A doença de Alzheimer é um tipo comum de demência, mas várias outras patologias podem mimetizar seus sintomas, tornando o processo diagnóstico mais desafiador. Assinale a alternativa que apresenta um diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer que deve ser considerado durante a avaliação.
ADemência vascular.
BDistúrbios do sono primários.
CEsquizofrenia.
DSíndrome das pernas inquietas
ETranstorno do déficit de atenção e hiperatividade.
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GabaritoA — Demência vascular.
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Diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer
Gabarito: letra A. A demência vascular é um dos principais diagnósticos diferenciais da doença de Alzheimer, pois ambas cursam com declínio cognitivo, mas têm etiologias e apresentações clínicas distintas — a vascular está associada a história de AVC, déficits focais e alteração de marcha, enquanto a Alzheimer tem início insidioso e comprometimento precoce da memória. As demais alternativas (distúrbios do sono, esquizofrenia, síndrome das pernas inquietas e TDAH) não são, por si só, diagnósticos diferenciais clássicos de demência na avaliação inicial de um quadro demencial.
O diagnóstico diferencial da doença de Alzheimer é um passo essencial na avaliação de um paciente com queixa cognitiva, pois diversas condições podem mimetizar seus sintomas. A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência, respondendo por até 25% dos casos, e compartilha com a Alzheimer o quadro de declínio cognitivo progressivo. No entanto, há diferenças clínicas importantes que ajudam a distingui-las: na demência vascular, o início pode ser súbito ou gradual, frequentemente há história de AVC, déficits neurológicos focais (como hemiparesia e sinal de Babinski), alteração de marcha e predomínio de disfunção executiva, enquanto na Alzheimer o comprometimento inicial e mais proeminente é da memória, com início insidioso e ausência de sinais focais.
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre as duas condições, que são o cerne da distinção diagnóstica:
Critério
Doença de Alzheimer
Demência vascular
Início
Insidioso
Insidioso ou súbito
História de AVC
Não há
Presente em 1/3 dos casos
Déficit neurológico focal
Não há
Frequente
Principal alteração cognitiva
Memória
Função executiva
Alteração de marcha
Ausente
Quase sempre presente
Hipertensão e/ou diabetes
Pode haver
Quase sempre presente
Além da demência vascular, outros diagnósticos diferenciais importantes da doença de Alzheimer incluem a demência com corpúsculos de Lewy, a demência frontotemporal, a demência mista (Alzheimer + vascular), o hipotireoidismo, as hipovitaminoses e a neurossífilis. Essas condições podem apresentar quadros cognitivos semelhantes, mas têm características clínicas, exames complementares e tratamentos específicos que as diferenciam.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora condições psiquiátricas como esquizofrenia e TDAH possam cursar com prejuízo cognitivo, elas não são consideradas diagnósticos diferenciais primários de demência na avaliação inicial de um idoso com declínio cognitivo. O mesmo vale para distúrbios do sono e síndrome das pernas inquietas, que podem afetar a cognição de forma secundária, mas não são entidades que mimetizam o quadro demencial típico da Alzheimer. O diagnóstico diferencial clássico é feito com outras demências e causas reversíveis de declínio cognitivo.
Guarde a fronteira entre demência vascular e Alzheimer: é exatamente nela que as alternativas se dividem — a única opção que representa uma condição que mimetiza a demência de Alzheimer na avaliação é a demência vascular.
Diagnóstico diferencial de Alzheimer: Demências (Demência vascular, Demência com corpúsculos de Lewy, Demência frontotemporal, Demência mista); Causas reversíveis (Hipotireoidismo, Hipovitaminoses, Neurossífilis); Condições que não mimetizam (Distúrbios do sono, Esquizofrenia, Síndrome das pernas inquietas, TDAH)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A demência vascular é um diagnóstico diferencial clássico da doença de Alzheimer. Ambas são demências, mas com etiologias distintas: a vascular decorre de doença cerebrovascular (AVC, doença de pequenos vasos), enquanto a Alzheimer é uma doença neurodegenerativa. Na prática clínica, a distinção é feita por história de AVC, déficits focais, alteração de marcha e predomínio de disfunção executiva na vascular, em contraste com o comprometimento amnéstico insidioso da Alzheimer. A neuroimagem (TC ou RM de crânio) é fundamental para excluir doença vascular cerebral significativa antes de firmar o diagnóstico de Alzheimer.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Distúrbios do sono primários, como insônia e apneia obstrutiva do sono, podem causar queixas cognitivas subjetivas e prejuízo de atenção, mas não são considerados diagnósticos diferenciais primários de demência. Eles não cursam com o declínio cognitivo progressivo e incapacitante que caracteriza a doença de Alzheimer, e o tratamento do distúrbio do sono geralmente melhora a cognição, o que não ocorre nas demências neurodegenerativas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que pode cursar com prejuízo cognitivo, mas não é um diagnóstico diferencial clássico de demência na avaliação de um idoso com declínio cognitivo. O início da esquizofrenia é tipicamente na adolescência ou início da vida adulta, e o quadro é dominado por sintomas psicóticos (delírios, alucinações), não por perda progressiva de memória e outras funções cognitivas. Em idosos com primeiro surto psicótico, deve-se investigar doença cerebral orgânica, mas isso não torna a esquizofrenia um diferencial de Alzheimer.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome das pernas inquietas é um distúrbio do movimento relacionado ao sono, caracterizado por desconforto e necessidade de mover as pernas, geralmente à noite. Não causa declínio cognitivo progressivo e não é um diagnóstico diferencial de demência. Embora possa coexistir com outras condições, não mimetiza o quadro de Alzheimer.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta na infância, com prejuízo de atenção, hiperatividade e impulsividade. Embora possa persistir na vida adulta e causar queixas de memória e concentração, não é um diagnóstico diferencial de demência em idosos. O padrão de declínio cognitivo progressivo e incapacitante da Alzheimer não se confunde com o perfil de funcionamento do TDAH.