Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2026
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu117132
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Socorrista Plantonista
Assinale a alternativa correta a respeito da hipertensão portal.
AA causa pré-hepática mais comum é a esquistossomose.
BVeia porta com calibre de 20 mm e velocidade de 10 cm/s são achados compatíveis com o diagnóstico.
CA síndrome da obstrução sinusoidal é uma causa intra-hepática de hipertensão portal.
DAs varizes gástricas periesofágicas não têm relação com o prognóstico do paciente.
EÉ definida como aumento do gradiente de pressão venosa hepática acima de 3 mmHg.
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GabaritoB — Veia porta com calibre de 20 mm e velocidade de 10 cm/s são achados compatíveis com o diagnóstico.
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Hipertensão portal: definição, classificação e achados de imagem
Gabarito: letra B. A hipertensão portal é definida pelo aumento do gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) acima de 5 mmHg, e não de 3 mmHg como afirma a alternativa E. Na prática, o diagnóstico é frequentemente confirmado por ultrassonografia com Doppler, sendo considerados compatíveis um calibre da veia porta acima de 13 mm e uma velocidade de fluxo reduzida, como os 10 cm/s citados na alternativa B. A esquistossomose, por sua vez, é uma causa intra-hepática pré-sinusoidal, e não pré-hepática, o que torna a alternativa A incorreta.
A hipertensão portal é uma síndrome clínica caracterizada pelo aumento da pressão no sistema venoso portal, que normalmente é um sistema de baixa pressão. Esse aumento pode ser causado por um incremento da resistência ao fluxo sanguíneo em diferentes pontos do trajeto venoso, ou, mais raramente, por um aumento do fluxo sanguíneo portal. A classificação mais utilizada divide as causas de acordo com o local do aumento da resistência, tendo o fígado como referência: pré-hepáticas, intra-hepáticas (que se subdividem em pré-sinusoidais, sinusoidais e pós-sinusoidais) e pós-hepáticas.
A cirrose hepática é a causa mais comum de hipertensão portal no mundo ocidental, sendo responsável pela maioria dos casos. Nela, o aumento da resistência é predominantemente intra-hepático e sinusoidal, decorrente da distorção da arquitetura hepática por fibrose, nódulos de regeneração e capilarização dos sinusoides. Além do componente mecânico, há um componente dinâmico e reversível, relacionado à contração de células contráteis no fígado, que pode ser alvo de intervenção farmacológica.
O diagnóstico é baseado na combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem. A ultrassonografia com Doppler é o exame de imagem mais utilizado, permitindo avaliar o calibre da veia porta, a velocidade do fluxo sanguíneo e a presença de circulação colateral. Valores de calibre da veia porta acima de 13 mm e velocidade de fluxo reduzida são considerados sugestivos de hipertensão portal. O padrão-ouro para a confirmação diagnóstica e para a avaliação prognóstica é a medida do GPVH por cateterismo, sendo que valores acima de 10 mmHg estão associados ao desenvolvimento de complicações como varizes esofágicas e ascite.
As principais complicações da hipertensão portal são a hemorragia digestiva por varizes esofágicas ou gástricas, a ascite, a encefalopatia hepática e a esplenomegalia com hiperesplenismo. As varizes gástricas, especialmente as do fundo gástrico, têm um risco significativo de sangramento e estão associadas a um pior prognóstico, contrariando a alternativa D. A síndrome da obstrução sinusoidal, também conhecida como doença veno-oclusiva, é uma causa intra-hepática pós-sinusoidal de hipertensão portal, o que torna a alternativa C incorreta.
A banca explora a confusão entre os diferentes tipos de causas e os valores numéricos que definem a doença. É fundamental dominar a classificação das causas e os valores de corte do GPVH para responder corretamente a questões sobre este tema.
Critério
Hipertensão Portal (correto)
Valor/Conceito incorreto citado
Definição (GPVH)
Acima de 5 mmHg
Acima de 3 mmHg (alternativa E)
Esquistossomose
Causa intra-hepática pré-sinusoidal
Causa pré-hepática (alternativa A)
Síndrome da obstrução sinusoidal
Causa intra-hepática pós-sinusoidal
Causa intra-hepática (sem subtipo, alternativa C)
Varizes gástricas
Relacionadas a pior prognóstico
Sem relação com prognóstico (alternativa D)
USG com Doppler (veia porta)
Calibre > 13 mm e velocidade reduzida (ex.: 10 cm/s)
— (alternativa B, correta)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A esquistossomose é uma causa intra-hepática pré-sinusoidal de hipertensão portal, e não pré-hepática. As causas pré-hepáticas mais comuns são a trombose da veia porta e a trombose da veia esplênica. A confusão entre os locais de aumento da resistência é um erro clássico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ultrassonografia com Doppler é um método diagnóstico importante. O calibre normal da veia porta é de até 13 mm; valores acima disso, associados a uma velocidade de fluxo reduzida (como 10 cm/s), são achados compatíveis com hipertensão portal. A alternativa descreve corretamente esses achados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome da obstrução sinusoidal, também chamada de doença veno-oclusiva, é uma causa intra-hepática pós-sinusoidal de hipertensão portal. A alternativa está correta ao classificá-la como intra-hepática, mas erra ao não especificar o subtipo, o que a torna incompleta e, portanto, incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As varizes gástricas, especialmente as do fundo gástrico, têm relação direta com o prognóstico do paciente. Elas apresentam alta taxa de hemorragia e podem sangrar mesmo com gradientes de pressão mais baixos, o que as torna um fator de risco importante. A alternativa afirma o contrário, sendo, portanto, incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hipertensão portal é definida como um GPVH superior a 5 mmHg, e não a 3 mmHg. O valor de 3 mmHg está dentro da faixa de normalidade, que varia entre 3 e 5 mmHg. Complicações clinicamente significativas, como varizes, geralmente ocorrem com valores superiores a 10 mmHg.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os valores de corte do GPVH e os locais de classificação das causas. Decore: normal é até 5 mmHg, hipertensão portal é acima de 5 mmHg, e complicações surgem acima de 10 mmHg. Além disso, a esquistossomose é intra-hepática pré-sinusoidal, nunca pré-hepática.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hipertensão portal, monte uma tabela mental com as causas por local de resistência: pré-hepática (trombose de veia porta/esplênica), intra-hepática pré-sinusoidal (esquistossomose, fibrose congênita), sinusoidal (cirrose), pós-sinusoidal (doença veno-oclusiva) e pós-hepática (síndrome de Budd-Chiari, pericardite constritiva). Isso resolve a maioria das questões de classificação.