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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu117015
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra Plantonista
Recém-nascido de termo, de parto normal, apresentou cianose nas primeiras horas de vida, sem resposta à oferta de oxigênio (FiO2 : 100%). Oximetria pré e pós-ductal mostra saturação de 82% em membro superior direito e 85% à esquerda. À ausculta pulmonar, identifica-se bulhas normofonéticas e discreto sopro em foco pulmonar. Realizada radiografia de tórax que revelou área cardíaca normal e sinais de hiperfluxo pulmonar.Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa que apresenta a cardiopatia congênita compatível com essa descrição clínico-radiológica.
  1. AComunicação interventricular.
  2. BPersistência de canal arterial.
  3. CTransposição de grandes artérias.
  4. DTetralogia de Fallot.
  5. ECoarctação de aorta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Transposição de grandes artérias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cardiopatias congênitas cianogênicas no recém-nascido

Gabarito: letra C. O quadro descrito — cianose precoce sem resposta ao oxigênio, saturação pré e pós-ductal semelhantes (82% e 85%), sopro pulmonar discreto e radiografia com área cardíaca normal e hiperfluxo pulmonar — é a apresentação clássica da transposição das grandes artérias (TGA), a cardiopatia cianogênica mais comum no período neonatal. O dado decisivo é a cianose desproporcional à radiografia de tórax: enquanto a maioria das cardiopatias cianogênicas (como a tetralogia de Fallot) mostra hipofluxo pulmonar, a TGA cursa com hiperfluxo, pois as circulações sistêmica e pulmonar funcionam em paralelo.

A transposição das grandes artérias é uma cardiopatia congênita cianogênica na qual a aorta origina-se do ventrículo direito e o tronco pulmonar origina-se do ventrículo esquerdo, criando duas circulações em paralelo: o sangue venoso sistêmico retorna ao átrio direito, vai ao ventrículo direito e é ejetado para a aorta (sem passar pelos pulmões), enquanto o sangue oxigenado retorna ao átrio esquerdo, vai ao ventrículo esquerdo e é ejetado para o tronco pulmonar (retornando aos pulmões). A vida só é possível se houver comunicação entre os dois circuitos — forame oval, ducto arterioso ou comunicação interventricular — que permita a mistura de sangue. A cianose é precoce e intensa, e não melhora com oxigênio, pois o problema não é a oxigenação pulmonar, mas a distribuição do sangue.

A radiografia de tórax na TGA é característica: área cardíaca normal ou discretamente aumentada (a cardiomegalia aparece mais tardiamente) e hiperfluxo pulmonar, refletindo o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar. Isso contrasta com a tetralogia de Fallot, que apresenta hipofluxo pulmonar (coração em tamanho normal ou pequeno, com arco médio escavado). A oximetria pré e pós-ductal mostra saturações semelhantes (82% e 85%), pois a mistura ocorre principalmente no nível atrial (forame oval) e a diferença entre membros superiores e inferiores é pequena — diferente da persistência do canal arterial, onde a saturação pós-ductal é menor que a pré-ductal.

Na prática, o recém-nascido com TGA apresenta cianose central nas primeiras horas de vida, taquipneia, e pode evoluir rapidamente para choque e acidose metabólica se o ducto arterioso fechar. O tratamento inicial inclui infusão de prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso aberto, e a correção cirúrgica definitiva é a cirurgia de Jatene (switch arterial), realizada nas primeiras semanas de vida.

A distinção fundamental que separa as alternativas é o padrão de fluxo pulmonar na radiografia: hiperfluxo aponta para TGA (e também para outras cardiopatias com shunt esquerda-direita, mas estas não são cianogênicas), enquanto hipofluxo aponta para tetralogia de Fallot e outras cardiopatias com obstrução ao fluxo pulmonar. A cianose precoce e intensa, sem resposta ao oxigênio, exclui as cardiopatias acianogênicas (comunicação interventricular, persistência do canal arterial, coarctação de aorta).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as cardiopatias cianogênicas. O candidato pode associar cianose neonatal à tetralogia de Fallot, mas a radiografia com hiperfluxo pulmonar é o divisor de águas: na Fallot, o fluxo pulmonar está diminuído (hipofluxo). A TGA é a única entre as opções que combina cianose precoce com hiperfluxo pulmonar.

Cardiopatia

Cianose precoce

Resposta ao O₂

Fluxo pulmonar na radiografia

Sopro característico

Oximetria pré/pós-ductal

Transposição de grandes artérias (gabarito)

Sim, intensa

Não

Hiperfluxo

Discreto em foco pulmonar

Semelhantes (82% e 85%)

Comunicação interventricular

Não (acianogênica)

Hiperfluxo

Holossistólico em borda esternal

Normal ou levemente reduzida

Persistência do canal arterial

Não (acianogênica)

Hiperfluxo

Contínuo em maquinaria

Pós-ductal menor que pré-ductal

Tetralogia de Fallot

Sim, geralmente após período neonatal

Não

Hipofluxo

Sistólico ejetivo em foco pulmonar

Variável, pode ser menor nos MMII

Coarctação de aorta

Não (acianogênica)

Congestão pulmonar (não hiperfluxo isolado)

Sem sopro específico; pulsos femorais ausentes

Normal ou diferença se PCA associada

Cardiopatias congênitas cianogênicas
  • 1Hiperfluxo pulmonar
    • Transposição de grandes artérias
      • cianose precoce sem resposta ao O2
      • saturação pré/pós-ductal semelhante
  • 2Hipofluxo pulmonar
    • Tetralogia de Fallot
      • coração em bota
      • cianose tardia
  • 3Acianogênicas (sem cianose)
    • Comunicação interventricular
    • Persistência do canal arterial
    • Coarctação de aorta
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A comunicação interventricular (CIV) é uma cardiopatia acianogênica (shunt esquerda-direita). O recém-nascido pode apresentar sopro, mas a cianose não é uma característica típica, a menos que haja hipertensão pulmonar grave com inversão do shunt (síndrome de Eisenmenger), que é tardia. A radiografia pode mostrar hiperfluxo pulmonar, mas a saturação de oxigênio seria normal ou levemente reduzida, não 82%.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A persistência do canal arterial (PCA) também é uma cardiopatia acianogênica (shunt esquerda-direita). O sopro é contínuo em maquinaria, e a radiografia mostra hiperfluxo pulmonar, mas a cianose não é esperada. Além disso, na PCA com hipertensão pulmonar, a saturação pós-ductal (membros inferiores) seria menor que a pré-ductal (membro superior direito), o que não ocorre no caso (82% vs 85%).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transposição das grandes artérias é a cardiopatia cianogênica mais comum no neonato. A cianose precoce, sem resposta ao oxigênio, com saturações pré e pós-ductal semelhantes, sopro pulmonar discreto (geralmente devido ao fluxo aumentado ou à CIV associada) e radiografia com área cardíaca normal e hiperfluxo pulmonar são os achados clássicos. A mistura de sangue ocorre através do forame oval e do ducto arterioso, e a saturação é baixa e semelhante nos dois locais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A tetralogia de Fallot é uma cardiopatia cianogênica, mas a radiografia de tórax mostra hipofluxo pulmonar (coração em tamanho normal ou pequeno, com arco médio escavado em "coração em bota"). O sopro é sistólico ejetivo no foco pulmonar, mas a cianose costuma aparecer após o período neonatal (quando o infundíbulo se hipertrofia), e a saturação pode ser mais baixa nos membros inferiores se houver PCA associada. O hiperfluxo pulmonar descrito no enunciado exclui a Fallot.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A coarctação de aorta é uma cardiopatia acianogênica que se manifesta com hipertensão arterial nos membros superiores e pulsos femorais diminuídos ou ausentes. A cianose não é uma característica, e a radiografia pode mostrar cardiomegalia e congestão pulmonar em casos graves, mas não hiperfluxo pulmonar isolado. A saturação pré e pós-ductal seria normal ou com diferença significativa se houver PCA associada.

Gabarito: letra C — transposição das grandes artérias, a cardiopatia cianogênica que cursa com hiperfluxo pulmonar na radiografia de tórax.

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