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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2025

MedicinaMédico da Família
Código
vu114907
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Sertãozinho - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Uma UBS de uma região de uma grande cidade começa a ser procurada por várias mulheres de uma grande rede comercial. Elas se queixam de exigências do trabalho que apontam como causas de alteração do sono e ansiedade. Dizem que a empresa estipula metas de vendas que não conseguem atingir, que elas têm restrições para ir ao banheiro e que não podem se sentar, mesmo quando não há clientes. Assinale a alternativa que contém um encaminhamento correto diante da situação apresentada.
  1. AElas devem ser acolhidas em suas necessidades e a equipe de vigilância em saúde do trabalhador deve ser acionada para analisar e intervir no caso.
  2. BElas devem ser encaminhadas para algum serviço que trate da violência contra a mulher e as que estiverem em maior sofrimento à avaliação por psiquiatra.
  3. CElas devem ser encaminhadas para o serviço médico da empresa que deve conhecer a realidade delas em profundidade e deverá saber qual a melhor conduta.
  4. DA equipe da UBS deve escrever um comunicado à empresa relatando os problemas apontados pelas trabalhadoras, orientando-as a entregarem à chefia.
  5. EA equipe da UBS deve encaminhar todas as trabalhadoras a um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e comunicar o Ministério do Trabalho e Emprego, que tem autoridade para intervir no caso.
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GabaritoA — Elas devem ser acolhidas em suas necessidades e a equipe de vigilância em saúde do trabalhador deve ser acionada para analisar e intervir no caso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Saúde do Trabalhador na Atenção Primária: acolhimento e vigilância

Gabarito: letra A. Diante de queixas de sofrimento psíquico e físico relacionadas ao trabalho (metas inatingíveis, restrição para ir ao banheiro e para se sentar), a conduta correta da equipe de saúde da UBS é acolher as trabalhadoras e acionar a equipe de vigilância em saúde do trabalhador para análise e intervenção no caso — essa é a diretriz da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, que integra as ações de vigilância em saúde no âmbito do SUS.

A situação descrita configura um típico caso de sofrimento relacionado ao trabalho, que exige uma abordagem que vá além do atendimento individual. A Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada preferencial do SUS, tem o papel de acolher, escutar e identificar os determinantes sociais e ocupacionais do processo saúde-doença. Quando há indícios de que o ambiente de trabalho está adoecendo as pessoas, a responsabilidade não se encerra na consulta individual: é preciso acionar os mecanismos de vigilância em saúde do trabalhador, que têm como atribuição investigar as condições de trabalho, identificar riscos e intervir para promover ambientes mais saudáveis.

A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT), instituída no âmbito do SUS, estabelece que a atenção integral à saúde do trabalhador deve ser desenvolvida em todos os níveis de atenção, com destaque para a Atenção Primária. A vigilância em saúde do trabalhador (VISAT) é uma das diretrizes dessa política e compreende um conjunto de ações que visam à promoção da saúde, à prevenção de agravos e à vigilância dos ambientes e processos de trabalho. No caso apresentado, as queixas das trabalhadoras — metas inatingíveis, restrição para ir ao banheiro e impossibilidade de se sentar — são indicadores de riscos psicossociais e organizacionais no trabalho, que podem levar a transtornos mentais como ansiedade e insônia. A equipe de saúde deve, portanto, registrar essas queixas, acolher as trabalhadoras e acionar a vigilância para que o caso seja analisado e sejam tomadas as medidas cabíveis.

A conduta correta não é simplesmente encaminhar as trabalhadoras para outros serviços, como psiquiatria ou CAPS, sem antes abordar a causa ocupacional. Também não é adequado que a UBS se limite a escrever um comunicado à empresa ou que delegue a responsabilidade ao serviço médico da empresa, que pode não ter autonomia ou interesse em modificar as condições de trabalho. A abordagem correta é a que integra o cuidado individual com a ação coletiva de vigilância, buscando intervir na origem do problema.

A alternativa A é a única que contempla essa visão integral e intersetorial, alinhada aos princípios do SUS e da PNSTT. As demais alternativas apresentam condutas incompletas, inadequadas ou que desviam o foco da questão ocupacional.

Critério

Alternativa A (correta)

Alternativas B, C, D, E (incorretas)

Foco da abordagem

Acolhimento + vigilância em saúde do trabalhador (causa ocupacional)

Encaminhamento a outros serviços, comunicação à empresa ou ação isolada

Alinhamento com PNSTT/SUS

Sim — integra cuidado individual e ação coletiva de vigilância

Não — desviam do eixo da vigilância ou são incompletas

Papel da UBS

Ativo: acolhe e aciona a VISAT para investigar e intervir

Passivo ou delegado: encaminha, comunica ou transfere responsabilidade

Tratamento da causa do sofrimento

Intervém na origem (organização do trabalho)

Não aborda ou aborda de forma inadequada a causa ocupacional

Sofrimento relacionado ao trabalho
  • 1Acolhimento na UBS
    • Escuta das queixas
    • Identificar riscos ocupacionais
  • 2Vigilância em Saúde do Trabalhador
    • Analisar condições de trabalho
    • Intervir na origem do problema
  • 3Condutas inadequadas
    • Encaminhar só a psiquiatra/CAPS
    • Comunicado à empresa
    • Delegar ao serviço médico da empresa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete a conduta adequada da equipe de saúde da família diante de um caso de sofrimento relacionado ao trabalho. O acolhimento é o primeiro passo do cuidado na APS, e o acionamento da equipe de vigilância em saúde do trabalhador é a medida correta para investigar e intervir nas condições de trabalho que estão causando o adoecimento. Essa conduta está alinhada com a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, que prevê a atuação da vigilância em saúde do trabalhador como parte integrante das ações de saúde.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque, embora o acolhimento e o cuidado com a saúde mental sejam importantes, o foco da questão é o sofrimento relacionado ao trabalho, e não a violência contra a mulher. Encaminhar todas as trabalhadoras para um serviço de violência contra a mulher seria um desvio do problema central, que é a organização do trabalho. Além disso, o encaminhamento para psiquiatra deve ser feito de forma individualizada, quando houver indicação clínica, e não como primeira medida para todas as trabalhadoras.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque o serviço médico da empresa pode não ter autonomia ou interesse em modificar as condições de trabalho que estão causando o adoecimento. A responsabilidade pela saúde do trabalhador não pode ser delegada exclusivamente ao serviço médico da empresa, que muitas vezes atua em conflito de interesses. A equipe de saúde da UBS deve acolher as trabalhadoras e acionar a vigilância em saúde do trabalhador, que tem o papel de intervir no ambiente de trabalho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque a equipe da UBS não deve se limitar a escrever um comunicado à empresa e orientar as trabalhadoras a entregarem à chefia. Essa conduta é passiva e não garante a intervenção necessária para modificar as condições de trabalho. A vigilância em saúde do trabalhador tem o papel de investigar e intervir, e a UBS deve acioná-la, em vez de apenas emitir um comunicado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa está incorreta porque encaminhar todas as trabalhadoras ao CAPS é uma medida desproporcional e não aborda a causa ocupacional do sofrimento. O CAPS é um serviço de saúde mental para casos que necessitam de acompanhamento especializado, e nem todas as trabalhadoras podem precisar desse nível de cuidado. Além disso, comunicar o Ministério do Trabalho e Emprego pode ser uma medida complementar, mas não é a conduta principal e imediata da equipe de saúde. A ação correta é acionar a vigilância em saúde do trabalhador, que é o órgão competente para analisar e intervir no caso.

Gabarito: letra A

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