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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu113798
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Psiquiatria/Psicogeriatria
O envelhecimento humano é um processo complexo, multifatorial e heterogêneo, caracterizado por alterações biológicas que afetam diversos sistemas e estão associadas a uma diminuição gradual da capacidade adaptativa do organismo. Em relação às características biológicas do envelhecimento que contribuem para a variabilidade interindividual, assinale a alternativa que descreve corretamente as alterações esperadas nesse processo.
  1. AAmpliação seletiva da neuroplasticidade em regiões cerebrais associadas ao processamento emocional e cognitivo.
  2. BReorganização imunológica que resulta em aumento da eficácia na resposta a infecções e menor prevalência de doenças autoimunes.
  3. CAumento da taxa metabólica basal como mecanismo compensatório para o declínio da função mitocondrial.
  4. DDeclínio progressivo das funções renal, cardiovascular e cognitiva, associado ao acúmulo de danos moleculares e celulares.
  5. EDesenvolvimento de mecanismos de resistência ao estresse oxidativo que previnem o surgimento de doenças relacionadas ao envelhecimento.
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GabaritoD — Declínio progressivo das funções renal, cardiovascular e cognitiva, associado ao acúmulo de danos moleculares e celulares.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Envelhecimento: alterações biológicas e variabilidade interindividual

Gabarito: letra D. O envelhecimento é um processo de declínio progressivo e inexorável da reserva funcional do organismo, com acúmulo de danos moleculares e celulares que afetam múltiplos sistemas — renal, cardiovascular e cognitivo —, exatamente como descreve a alternativa D. As demais alternativas invertem a direção das alterações (neuroplasticidade, imunidade, metabolismo e estresse oxidativo), apresentando como ganho ou compensação o que, na realidade, é perda ou declínio.

O envelhecimento humano é um processo complexo, multifatorial e heterogêneo. A heterogeneidade — a variabilidade interindividual — é um dos pontos centrais do estudo da geriatria: não há um padrão único de envelhecimento, pois fatores genéticos, ambientais, sociais e de estilo de vida modulam a velocidade e a intensidade das alterações. O que é universal, porém, é a direção do processo: uma diminuição progressiva e inexorável da reserva funcional do corpo humano, conforme descrito na literatura geriátrica. Essa perda de reserva é o que torna o idoso mais vulnerável a agravos e explica por que doenças podem se apresentar de forma atípica ou inespecífica nessa população.

As alterações fisiológicas do envelhecimento atingem todos os sistemas. No sistema cardiovascular, há diminuição da complacência ventricular, enrijecimento das paredes arteriais e redução da resposta cronotrópica e inotrópica ao estímulo simpático. No sistema renal, ocorre diminuição da taxa de filtração glomerular e da função tubular, com perda da capacidade de concentração e diluição da urina. No sistema nervoso, há perda neuronal, especialmente em áreas pré-frontais e do hipocampo, diminuição das sinapses dendríticas e da plasticidade sináptica, além de declínio da memória episódica e aumento do tempo de reação. No sistema imunológico, há diminuição da capacidade proliferativa e da função de linfócitos e neutrófilos. Essas alterações, somadas ao acúmulo de danos moleculares e celulares ao longo da vida — como a deposição de emaranhados neurofibrilares e placas senis no cérebro —, configuram o declínio progressivo descrito na alternativa correta.

A banca explora, nas alternativas incorretas, a inversão do sentido das alterações: apresenta como ampliação, aumento ou desenvolvimento de mecanismos de proteção o que, na realidade, é declínio, reorganização com perda de eficácia ou acúmulo de danos. A alternativa A fala em "ampliação seletiva da neuroplasticidade", quando o que ocorre é justamente o oposto — diminuição da plasticidade sináptica. A alternativa B fala em "aumento da eficácia na resposta a infecções", quando há imunossenescência, com pior resposta imunológica. A alternativa C fala em "aumento da taxa metabólica basal", quando há tendência à diminuição. A alternativa E fala em "mecanismos de resistência ao estresse oxidativo que previnem" doenças, quando o que se observa é maior suscetibilidade ao dano oxidativo. A única que descreve corretamente a direção do processo é a D.

Guarde o critério decisivo: no envelhecimento, a regra é o declínio e a perda de reserva funcional, não o ganho ou a ampliação de capacidades. É exatamente essa inversão de direção que separa a alternativa correta das incorretas.

Envelhecimento
  • 1Direção do processo
    • Declínio progressivo da reserva funcional
    • Acúmulo de danos moleculares e celulares
  • 2Sistemas afetados
    • Cardiovascular
      • Complacência ventricular ↓
      • Rigidez arterial ↑
    • Renal
      • Taxa de filtração glomerular ↓
    • Cognitivo
      • Perda neuronal
      • Plasticidade sináptica ↓
    • Imunológico
      • Função de linfócitos ↓
    • Metabólico
      • Taxa metabólica basal ↓
  • 3Pegadinha da banca
    • Inverte a direção (ganho × perda)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há "ampliação seletiva da neuroplasticidade" em regiões cerebrais associadas ao processamento emocional e cognitivo. O erro está na inversão do sentido: o envelhecimento cursa com diminuição da plasticidade sináptica e perda neuronal, especialmente em áreas pré-frontais e do hipocampo, com consequente declínio da memória episódica e aumento do tempo de reação. Não há ampliação seletiva da neuroplasticidade como característica do envelhecimento; há, ao contrário, redução da capacidade adaptativa do sistema nervoso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que há "reorganização imunológica que resulta em aumento da eficácia na resposta a infecções e menor prevalência de doenças autoimunes". O erro é duplo: o envelhecimento cursa com imunossenescência, ou seja, diminuição da capacidade proliferativa e da função de linfócitos e neutrófilos, o que resulta em pior resposta a infecções e maior risco de infecções respiratórias, não em aumento de eficácia. Além disso, a prevalência de doenças autoimunes não diminui como regra do envelhecimento; o que se observa é um desequilíbrio imunológico complexo, com aumento de suscetibilidade a infecções e, em alguns casos, maior risco de autoimunidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que há "aumento da taxa metabólica basal como mecanismo compensatório para o declínio da função mitocondrial". O erro está na inversão: o envelhecimento cursa com diminuição da taxa metabólica basal, não aumento. O declínio da função mitocondrial é real e contribui para o acúmulo de danos celulares, mas não é compensado por um aumento do metabolismo basal — pelo contrário, há tendência à redução do gasto energético de repouso, o que, aliado à diminuição da massa muscular e ao aumento do tecido adiposo, contribui para o ganho de peso típico do envelhecimento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o envelhecimento como "declínio progressivo das funções renal, cardiovascular e cognitiva, associado ao acúmulo de danos moleculares e celulares". Essa é a direção correta do processo: há diminuição da taxa de filtração glomerular e da função tubular (renal), diminuição da complacência ventricular e enrijecimento arterial (cardiovascular), perda neuronal e declínio da memória episódica (cognitiva), tudo isso associado ao acúmulo de danos moleculares e celulares ao longo da vida, como a deposição de emaranhados neurofibrilares e placas senis no cérebro. A alternativa espelha a definição de envelhecimento como perda progressiva e inexorável da reserva funcional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que há "desenvolvimento de mecanismos de resistência ao estresse oxidativo que previnem o surgimento de doenças relacionadas ao envelhecimento". O erro está na inversão: o envelhecimento cursa com aumento do estresse oxidativo e diminuição da capacidade de reparo celular, o que contribui para o acúmulo de danos e para o surgimento de doenças relacionadas à idade. Não há desenvolvimento de mecanismos de resistência que previnam essas doenças; há, ao contrário, maior suscetibilidade ao dano oxidativo e menor capacidade de resposta a ele.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a direção das alterações do envelhecimento: apresenta como ganho, ampliação ou desenvolvimento de proteção o que, na realidade, é declínio, perda ou acúmulo de danos. Nas alternativas A, B, C e E, o verbo ou o substantivo indica uma melhora ou compensação (ampliação, aumento, desenvolvimento de resistência), quando a regra do envelhecimento é justamente o oposto — diminuição da plasticidade, pior resposta imunológica, queda do metabolismo basal e maior suscetibilidade ao estresse oxidativo. A única que mantém a direção correta é a D, que fala em declínio progressivo e acúmulo de danos. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre alterações fisiológicas do envelhecimento, pergunte-se sempre: "isso representa ganho ou perda de função?" Se a alternativa descreve uma melhora, ampliação ou compensação, desconfie — o envelhecimento é, por definição, um processo de declínio da reserva funcional. Memorize os principais declínios por sistema: cardiovascular (complacência ventricular ↓, rigidez arterial ↑), renal (TFG ↓), neurológico (neurônios ↓, plasticidade ↓, memória episódica ↓), imunológico (função de linfócitos ↓), metabólico (taxa metabólica basal ↓).

Gabarito: letra D

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