Sobre o tratamento cirúrgico das estenoses uretrais, é correto afirmar:
Aestenoses de uretra peniana devem ser tratadas com uretrotomia a laser, pois apresenta menos complicações que a uretrotomia a frio.
Bestenoses de uretra bulbar de até 3 cm podem ser inicialmente tratadas com uretrotomia sob visão a laser em uma primeira tentativa.
Caté 4 uretrotomias sob visão em estenoses de uretra bulbar são indicadas antes da uretroplastia.
Destenoses de uretra bulbar assintomática com calibre maior de 16 Fr devem ser tratadas com dilatação uretral.
Equando indicada a uretrotomia sob visão, os usos a frio (faca) ou quente (laser) apresentam resultados similares.
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GabaritoE — quando indicada a uretrotomia sob visão, os usos a frio (faca) ou quente (laser) apresentam resultados similares.
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Estenose uretral: uretrotomia sob visão e uretroplastia
Gabarito: letra E. Quando indicada a uretrotomia sob visão, os resultados com faca fria e laser são semelhantes — não há superioridade comprovada de uma modalidade sobre a outra. As demais alternativas erram ao atribuir vantagens ao laser, indicar uretrotomia para estenoses longas ou tratar estenose assintomática de grosso calibre com dilatação.
A estenose uretral é uma condição relativamente comum em homens, com etiologia mais frequentemente iatrogênica (instrumentação uretral, ressecção endoscópica da próstata), idiopática ou traumática (fratura de pelve). A uretra masculina divide-se em anterior (fossa navicular, pendular e bulbar) e posterior (membranosa, prostática e colo vesical). O diagnóstico é feito por uretrocistografia retrógrada e miccional, uretrocistoscopia ou ultrassonografia da uretra. Todos os pacientes devem ser encaminhados ao urologista, pois todos os tratamentos são invasivos: dilatação uretral, uretrotomia sob visão e uretroplastia.
A uretrotomia sob visão (DVIU — direct vision internal urethrotomy) é o tratamento endoscópico da estenose uretral. Consiste em incisar a estenose com uma faca fria ou com laser (geralmente holmium). Historicamente, acreditava-se que o laser poderia ser superior por causar menos sangramento e permitir incisões mais precisas. No entanto, estudos comparativos não demonstraram diferença significativa nas taxas de sucesso ou complicações entre as duas técnicas. A escolha entre faca fria e laser baseia-se na preferência do cirurgião e na disponibilidade do equipamento, não em evidência de superioridade.
A indicação clássica da uretrotomia sob visão é para estenoses curtas (< 1,5–2 cm) da uretra bulbar, não obstrutivas ou com falha prévia de dilatação. Para estenoses penianas ou longas, a uretroplastia é o tratamento de escolha, pois a uretrotomia tem baixa taxa de sucesso e alto risco de recorrência. A dilatação uretral é reservada para estenoses muito curtas ou como medida paliativa em pacientes que não podem ser submetidos a cirurgia. Estenoses assintomáticas com calibre > 16 Fr geralmente não necessitam de tratamento imediato, apenas observação.
A pegadinha desta questão está em atribuir ao laser uma vantagem que não existe. A banca explora a crença comum de que o laser é superior, mas a literatura mostra equivalência. Além disso, as alternativas erram ao indicar uretrotomia para estenoses penianas ou longas, e ao tratar estenose assintomática de grosso calibre com dilatação.
Guarde o critério decisivo: a uretrotomia sob visão é indicada para estenoses curtas da uretra bulbar, e o tipo de energia (frio ou laser) não altera o resultado. É exatamente nesses dois pontos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que estenoses de uretra peniana devem ser tratadas com uretrotomia a laser por apresentar menos complicações que a frio. Dois erros: (1) estenoses penianas são melhor tratadas com uretroplastia, pois a uretrotomia tem baixa taxa de sucesso nessa localização; (2) não há evidência de que o laser tenha menos complicações que a faca fria — os resultados são similares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica uretrotomia sob visão a laser para estenoses de uretra bulbar de até 3 cm. O limite clássico para uretrotomia é de até 1,5–2 cm; estenoses maiores que 2 cm têm alta taxa de recorrência e devem ser tratadas com uretroplastia. Além disso, a modalidade (laser) não é superior à faca fria.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que até 4 uretrotomias sob visão são indicadas antes da uretroplastia. A recomendação atual é que, após uma ou duas tentativas de uretrotomia sem sucesso, a uretroplastia deve ser considerada. Repetir múltiplas uretrotomias aumenta o risco de complicações e reduz as chances de sucesso da uretroplastia posterior.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe dilatação uretral para estenose bulbar assintomática com calibre > 16 Fr. Estenoses assintomáticas com calibre adequado (> 16 Fr) geralmente não necessitam de tratamento imediato — a conduta é observação. A dilatação é reservada para estenoses sintomáticas ou de menor calibre.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que, quando indicada a uretrotomia sob visão, os usos a frio (faca) ou quente (laser) apresentam resultados similares. Esta é a afirmação correta: estudos comparativos não demonstram diferença significativa nas taxas de sucesso ou complicações entre as duas técnicas. A escolha baseia-se na preferência do cirurgião e disponibilidade do equipamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a crença de que o laser é superior à faca fria. Na prática, não há diferença comprovada — a alternativa E é a única que reflete a evidência. Fique atento: estenoses penianas e longas (> 2 cm) são indicação de uretroplastia, não de uretrotomia.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de estenose uretral, lembre-se do algoritmo: estenose curta (< 2 cm) bulbar → uretrotomia sob visão (frio ou laser, tanto faz); estenose longa, peniana ou recorrente → uretroplastia. Estenose assintomática com calibre > 16 Fr → observação.