Reescrita com manutenção do sentido — A voz sem microfone
Gabarito: letra A. A única reescrita que preserva integralmente as relações lógicas do original é a da alternativa A, que usa "porque" para expressar a relação de causa/explicação já presente no texto. As demais alternativas alteram a relação semântica ao empregar conectivos inadequados (conclusão, finalidade, concessão ou oposição não previstos).
Análise do comando
O enunciado pede a alternativa que reescreve um trecho do texto mantendo o sentido original. Isso significa que a relação lógica entre as ideias deve ser exatamente a mesma, ainda que as palavras ou a estrutura sintática mudem. O conectivo escolhido é o ponto crítico: ele determina se a relação é de causa, consequência, oposição, finalidade, etc.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Não sei o que eles acharam da benção, porque o ponto de vista dos animais não é necessariamente o nosso…
No texto original, lê-se:
"Não sei o que eles acharam da benção. O ponto de vista dos animais não é necessariamente o nosso, por muito que eles façam para entender-nos."
O segundo período explica o primeiro: o autor ignora a opinião dos animais justamente porque o ponto de vista deles difere do nosso. A conjunção porque (causal/explicativa) capta exatamente essa relação. A reescrita é fiel ao sentido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
… a tartaruga não terá motivo para reclamar (…), portanto isso não quer dizer que os bichos não tenham opinião.
No texto:
"… a tartaruga não terá motivo para reclamar contra essa efusão espiritual sobre sua carapaça. O que não quer dizer que os bichos não tenham opinião."
A expressão "o que não quer dizer" introduz uma ressalva ou retificação, não uma conclusão. O autor afirma que a tartaruga não reclamará, mas isso não implica que os animais não tenham opinião. O uso de portanto estabeleceria uma conclusão (se não reclamam, então não têm opinião? Não é isso; a intenção é evitar essa conclusão). A banca trocou a relação: de ressalva para conclusão. ERRO: troca de relação lógica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Chama-se precisamente A Voz dos Animais e já vai pelo sexto número, para, em cinco anos, sair à rua seis vezes.
Texto:
"Chama-se precisamente A Voz dos Animais e já vai pelo sexto número. Em cinco anos, saiu à rua seis vezes."
A reescrita insere para (finalidade), sugerindo que o objetivo de já ir pelo sexto número é sair seis vezes em cinco anos — o que é absurdo, pois "já vai pelo sexto número" é um fato, não um meio para atingir a periodicidade. O original apenas justapõe duas informações: a edição atual e o histórico de publicações. Não há finalidade. ERRO: acréscimo de relação de finalidade inexistente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em cinco anos, saiu à rua seis vezes, mas não se pode dizer que os animais abusem do direito de manifestar-se.
Texto:
"Em cinco anos, saiu à rua seis vezes. Não se pode dizer que os animais abusem do direito de manifestar-se."
A conjunção mas expressa oposição ou contraste. No original, a segunda oração funciona mais como conclusão da primeira: se saiu apenas seis vezes em cinco anos, então não abusa. O contraste não é o sentido principal; o que há é uma inferência lógica. O "mas" pode até ser possível em alguns contextos, mas altera a relação original, que é de consequência, não de oposição. A banca entendeu que a reescrita não mantém o sentido. ERRO: uso de conectivo adversativo onde a relação original é conclusiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Porque o jornal é mimeografado, embora as finanças da organização não deem para mais.
Texto:
"Porque o jornal é mimeografado. As finanças da organização não dão para mais."
O original liga as duas ideias por causa e efeito: o jornal é mimeografado porque as finanças são limitadas. A reescrita inverte a relação com embora (concessão), que indicaria que, apesar de as finanças não darem, o jornal é mimeografado — como se houvesse uma contradição entre os dois fatos, quando na verdade um é causa do outro. ERRO: troca de causalidade por concessão.
Gabarito: letra A.