Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — VUNESP 2025
- Código
- vu113947
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Butantan - SP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- ALoxosceles e Lasiodora.
- BLonomia e Tityus.
- CLatrodectus e Scolopendra.
- DLachesis e Lycosa.
- EMicrurus e Bothrops.
GabaritoE — Micrurus e Bothrops.
Gabarito: letra E. Os sintomas descritos — paralisia muscular, visão turva, salivação abundante e dificuldade respiratória — são típicos do envenenamento elapídico, causado pelas corais-verdadeiras do gênero Micrurus; já a forte ação local com necrose e hemorragias é característica do envenenamento botrópico, causado pelas jararacas do gênero Bothrops. A questão exige correlacionar o quadro clínico ao gênero da serpente, conforme a classificação dos acidentes ofídicos.
O ofidismo é o envenenamento decorrente da inoculação de peçonha por serpentes através de seu aparelho inoculador (presas). No Brasil, os acidentes de importância médica são divididos em quatro tipos principais, cada um associado a um gênero de serpente e com um quadro clínico característico. Essa divisão é fundamental para o diagnóstico e a escolha do soro antiveneno adequado.
Os quatro tipos de acidentes ofídicos são:
Botrópico (gêneros Bothrops e Bothrocophias): jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca. É o mais frequente, responsável por cerca de 86,5% dos acidentes. O veneno tem ação proteolítica, coagulante e hemorrágica, causando dor, edema, equimose, bolhas e, nos casos graves, necrose e hemorragias sistêmicas (gengivorragia, epistaxe, hematúria).
Crotálico (gênero Crotalus): cascavel. O veneno tem ação neurotóxica, miotóxica e coagulante. O quadro local é discreto (edema e dor leves), mas pode haver manifestações sistêmicas como turvação visual, ptose palpebral, mialgia e colúria (rabdomiólise).
Laquético (gênero Lachesis): surucucu-pico-de-jaca. O veneno tem ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica. O quadro local é semelhante ao botrópico (edema, dor, bolhas), mas com manifestações sistêmicas adicionais como náuseas, vômitos, sudorese, diarreia e hipotensão.
Elapídico (gêneros Micrurus e Leptomicrurus): coral-verdadeira. O veneno tem ação neurotóxica, com pouca ou nenhuma manifestação local (apenas parestesia). O quadro sistêmico é dominado por paralisia muscular, visão turva, diplopia, ptose palpebral, salivação abundante e insuficiência respiratória.
A questão descreve dois quadros clínicos distintos. O primeiro, com paralisia muscular, visão turva, salivação e dificuldade respiratória, é o clássico do acidente elapídico, causado pelo gênero Micrurus. O segundo, com forte ação local, necrose e hemorragias, é o clássico do acidente botrópico, causado pelo gênero Bothrops. A alternativa correta deve, portanto, associar Micrurus ao primeiro quadro e Bothrops ao segundo.
A pegadinha da questão está em confundir os quadros clínicos entre os gêneros de serpentes, especialmente entre o acidente crotálico (que também tem componente neurotóxico) e o elapídico, ou entre o botrópico e o laquético (que têm ação local semelhante). A distinção crucial é que o acidente elapídico tem ausência de manifestações locais significativas, enquanto o botrópico tem ação local intensa com necrose.
Loxosceles (aranha-marrom) causa o loxoscelismo, com lesão necrótica local, mas não o quadro neurotóxico descrito. Lasiodora (caranguejeira) tem veneno de baixa toxicidade, causando apenas dor local. A alternativa erra ao associar aranhas ao quadro neurotóxico e à necrose, que são típicos de serpentes.
Lonomia (lagarta) causa a síndrome hemorrágica, com sangramentos, mas não o quadro neurotóxico. Tityus (escorpião) causa dor intensa e manifestações autonômicas, mas não necrose local. A alternativa erra ao associar esses animais aos quadros descritos.
Latrodectus (viúva-negra) causa o latrodectismo, com dor intensa, sudorese e rigidez abdominal, mas não o quadro neurotóxico clássico com paralisia e visão turva. Scolopendra (lacraia) causa dor local intensa e edema, mas não necrose extensa. A alternativa erra ao associar esses animais aos quadros descritos.
Lachesis (surucucu) causa o acidente laquético, que tem ação local com necrose, mas também manifestações sistêmicas como náuseas e hipotensão, não o quadro neurotóxico puro descrito. Lycosa (aranha-de-grama) tem veneno de baixa toxicidade, causando apenas dor local. A alternativa erra ao associar Lachesis ao quadro neurotóxico e Lycosa à necrose.
Micrurus (coral-verdadeira) causa o acidente elapídico, com veneno neurotóxico que leva a paralisia muscular, visão turva, salivação e insuficiência respiratória. Bothrops (jararaca) causa o acidente botrópico, com veneno proteolítico e coagulante que leva a necrose local e hemorragias. A alternativa associa corretamente os quadros clínicos aos gêneros de serpentes.
A correlação entre o quadro clínico e o gênero da serpente é essencial para o diagnóstico e a escolha do soro antiveneno. O soro antibotrópico (SAB) é usado no acidente botrópico, o soro anticrotálico (SAC) no crotálico, o soro antilaquético (SAL) no laquético e o soro antielapídico (SAE) no elapídico.
Para memorizar os quadros clínicos, associe: Micrurus (coral) → neurotóxico (paralisia, visão turva); Bothrops (jararaca) → proteolítico (necrose, hemorragia); Crotalus (cascavel) → neurotóxico + miotóxico (mialgia, colúria); Lachesis (surucucu) → proteolítico + neurotóxico (necrose + sintomas autonômicos).
Gabarito: letra E
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