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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
vu113959
Banca
VUNESP
Órgão
CREF - 4ª Região (SP)
Ano
2025
Nível
Médio

Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.


Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a frase do texto foi reescrita em conformidade com a norma-padrão de regência e de emprego do acento indicativo de crase.
  1. A... os economistas que explicaram, à partir de um refinamento teórico e de dados sofisticados, como o avanço tecnológico... (1º parágrafo)
  2. B... o prêmio parece dar forças à uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá. (1º parágrafo)
  3. CA economia global de 2025 desenvolve-se à sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas... (2º parágrafo)
  4. DDiante disso, quem sou eu para preterir às ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. (3º parágrafo)
  5. EAs biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder no que se refere à sementes... (4º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A economia global de 2025 desenvolve-se à sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas... (2º parágrafo)

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Crase – Reescrita de Frases

Gabarito: letra C. A alternativa C está correta porque emprega corretamente a crase em "à sombra": o verbo "desenvolver-se" rege a preposição "a", e "sombra" é um substantivo feminino que admite o artigo "a", gerando a contração indicada pelo acento grave.

Critério

Alternativa A

Alternativa B

Alternativa C (✅)

Alternativa D

Alternativa E

Frase reescrita

"à partir de"

"à uma convicção"

"à sombra"

"preterir às ideias"

"à sementes"

Regra violada

Crase antes de verbo

Crase antes de artigo indefinido

— (correta)

Regência: preterir é VTD

Concordância: "sementes" é plural

Forma correta

"a partir de"

"a uma convicção"

"à sombra"

"preterir as ideias"

"a sementes" ou "às sementes"

Julgamento

❌ Incorreta

❌ Incorreta

✅ Correta

❌ Incorreta

❌ Incorreta

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

O original do texto usa "a partir de" (sem crase), locução prepositiva fixa que não admite artigo. A forma "à partir de" está gramaticalmente errada, pois "partir" é verbo, e crase antes de verbo é proibida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O correto é "dar forças a uma convicção". A crase não ocorre antes do artigo indefinido "uma", salvo exceções (locuções adverbiais como "à uma" = ao mesmo tempo). Aqui, a preposição "a" (exigida por "dar forças a") encontra o artigo indefinido "uma", formando "a uma"; não há fusão com artigo definido, portanto sem crase.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No texto original: "vive sob a sombra dos limites ecológicos". A reescrita substitui "sob a sombra" por "à sombra", mantendo o sentido. A regência exige: verbo "desenvolve-se" + "a" (preposição) + "a sombra" (artigo definido feminino) = crase. Está conforme a norma-padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A oração original: "rejeitar as ideias" (verbo transitivo direto, sem preposição). A reescrita usa "preterir às ideias". O verbo "preterir" (no sentido de "recusar, não aceitar") é transitivo direto, exigindo objeto direto sem preposição: "preterir as ideias". A crase em "às ideias" pressupõe preposição "a" inexigida, configurando erro de regência e, consequentemente, de crase.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O original: "sobre as sementes" (preposição "sobre" + artigo "as"). A reescrita: "no que se refere à sementes". A expressão "no que se refere a" exige a preposição "a". Se o termo seguinte for um substantivo feminino plural determinado, o correto é "às sementes" (a + as). A forma "à sementes" crasa a preposição com o artigo singular, mas "sementes" é plural, gerando concordância inadequada. A norma exige "a sementes" (sem artigo) ou "às sementes" (com artigo). A grafia "à sementes" é, portanto, incorreta.

Conclusão: Apenas a alternativa C emprega corretamente a crase e a regência, sendo a resposta exigida.

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