Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu117012
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra Plantonista
Lactente de 5 meses, previamente hígido, com história de 2 dias de diarreia líquida, vômitos e febre é levado ao pronto-atendimento. A mãe refere que está urinando pouco e vomitando após as mamadas. Ao exame físico, está em regular estado geral, irritado, descorado +/4, taquicárdico, com mucosas secas e com tempo de enchimento capilar de 4 segundos. O abdome está distendido, hipertimpânico, com ruídos hidroaéreos aumentados.De acordo com esse quadro clínico, a conduta inicialmente indicada é
Aprescrever expansão com soro fisiológico 20 mL/kg.
Biniciar terapia de reidratação oral na sala de observação.
Cadministrar antiemético intramuscular e iniciar terapia de reidratação oral após 40 minutos.
Dpassar sonda nasogástrica para administrar soro de reidratação oral.
Edar alta com prescrição de antiemético, terapia de reidratação oral e retorno se necessário.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — iniciar terapia de reidratação oral na sala de observação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Desidratação aguda em lactente: plano de tratamento
Gabarito: letra B. O lactente apresenta sinais de desidratação (mucosas secas, enchimento capilar de 4 segundos, taquicardia, oligúria) sem critérios de desidratação grave (sem choque, sem letargia, sem impossibilidade de beber líquidos), portanto a conduta inicial é a terapia de reidratação oral (TRO) na sala de observação, conforme o Plano B da estratégia AIDPI do Ministério da Saúde. A expansão venosa (Plano C) fica reservada para os casos de desidratação grave ou choque, que não é o quadro apresentado.
A doença diarreica aguda (DDA) é uma das principais causas de morbidade em lactentes, e o manejo correto depende da avaliação clínica do estado de hidratação. A estratégia AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância) classifica a criança em três planos de tratamento: Plano A (diarreia sem desidratação — tratamento domiciliar), Plano B (diarreia com desidratação — reidratação oral na unidade de saúde) e Plano C (diarreia com desidratação grave — hidratação venosa). A distinção entre os planos é o ponto central desta questão.
No caso apresentado, o lactente tem 5 meses, com diarreia e vômitos há 2 dias, e ao exame apresenta: regular estado geral, irritado, taquicárdico, mucosas secas e enchimento capilar de 4 segundos. Esses são sinais de desidratação moderada (algum grau de desidratação), mas não de desidratação grave. Os sinais de desidratação grave incluem: letargia ou inconsciência, incapacidade de beber líquidos, olhos muito fundos, prega cutânea que volta muito lentamente (≥ 2 segundos) e pulso fraco ou ausente. Como o lactente está irritado (não letárgico), consegue beber (não há relato de recusa), e o enchimento capilar de 4 segundos, embora alterado, não configura choque, o quadro se enquadra no Plano B.
A conduta no Plano B é iniciar a TRO na sala de observação, com SRO de baixa osmolaridade, administrada em pequenos volumes e com frequência, geralmente 50-100 mL/kg em 4-6 horas, fracionado em pequenos goles ou com colher/copo. Se houver vômitos, deve-se aguardar 10 minutos e reiniciar mais lentamente. A expansão venosa com soro fisiológico 20 mL/kg é reservada para o Plano C (desidratação grave ou choque), que não é o caso. O uso de antieméticos não é rotina no manejo da DDA; quando indicado, prefere-se a ondansetrona, mas não é a conduta inicial. A sonda nasogástrica é uma alternativa quando a TRO falha ou não é possível, mas não é a primeira escolha. A alta com prescrição de antiemético e TRO seria inadequada, pois a criança precisa de observação e reidratação na unidade de saúde.
A pegadinha desta questão está em diferenciar desidratação moderada (Plano B) de desidratação grave (Plano C). O enchimento capilar de 4 segundos e a taquicardia podem sugerir gravidade, mas a criança está irritada (não letárgica), o que indica que ainda não há comprometimento do nível de consciência típico da desidratação grave. Além disso, o abdome distendido e hipertimpânico com ruídos hidroaéreos aumentados é compatível com o quadro de gastroenterite aguda, não sendo um sinal de alarme para abdome agudo cirúrgico nesse contexto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com o enchimento capilar de 4 segundos e a taquicardia, que são sinais de desidratação, mas não de choque. O choque hipovolêmico na criança se manifesta com letargia, pulso fraco ou ausente, extremidades frias e enchimento capilar > 5 segundos. Aqui, a criança está irritada e com perfusão ainda preservada (4 segundos), o que a coloca no Plano B, não no Plano C. Guarde: irritado = Plano B; letárgico/hipotenso = Plano C.
Plano de Tratamento (AIDPI)
Indicação
Conduta
Plano A
Diarreia sem desidratação
Tratamento domiciliar (TRO, zinco, alimentação)
Plano B
Diarreia com desidratação (moderada)
TRO na sala de observação (50–100 mL/kg em 4–6h)
Plano C
Diarreia com desidratação grave/choque
Expansão venosa (SF 20 mL/kg)
Desidratação em lactente (AIDPI): Plano A (sem desidratação) (TRO domiciliar); Plano B (com desidratação) (TRO na unidade de saúde, SRO baixa osmolaridade, 50-100 mL/kg em 4-6h); Plano C (grave/choque) (Expansão venosa 20 mL/kg, Sinais: letargia, pulso fraco)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A expansão com soro fisiológico 20 mL/kg é a conduta do Plano C, indicada para desidratação grave ou choque. O lactente apresenta desidratação moderada (irritado, mucosas secas, enchimento capilar 4 segundos), sem sinais de choque (letargia, pulso fraco, extremidades frias). A expansão venosa seria precipitada e desnecessária neste momento, podendo até causar sobrecarga hídrica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A criança tem sinais de desidratação (mucosas secas, enchimento capilar 4 segundos, taquicardia, oligúria), mas não de desidratação grave. O Plano B da AIDPI preconiza a terapia de reidratação oral na sala de observação, com SRO de baixa osmolaridade, em pequenos volumes e com frequência, por 4-6 horas, com reavaliação clínica. A criança está irritada, mas consciente e capaz de beber, o que permite a via oral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de antiemético não é rotina no manejo da DDA. A literatura atual (OMS, ESPGHAN) não recomenda antieméticos como conduta inicial; quando há indicação (vômitos persistentes), prefere-se a ondansetrona, mas não é o primeiro passo. Além disso, a TRO deve ser iniciada imediatamente, não após 40 minutos. A conduta correta é iniciar a TRO na sala de observação, com pausas de 10 minutos se houver vômitos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sonda nasogástrica para administrar SRO é uma alternativa quando a TRO por via oral falha ou não é possível (ex.: recusa, vômitos incoercíveis), mas não é a conduta inicial em uma criança com desidratação moderada que está consciente e consegue beber. A via oral deve ser sempre a primeira escolha no Plano B.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Dar alta com prescrição de antiemético e TRO seria inadequado, pois a criança apresenta desidratação moderada e necessita de reidratação supervisionada na unidade de saúde, com reavaliação clínica após 4-6 horas. O Plano A (tratamento domiciliar) é para crianças sem sinais de desidratação, o que não é o caso. Além disso, o antiemético não é recomendado como rotina.