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Questão de Português — Sintaxe — VUNESP 2025

PortuguêsSintaxe
Código
vu115187
Banca
VUNESP
Órgão
SEDUC-SP
Ano
2025
Nível
Médio
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
O trecho “... não há memória para aqueles a quem nada pertence.” (4º parágrafo) pode ser reescrito, em conformidade com a norma-padrão de concordância e regência, como:
  1. A... não existe memórias para aqueles dos quais nada se tem.
  2. B... não há memórias para aqueles que nada possuem.
  3. C... não têm memórias para aqueles que nada dispõem.
  4. D... não se acha memórias para aqueles a quem nada detêm.
  5. E... não se encontram memórias para aqueles em que nada obtêm.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — ... não há memórias para aqueles que nada possuem.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com correção gramatical

Gabarito: letra B. A única alternativa que mantém o sentido original e obedece à norma-padrão de concordância e regência é a B, que substitui o verbo "haver" impessoal (sempre singular) por ele mesmo e troca a locução "a quem nada pertence" por "que nada possuem", respeitando a transitividade direta do verbo "possuir".

O trecho original é:

"... não há memória para aqueles a quem nada pertence."

1Verbo "haver" impessoal
Sempre singular
Sentido de "existir"
2Verbo "possuir"
Transitivo direto
Dispensa preposição
3Pronome relativo "que"
Sujeito de "possuem"
Equivale a "a quem nada pertence"
Reescrita correta (norma-padrão)
LEVELsoulevel.com.br
Reescrita correta (norma-padrão): Verbo "haver" impessoal (Sempre singular, Sentido de "existir"); Verbo "possuir" (Transitivo direto, Dispensa preposição); Pronome relativo "que" (Sujeito de "possuem", Equivale a "a quem nada pertence")

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... não existe memórias para aqueles dos quais nada se tem."

  • Erro de concordância: o verbo "existir" deve concordar com o sujeito "memórias" → existem. Erro de regência: a preposição "de" em "dos quais" não é exigida pelo verbo "ter" (transitivo direto: "ter algo") – o correto seria "a quem" ou "que". Além disso, a construção "se tem" altera o sentido original.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"... não há memórias para aqueles que nada possuem."

  • "Há" mantém-se impessoal (singular), correto. "Que" exerce função de sujeito de "possuem", e "possuir" é transitivo direto, dispensando preposição. O significado equivale ao original: quem nada possui = a quem nada pertence.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... não têm memórias para aqueles que nada dispõem."

  • O verbo "ter" (têm) exige sujeito oculto, mas falta-lhe referência – o original é impessoal. "Dispõem" rege a preposição "de" (dispor de algo), que não aparece. Inaceitável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... não se acha memórias para aqueles a quem nada detêm."

  • Se o "se" é apassivador, o verbo deve concordar com o sujeito paciente "memórias": "não se acham". Se for impessoal, falta sujeito. Ademais, "detêm" está no plural, mas o pronome relativo "a quem" refere-se a "aquele" (singular) – o verbo deveria ser "detém".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... não se encontram memórias para aqueles em que nada obtêm."

  • A regência de "obter" é transitiva direta: obtém-se algo. A preposição "em" em "em que" é indevida; o correto seria "que" ou "a quem". "Obtêm" (plural) concorda com "aqueles", mas a preposição invalida a construção.

Conclusão: Somente a alternativa B preserva a impessoalidade de "haver" e usa a regência adequada, sem acrescentar ou omitir preposições indevidas. Gabarito: letra B.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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