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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu117165
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista Plantonista
Quanto a infecções urinárias na gestação, é correto afirmar que
  1. Ao rastreamento ativo de bacteriúria não necessita ser feito em pacientes assintomáticas em gestações de baixo risco.
  2. Ba prevalência de bacteriúria se eleva na gestação, porém a chance de resolução espontânea é a mesma da mulher não gestante.
  3. Ca chance global de pielonefrite na gestação é de 1% a 4%.
  4. Da chance de pielonefrite na mulher gestante com bacteriúria é 60% a 70%.
  5. Ea gestante com pielonefrite só necessita iniciar antibioticoterapia intravenosa internada se houver sinais de piora clínica.
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GabaritoC — a chance global de pielonefrite na gestação é de 1% a 4%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecções urinárias na gestação: bacteriúria assintomática e pielonefrite

Gabarito: letra C. A chance global de pielonefrite na gestação é de 1% a 4%, conforme a literatura obstétrica. A alternativa correta espelha esse dado epidemiológico, enquanto as demais distorcem prevalências, condutas de rastreamento e indicações de tratamento — é exatamente nesses números e condutas que a questão se divide.

A infecção do trato urinário (ITU) é a infecção bacteriana mais comum na gestação, e sua relevância clínica decorre do risco de complicações maternas e fetais. A gestante apresenta alterações fisiológicas que a tornam mais suscetível: estase urinária pela ação miorrelaxante da progesterona e compressão mecânica do útero sobre os ureteres, alterações físico-químicas da urina (maior conteúdo de glicose, aminoácidos e vitaminas), imunidade celular diminuída e refluxo vesicoureteral — este último considerado o principal fator. Essas mudanças explicam por que a bacteriúria assintomática, que afeta cerca de 10% das grávidas, não deve ser ignorada: se não tratada, 30% a 40% das gestantes desenvolvem ITU sintomática e 25% a 50% podem evoluir para pielonefrite.

A bacteriúria assintomática é definida pela presença de bactérias em contagens significativas na urocultura (≥ 100.000 UFC/mL), na ausência de sintomas urinários. Diferentemente da população geral, em que o rastreamento e o tratamento de rotina não são recomendados, na gestação há indicação formal de rastreamento na primeira consulta de pré-natal e tratamento das gestantes com cultura positiva. O tratamento reduz o risco de pielonefrite em cerca de 76% a 77% (NNT = 6-9), de parto prematuro em 66% (NNT = 7-49) e de baixo peso ao nascer em 36% (NNT = 13-102). As diretrizes da IDSA (2006, atualizadas em 2019) são claras: somente duas situações justificam rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática — gestantes (tratadas por 7 dias, com rastreamento periódico até o final da gestação) e pacientes submetidos a instrumentação do trato urinário (com antibiótico iniciado no pré-operatório).

A pielonefrite aguda é a complicação mais temida da ITU na gestação, pois associa-se a morbidade materna significativa e prematuridade. O diagnóstico é clínico, com febre, dor lombar ou em flanco, sinal de Giordano positivo e cilindros leucocitários. O tratamento da gestante com pielonefrite, em regra, exige internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa — não se aguarda sinais de piora clínica para iniciar a terapia parenteral, pois o risco de sepse e complicações obstétricas é alto. A escolha do antimicrobiano deve considerar o perfil de resistência local e a segurança na gestação, sendo opções comuns a nitrofurantoína, cefalexina, amoxicilina e fosfomicina para ITU baixa; na pielonefrite, a via parenteral é a regra.

A banca explora aqui a confusão entre os números epidemiológicos e as condutas específicas da gestação. O candidato que memoriza que "a pielonefrite ocorre em 30% a 40% das gestantes com bacteriúria não tratada" pode marcar a alternativa D, mas ela se refere ao risco individual da gestante com bacteriúria, não à chance global na população de gestantes. Da mesma forma, a alternativa A contraria a recomendação formal de rastreamento universal na gestação, e a E inverte a conduta de internação imediata. Guarde a fronteira entre prevalência global (1% a 4%) e risco individual na bacteriúria não tratada (25% a 50%): é nela que as alternativas se separam.

ITU na gestação
  • 1Bacteriúria assintomática
    • Prevalência: ~10%
    • Rastreamento universal no pré-natal
    • Tratamento: reduz pielonefrite em ~76%
    • Sem tratamento: 25–50% evoluem p/ pielonefrite
  • 2Pielonefrite aguda
    • Chance global: 1–4%
    • Diagnóstico clínico (febre, dor lombar, Giordano +)
    • Tratamento: internação + ATB IV imediata
  • 3Fatores de risco
    • Estase urinária (progesterona + útero)
    • Refluxo vesicoureteral
    • Glicosúria e imunidade diminuída
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento ativo de bacteriúria não precisa ser feito em gestantes assintomáticas de baixo risco. É exatamente o oposto: o rastreamento é recomendado para todas as gestantes, independentemente do risco obstétrico, na primeira consulta de pré-natal. A bacteriúria assintomática afeta cerca de 10% das grávidas e, se não tratada, evolui para pielonefrite em 25% a 50% dos casos. As diretrizes da IDSA indicam rastreamento e tratamento em gestantes, com urocultura de controle 1 semana após o término do tratamento e repetição mensal até o final da gestação. A banca troca a regra geral (não rastrear bacteriúria assintomática na população) pela exceção gestacional (rastrear e tratar).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Diz que a prevalência de bacteriúria se eleva na gestação, mas a chance de resolução espontânea é a mesma da mulher não gestante. A primeira parte está correta — a prevalência é maior na gestação (cerca de 10%) —, mas a segunda é falsa: a gestante tem menor chance de resolução espontânea, justamente pelas alterações fisiológicas que favorecem a persistência bacteriana (estase urinária, refluxo vesicoureteral, glicosúria). Além disso, a bacteriúria assintomática na gestação não deve ser deixada à resolução espontânea: há indicação formal de tratamento, pois o risco de complicações (pielonefrite, prematuridade, baixo peso ao nascer) é alto e o tratamento reduz significativamente esses desfechos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A chance global de pielonefrite na gestação é de 1% a 4%. Esse é o dado epidemiológico clássico: a pielonefrite aguda complica cerca de 1% a 2% de todas as gestações, podendo chegar a 4% em algumas séries. É um número distinto do risco individual da gestante com bacteriúria assintomática não tratada, que é de 25% a 50%. A alternativa está correta porque reproduz fielmente a prevalência global da doença na população de gestantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a chance de pielonefrite na gestante com bacteriúria é de 60% a 70%. O número está errado: entre gestantes com bacteriúria assintomática não tratada, 25% a 50% podem desenvolver pielonefrite. O valor de 60% a 70% não corresponde a nenhum dado da literatura. A banca provavelmente distorceu o percentual para confundir o candidato que memorizou o risco individual sem precisão. O dado correto: 30% a 40% desenvolvem ITU sintomática e 25% a 50% podem apresentar pielonefrite.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a gestante com pielonefrite só necessita iniciar antibioticoterapia intravenosa internada se houver sinais de piora clínica. É o oposto da conduta recomendada: a pielonefrite na gestação é indicação de internação hospitalar e antibioticoterapia intravenosa imediata, não se aguardando piora clínica. O risco de sepse, trabalho de parto prematuro e complicações obstétricas é alto, e o tratamento parenteral precoce é a regra. A banca inverte a lógica: em vez de tratar agressivamente desde o início, a alternativa sugere uma postura expectante, que é perigosa na gestação.

Gabarito: letra C — a chance global de pielonefrite na gestação é de 1% a 4%.

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