Interpretação de Texto – Contrariedade das Observações Climáticas dos Desâna
Gabarito: letra E. O 4º parágrafo afirma que as observações dos Desâna contradizem a noção de que há apenas duas estações (seca e chuvosa). O trecho que explora essa contrariedade é o que mostra a existência de múltiplos e curtos “verões” – como o “verão do abiu” (5 dias) e o “verão do ingá” (8 a 15 dias) –, detalhados no 3º parágrafo.
“As observações climáticas dos Desâna contradizem a noção de que, na região, há apenas duas estações: seca e chuvosa, ou ‘verão’ e ‘inverno’.”
A alternativa E apresenta justamente a ocorrência de vários verões de curta duração, o que demonstra a complexidade sazonal reconhecida pelos indígenas, contrariando a visão simplista de duas estações.
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Um tema pouco veiculado na literatura etnológica brasileira é o calendário das atividades de subsistência… determinado pelo aparecimento de certas constelações.”
O trecho apenas introduz o tema; não explora a contrariedade entre a visão dos Desâna e a noção comum sobre o clima.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“A ambas – constelações e chuvas – estão associados os ciclos econômicos naturais…”
Descreve uma associação geral, mas não toca na oposição à ideia de duas estações. Foge ao foco da contrariedade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“O ano dos indígenas Desâna começa em outubro, quando surge no poente a constelação ‘Iluminação da jararaca’… A pesada chuva que ela anuncia também tem esse nome.”
Relata o início do ano e uma chuva específica, sem contrapor a noção de apenas duas estações. Não aborda a contrariedade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Logo surgem, uma em seguida à outra, as constelações que completam a figura da cobra…”
Descreve a sequência de constelações, sem relacioná-la à crítica à classificação simplista do clima. Não explora a contrariedade.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Em janeiro vem o ‘verão do abiu’ (kané were: abiu, verão), que dura cinco dias. (…) Vem em seguida o ‘verão do ingá’ (mené were: ingá, verão) (…) Esse verão dura de oito a 15 dias…”
Essa passagem exemplifica a existência de múltiplos verões curtos e intercalados com chuvas, o que contradiz diretamente a noção de que há apenas “verão” e “inverno” como estações fixas. É o trecho que melhor explora a contrariedade apontada no 4º parágrafo.
Conclusão: A banca pede um trecho que exemplifique a contrariedade. A única alternativa que mostra a ocorrência de vários verões de curta duração – opondo-se à ideia de duas estações – é a E.
Gabarito: letra E.