Uma senhora de 75 anos é levada pela filha ao consultório devido à piora na memória nos últimos dois anos. Relata esquecer eventos recentes, dificuldades em gerenciar finanças e episódios de confusão ao sair de casa. Na avaliação, apresenta dificuldade em evocar palavras, orientação temporal comprometida e apatia. O diagnóstico provável para este quadro é a demência de Alzheimer. O exame inicial recomendado para reforçar essa suspeita diagnóstica é
Atomografia computadorizada do corpo total.
Bmini-exame do Estado Mental (MEEM).
Chemograma completo.
Dvideoeletroencefalograma.
Eavaliação cardiológica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — mini-exame do Estado Mental (MEEM).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Demência de Alzheimer: avaliação inicial e rastreio cognitivo
Gabarito: letra B. O exame inicial recomendado para reforçar a suspeita diagnóstica de demência de Alzheimer é o mini-exame do Estado Mental (MEEM), um teste de rastreio cognitivo amplamente utilizado, que avalia orientação, memória, atenção, linguagem e habilidades visuoespaciais. A suspeita clínica de demência, baseada na história de declínio cognitivo progressivo e prejuízo funcional, deve ser confirmada por uma avaliação cognitiva formal, sendo o MEEM o instrumento mais consagrado para esse fim.
A demência é uma síndrome caracterizada por declínio cognitivo adquirido, progressivo e que interfere na capacidade funcional do paciente. No caso descrito, a paciente apresenta perda de memória recente, dificuldade em gerenciar finanças, confusão ao sair de casa, dificuldade de evocar palavras, desorientação temporal e apatia — um quadro clássico de demência de Alzheimer, a causa mais comum de demência (cerca de 70% dos casos). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em critérios como os do NIA-AA (National Institute on Aging and Alzheimer's Association), que exigem: início insidioso, história clara de declínio cognitivo referida por informante, e prejuízo em um domínio cognitivo (amnésico, linguagem, visuoespacial ou executivo).
O passo inicial na investigação de um paciente com queixa de memória é a avaliação cognitiva com teste de rastreamento. O MEEM é o teste mais utilizado no Brasil e no mundo para esse fim, com sensibilidade de 87% e especificidade de 82% para demência. Ele avalia orientação (tempo e espaço), registro, atenção e cálculo, evocação, linguagem e praxia construtiva. É um teste de aplicação simples, breve e validado em diversos idiomas, embora sofra influência de idade, sexo, cultura e nível educacional. O MEEM não é um teste diagnóstico isolado, mas sim um instrumento de rastreio que, quando alterado, indica a necessidade de aprofundamento da investigação.
É importante destacar que o MEEM tem limitações, como a baixa sensibilidade para casos leves e a alta taxa de falso-positivos em idosos acima de 75 anos. Por isso, outros testes como o MoCA (Montreal Cognitive Assessment) e o Teste do Desenho do Relógio (TDR) podem ser utilizados como complemento. No entanto, para a questão, o MEEM é o exame inicial mais recomendado e o que melhor se encaixa no contexto de rastreio cognitivo na atenção primária.
A pegadinha da questão está em confundir o exame de rastreio cognitivo (MEEM) com exames complementares de investigação etiológica, como a neuroimagem (TC ou RM de crânio) ou exames laboratoriais (hemograma, função tireoidiana, vitamina B12). A neuroimagem é recomendada para excluir outras causas de demência, como doença vascular, tumores ou hidrocefalia, mas não é o exame inicial para "reforçar a suspeita diagnóstica" de Alzheimer — ela é um passo posterior na investigação. O hemograma e outros exames laboratoriais são úteis para afastar causas reversíveis de demência, mas não são específicos para o diagnóstico de Alzheimer. O videoeletroencefalograma (VEEG) é indicado para investigação de epilepsia ou distúrbios paroxísticos, não para demência. A avaliação cardiológica não tem papel no diagnóstico de demência de Alzheimer.
Guarde a sequência lógica da investigação: suspeita clínica → rastreio cognitivo (MEEM) → investigação etiológica (neuroimagem, laboratório) → diagnóstico sindrômico e etiológico. É exatamente essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.
A tomografia computadorizada do corpo total não é um exame indicado para investigação de demência. A neuroimagem recomendada é a tomografia ou ressonância magnética de crânio, para excluir outras causas de demência, como doença cerebrovascular, tumores ou hidrocefalia. A TC de corpo total não avalia o encéfalo e não tem papel no diagnóstico de Alzheimer. A banca troca "crânio" por "corpo total", uma pegadinha clássica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O mini-exame do Estado Mental (MEEM) é o teste de rastreio cognitivo mais utilizado e recomendado como exame inicial para reforçar a suspeita de demência. Ele avalia orientação, memória, atenção, linguagem e habilidades visuoespaciais, com sensibilidade de 87% e especificidade de 82% para demência. É um instrumento de aplicação simples, breve e validado, sendo o primeiro passo na investigação de queixas de memória. A alternativa está correta porque o MEEM é exatamente o exame inicial que deve ser realizado para confirmar a suspeita clínica de demência de Alzheimer.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hemograma completo é um exame laboratorial que pode ser útil na investigação de causas reversíveis de demência, como anemia, infecções ou doenças hematológicas. No entanto, não é um exame específico para demência de Alzheimer e não é o exame inicial recomendado para reforçar essa suspeita. A banca oferece o hemograma como um distrator, pois ele faz parte da investigação etiológica, mas não é o exame de rastreio cognitivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O videoeletroencefalograma (VEEG) é um exame que registra a atividade elétrica cerebral por um período prolongado, sendo indicado para investigação de epilepsia, distúrbios paroxísticos ou estados confusionais agudos. Não é um exame de rastreio cognitivo e não tem indicação no diagnóstico de demência de Alzheimer. A banca oferece o VEEG como um distrator, pois é um exame neurológico, mas não é o exame inicial para demência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A avaliação cardiológica não tem papel no diagnóstico de demência de Alzheimer. Embora fatores de risco cardiovascular estejam associados à demência vascular, a avaliação cardiológica não é um exame de rastreio cognitivo e não é indicada como exame inicial para reforçar a suspeita de Alzheimer. A banca oferece a avaliação cardiológica como um distrator, pois é um exame que pode ser solicitado em idosos, mas não é o exame inicial para demência.
NÃO CAIA NESSA!
Na prova, quando a questão perguntar sobre o exame inicial para reforçar a suspeita de demência, lembre-se da sequência: rastreio cognitivo (MEEM) → neuroimagem (TC/RM de crânio) → laboratório (hemograma, TSH, B12) → diagnóstico. O MEEM é o primeiro passo, e os demais exames são complementares para excluir outras causas. Não confunda o rastreio com a investigação etiológica!