Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu117021
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra Plantonista
Lactente de 4 meses, nascido a termo, de parto normal, há 2 semanas iniciou quadro de tosse, coriza e febre baixa. Foi levado ao pronto-atendimento, apresentando radiografia de tórax sem alterações e hemograma com linfocitose discreta, recebendo alta com orientações de inalação com soro fisiológico e retorno se sinais de alerta. Logo ficou afebril, mas evoluiu com piora da tosse, apresentando acessos de tosse seca, de início súbito, acompanhados por guincho e vômitos pós-tosse. Repetiu os exames na consulta de hoje.De acordo com a principal suspeita etiológica, espera-se encontrar:
Aneutrofilia e condensação com broncogramas aéreos de permeio.
Bhemograma sem alterações e sinais de hiperinsuflação na radiografia de tórax.
Cleucocitose e infiltrado intersticial bilateral.
Dlinfocitose e infiltrado para-cardíaco bilateral.
Eambos os exames sem alterações.
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GabaritoD — linfocitose e infiltrado para-cardíaco bilateral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Coqueluche no lactente: quadro clínico e exames complementares
Gabarito: letra D. O lactente de 4 meses com tosse em acessos, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse apresenta quadro clássico de coqueluche, causada pela Bordetella pertussis. Nessa doença, o hemograma tipicamente mostra linfocitose (linfocitose absoluta, muitas vezes > 10.000/mm³) e a radiografia de tórax pode evidenciar infiltrado para-cardíaco bilateral (atelectasia em cunha no lobo médio/lingula), achados que correspondem exatamente à alternativa D.
A coqueluche é uma infecção respiratória altamente contagiosa, causada pela Bordetella pertussis, uma bactéria gram-negativa que se adere ao epitélio ciliado das vias aéreas. A doença tem três fases clássicas: catarral (1-2 semanas, com coriza, tosse leve e febre baixa — mimetiza um resfriado comum), paroxística (2-6 semanas, com acessos de tosse em salva, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse) e convalescença (melhora gradual). O lactente do enunciado passou exatamente pela fase catarral (tosse, coriza, febre baixa, hemograma com linfocitose discreta) e agora está na fase paroxística, com os acessos de tosse característicos.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas os exames complementares ajudam a corroborar a suspeita. No hemograma, a coqueluche cursa com linfocitose absoluta — frequentemente acima de 10.000 linfócitos/mm³, podendo chegar a 30.000-50.000/mm³ — que reflete a linfocitose induzida pela toxina pertussis (PT), que impede a migração dos linfócitos para os tecidos. Na radiografia de tórax, o achado mais característico é o infiltrado para-cardíaco bilateral (também chamado de "coração felpudo" ou "shaggy heart"), que corresponde a atelectasias em cunha, especialmente no lobo médio e na língula, decorrentes do acúmulo de secreção e do broncoespasmo. Outros achados possíveis incluem hiperinsuflação e consolidações secundárias.
A principal confusão que a banca explora é com a pneumonia bacteriana típica (pneumococo), que cursa com neutrofilia e condensação com broncogramas aéreos, e com a pneumonia viral/atípica, que pode cursar com infiltrado intersticial. A coqueluche tem perfil laboratorial e radiológico próprios: linfocitose + infiltrado para-cardíaco. Guarde essa associação: tosse em guincho + linfocitose + infiltrado para-cardíaco = coqueluche.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A neutrofilia com condensação e broncogramas aéreos é o padrão da pneumonia bacteriana típica (ex.: Streptococcus pneumoniae), não da coqueluche. Na coqueluche, o hemograma mostra linfocitose, não neutrofilia, e a radiografia não costuma mostrar condensação lobar com broncogramas aéreos — o achado típico é o infiltrado para-cardíaco.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hemograma não fica sem alterações na coqueluche: há linfocitose característica. A hiperinsuflação pode ocorrer, mas não é o achado radiológico mais específico — o infiltrado para-cardíaco bilateral é o mais típico. Além disso, a alternativa ignora a linfocitose, que é um dos pilares do diagnóstico laboratorial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A leucocitose com infiltrado intersticial bilateral é um padrão mais compatível com pneumonia viral ou atípica (ex.: Mycoplasma pneumoniae). Na coqueluche, a leucocitose é acompanhada de linfocitose absoluta (não apenas leucocitose inespecífica) e o infiltrado é para-cardíaco, não intersticial difuso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A linfocitose é o achado hematológico clássico da coqueluche, causada pela toxina pertussis que impede a migração linfocitária. O infiltrado para-cardíaco bilateral é o achado radiológico mais característico, correspondendo a atelectasias em cunha no lobo médio e língula. Essa combinação é praticamente patognomônica da coqueluche em um lactente com tosse em guincho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Ambos os exames não ficam sem alterações na coqueluche. O hemograma mostra linfocitose e a radiografia pode mostrar infiltrado para-cardíaco, hiperinsuflação ou atelectasias. A ausência de alterações seria incompatível com o quadro clínico exuberante de tosse paroxística com guincho.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o perfil laboratorial da coqueluche pelo da pneumonia bacteriana (neutrofilia + condensação) e pelo da pneumonia viral (leucocitose + infiltrado intersticial). A chave é lembrar que a coqueluche tem linfocitose (não neutrofilia) e infiltrado para-cardíaco (não condensação nem infiltrado intersticial difuso).
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe: coqueluche = linfocitose + infiltrado para-cardíaco. Sempre que a questão trouxer um lactente com tosse em guincho e vômitos pós-tosse, procure essas duas palavras nas alternativas.