da Saúde.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Em crianças menores de 10 anos contatos de caso de TB, com radiografia de tórax normal, deve-se realizar a PT ou o IGRA. Se a PT for < 5 mm, a conduta não é a alta imediata — deve-se repetir a PT em 8 semanas para verificar conversão, especialmente porque crianças têm maior risco de desenvolver formas graves da doença. A alternativa antecipa a alta sem o devido acompanhamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em adulto contato de caso de TB com PT > 5 mm, mas com radiografia de tórax alterada, a conduta correta é investigar TB ativa antes de tratar a ILTB. A radiografia alterada pode indicar doença ativa, e o tratamento da ILTB só deve ser iniciado após excluir TB ativa. A alternativa manda iniciar o tratamento diretamente, o que é um erro grave: pode-se tratar uma TB ativa como se fosse latente, com esquema inadequado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em criança menor de 10 anos contato de caso de TB, com radiografia normal e PT > 5 mm, há indicação de tratamento da ILTB. A positividade da PT não é atribuída apenas à vacina BCG — a vacina pode influenciar o resultado, mas o ponto de corte de 5 mm já considera esse fator. A alternativa nega a necessidade de tratamento, o que contraria a regra de que PT ≥ 5 mm indica tratar ILTB após excluir TB ativa.
Gabarito: letra B