Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
vu113843
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Reumatologia
Em relação à artropatia associada à doença falciforme, é correto afirmar que
Anas crises dolorosas, a hemossedimentação não altera significativamente por causa do formato das hemácias.
Bo agente infeccioso mais frequente associado à osteomielite é o Estreptococus pneumoniae.
Ca síndrome mão-pé tem como fisiopatogenia o fenômeno de Raynaud.
Das crises dolorosas são melhor explicadas pela intensa vasodilatação da microvasculatura.
Ea osteonecrose é facilmente identificada por ultrassonografia já nos estágios iniciais.
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GabaritoA — nas crises dolorosas, a hemossedimentação não altera significativamente por causa do formato das hemácias.
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Artropatia na doença falciforme
Gabarito: letra A. Nas crises dolorosas da doença falciforme, a hemossedimentação (VHS) não se eleva de forma significativa porque as hemácias falcizadas, em formato de foice, não conseguem empilhar-se adequadamente para formar as colunas de rouleaux que aceleram a sedimentação — o mesmo mecanismo que explica a VHS baixa mesmo em processos inflamatórios intensos nesses pacientes.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária em que a hemoglobina S (HbS) polimeriza em condições de desoxigenação, deformando a hemácia em formato de foice. Essa deformação tem duas consequências maiores: (1) obstrução da microvasculatura, causando as crises de dor por isquemia, e (2) hemólise crônica. A artropatia associada à doença falciforme engloba várias manifestações osteoarticulares, entre elas as crises dolorosas vaso-oclusivas, a síndrome mão-pé (dactilite), a osteomielite, a osteonecrose e a artropatia degenerativa secundária.
A VHS mede a velocidade com que as hemácias sedimentam em uma coluna de sangue, e esse processo depende da formação de rouleaux (empilhamento de hemácias), que é facilitada por proteínas de fase aguda como fibrinogênio e globulinas. Nas hemácias falciformes, o formato anômalo impede a formação adequada desses rouleaux, resultando em uma VHS que permanece baixa ou pouco elevada mesmo durante crises inflamatórias. Esse é um ponto clássico de confusão: o aluno espera que uma crise dolorosa intensa eleve a VHS, mas a morfologia eritrocitária impede essa elevação.
A osteomielite na doença falciforme é uma complicação grave e frequente, mas o agente mais comum não é o Streptococcus pneumoniae — embora os pacientes falciformes sejam suscetíveis a infecções por bactérias encapsuladas, o agente mais frequente na osteomielite é o Staphylococcus aureus. A síndrome mão-pé, típica de crianças pequenas com doença falciforme, é causada por vaso-oclusão dos pequenos vasos das mãos e pés, e não por fenômeno de Raynaud. As crises dolorosas são explicadas por vaso-oclusão (obstrução), não por vasodilatação. E a osteonecrose é melhor avaliada por ressonância magnética, não por ultrassonografia.
A pegadinha central desta questão é a inversão de mecanismos: a banca troca vaso-oclusão por vasodilatação, e atribui à síndrome mão-pé um fenômeno (Raynaud) que não é o seu mecanismo. A alternativa correta, por sua vez, explora um detalhe laboratorial contraintuitivo — a VHS baixa apesar da inflamação — que exige conhecimento da fisiopatologia da hemácia falciforme.
Artropatia na doença falciforme: VHS nas crises (Não se eleva, Hemácias em foice não formam rouleaux); Osteomielite (Agente: Staphylococcus aureus, Não é Streptococcus pneumoniae); Síndrome mão-pé (Vaso-oclusão de mãos e pés, Não é fenômeno de Raynaud); Crises dolorosas (Vaso-oclusão da microvasculatura, Não é vasodilatação); Osteonecrose (Diagnóstico: ressonância magnética, Não é ultrassonografia)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. Nas crises dolorosas da doença falciforme, a hemossedimentação não se altera significativamente porque as hemácias em foice não formam rouleaux adequados. A VHS depende da agregação eritrocitária, e o formato anômalo das hemácias falcizadas impede essa agregação, mantendo a VHS baixa mesmo em vigência de inflamação. Esse é um achado laboratorial característico e contraintuitivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O agente infeccioso mais frequente na osteomielite, tanto na população geral quanto na doença falciforme, é o Staphylococcus aureus. O Streptococcus pneumoniae é uma bactéria encapsulada que causa infecções graves em pacientes falciformes (como pneumonia e meningite), mas não é o principal agente da osteomielite. A banca troca o agente mais comum por um que é relevante no contexto da doença, mas não na osteomielite.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome mão-pé (dactilite) é causada por vaso-oclusão dos pequenos vasos das mãos e dos pés, levando a dor, edema e eritema. O fenômeno de Raynaud é um vasoespasmo episódico das extremidades, desencadeado por frio ou estresse emocional, com palidez, cianose e hiperemia — mecanismo completamente diferente. A banca atribui à síndrome mão-pé uma fisiopatologia que não é a dela.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As crises dolorosas da doença falciforme são causadas por vaso-oclusão, ou seja, obstrução da microvasculatura pelas hemácias falcizadas, levando a isquemia e dor. A alternativa inverte o mecanismo ao afirmar que há vasodilatação intensa. A vasodilatação não explica a dor isquêmica; é a obstrução que causa o quadro.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A osteonecrose (necrose avascular) é melhor identificada por ressonância magnética, que detecta alterações precoces da medula óssea. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para osteonecrose, especialmente nos estágios iniciais, e não é o método de escolha. A banca troca o método de imagem adequado por um inadequado.