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Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
vu113947
Banca
VUNESP
Órgão
Butantan - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Os animais venenosos e peçonhentos utilizam as toxinas fabricadas por eles para se defender ou para caçar. No entanto, devido ao grande desenvolvimento demográfico, alguns deles têm provocado graves acidentes, o que tem alertado o sistema de saúde do país. As peçonhas podem ter diferentes formas de ação, como a neurotóxica, a proteolítica, a hemolítica, a coagulante ou a alergênica. (que provoca alergia). Considere os seguintes sintomas causados por peçonha de um animal: 1-paralisia muscular, visão turva, insalivação abundante e dificuldades de respiração e deglutição; 2 - forte ação local com necrose do tecido e hemorragias internas.Animais que causam essas ações são, respectivamente, animais dos gêneros
  1. ALoxosceles e Lasiodora.
  2. BLonomia e Tityus.
  3. CLatrodectus e Scolopendra.
  4. DLachesis e Lycosa.
  5. EMicrurus e Bothrops.
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GabaritoE — Micrurus e Bothrops.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acidentes por animais peçonhentos: identificação do gênero pelo quadro clínico

Gabarito: letra E. Os sintomas descritos — paralisia muscular, visão turva, salivação abundante e dificuldade respiratória — são típicos do envenenamento elapídico, causado pelas corais-verdadeiras do gênero Micrurus; já a forte ação local com necrose e hemorragias é característica do envenenamento botrópico, causado pelas jararacas do gênero Bothrops. A questão exige correlacionar o quadro clínico ao gênero da serpente, conforme a classificação dos acidentes ofídicos.

O ofidismo é o envenenamento decorrente da inoculação de peçonha por serpentes através de seu aparelho inoculador (presas). No Brasil, os acidentes de importância médica são divididos em quatro tipos principais, cada um associado a um gênero de serpente e com um quadro clínico característico. Essa divisão é fundamental para o diagnóstico e a escolha do soro antiveneno adequado.

Os quatro tipos de acidentes ofídicos são:

  • Botrópico (gêneros Bothrops e Bothrocophias): jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca. É o mais frequente, responsável por cerca de 86,5% dos acidentes. O veneno tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, causando dor, edema, equimose, bolhas e, nos casos graves, necrose e hemorragias sistêmicas (gengivorragia, epistaxe, hematúria).

  • Crotálico (gênero Crotalus): cascavel. O veneno tem ação neurotóxica, miotóxica e coagulante. O quadro local é discreto (edema e dor leves), mas pode haver manifestações sistêmicas como turvação visual, ptose palpebral, mialgia e colúria (rabdomiólise).

  • Laquético (gênero Lachesis): surucucu-pico-de-jaca. O veneno tem ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica. O quadro local é semelhante ao botrópico (edema, dor, bolhas), mas com manifestações sistêmicas adicionais como náuseas, vômitos, sudorese, diarreia e hipotensão.

  • Elapídico (gêneros Micrurus e Leptomicrurus): coral-verdadeira. O veneno tem ação neurotóxica, com pouca ou nenhuma manifestação local (apenas parestesia). O quadro sistêmico é dominado por paralisia muscular, visão turva, diplopia, ptose palpebral, salivação abundante e insuficiência respiratória.

A questão descreve dois quadros clínicos distintos. O primeiro, com paralisia muscular, visão turva, salivação e dificuldade respiratória, é o clássico do acidente elapídico, causado pelo gênero Micrurus. O segundo, com forte ação local, necrose e hemorragias, é o clássico do acidente botrópico, causado pelo gênero Bothrops. A alternativa correta deve, portanto, associar Micrurus ao primeiro quadro e Bothrops ao segundo.

A pegadinha da questão está em confundir os quadros clínicos entre os gêneros de serpentes, especialmente entre o acidente crotálico (que também tem componente neurotóxico) e o elapídico, ou entre o botrópico e o laquético (que têm ação local semelhante). A distinção crucial é que o acidente elapídico tem ausência de manifestações locais significativas, enquanto o botrópico tem ação local intensa com necrose.

Acidentes ofídicos
  • 1Botrópico (Bothrops)
    • Ação proteolítica, coagulante e hemorrágica
    • Dor, edema, necrose, hemorragias
  • 2Crotálico (Crotalus)
    • Ação neurotóxica, miotóxica e coagulante
    • Turvação visual, ptose, mialgia, colúria
  • 3Laquético (Lachesis)
    • Ação proteolítica, coagulante e neurotóxica
    • Necrose + sintomas autonômicos
  • 4Elapídico (Micrurus)
    • Ação neurotóxica
    • Paralisia, visão turva, salivação, insuf. respiratória
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Loxosceles (aranha-marrom) causa o loxoscelismo, com lesão necrótica local, mas não o quadro neurotóxico descrito. Lasiodora (caranguejeira) tem veneno de baixa toxicidade, causando apenas dor local. A alternativa erra ao associar aranhas ao quadro neurotóxico e à necrose, que são típicos de serpentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Lonomia (lagarta) causa a síndrome hemorrágica, com sangramentos, mas não o quadro neurotóxico. Tityus (escorpião) causa dor intensa e manifestações autonômicas, mas não necrose local. A alternativa erra ao associar esses animais aos quadros descritos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Latrodectus (viúva-negra) causa o latrodectismo, com dor intensa, sudorese e rigidez abdominal, mas não o quadro neurotóxico clássico com paralisia e visão turva. Scolopendra (lacraia) causa dor local intensa e edema, mas não necrose extensa. A alternativa erra ao associar esses animais aos quadros descritos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Lachesis (surucucu) causa o acidente laquético, que tem ação local com necrose, mas também manifestações sistêmicas como náuseas e hipotensão, não o quadro neurotóxico puro descrito. Lycosa (aranha-de-grama) tem veneno de baixa toxicidade, causando apenas dor local. A alternativa erra ao associar Lachesis ao quadro neurotóxico e Lycosa à necrose.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Micrurus (coral-verdadeira) causa o acidente elapídico, com veneno neurotóxico que leva a paralisia muscular, visão turva, salivação e insuficiência respiratória. Bothrops (jararaca) causa o acidente botrópico, com veneno proteolítico e coagulante que leva a necrose local e hemorragias. A alternativa associa corretamente os quadros clínicos aos gêneros de serpentes.

A correlação entre o quadro clínico e o gênero da serpente é essencial para o diagnóstico e a escolha do soro antiveneno. O soro antibotrópico (SAB) é usado no acidente botrópico, o soro anticrotálico (SAC) no crotálico, o soro antilaquético (SAL) no laquético e o soro antielapídico (SAE) no elapídico.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os quadros clínicos, associe: Micrurus (coral) → neurotóxico (paralisia, visão turva); Bothrops (jararaca) → proteolítico (necrose, hemorragia); Crotalus (cascavel) → neurotóxico + miotóxico (mialgia, colúria); Lachesis (surucucu) → proteolítico + neurotóxico (necrose + sintomas autonômicos).

Gabarito: letra E

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