Paciente feminina, 55 anos, submetida a transplante renal, há 3 anos, iniciou sintomas urinários mistos de armazenamento e esvaziamento associado a dois episódios de hematúria macroscópica. Foi realizada cistoscopia, encontrando-se uma lesão plana de 1 cm, marrom-amarelada, que foi ressecada. O anátomo patológico dessa lesão revelou presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann.Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que o diagnóstico desse caso é
Amalacoplaquia.
Btuberculose vesical.
Cequinococose vesical.
Dtumor urotelial indiferenciado.
Efístula colon-vesical.
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GabaritoA — malacoplaquia.
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Malacoplaquia vesical: diagnóstico pela histologia
Gabarito: letra A. O diagnóstico é malacoplaquia, pois a presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann no exame anatomopatológico é o achado histológico característico e praticamente patognomônico dessa doença, que ocorre com maior frequência em pacientes imunossuprimidos, como a receptora de transplante renal do caso. As demais alternativas apresentam outras causas de lesões vesicais que não cursam com esse achado histológico específico.
A malacoplaquia é uma doença inflamatória granulomatosa crônica, rara, que acomete principalmente o trato urinário, sendo a bexiga o sítio mais comum. Acomete mais mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos, e os fatores de risco incluem imunossupressão, infecções crônicas e diabetes. A patogênese está relacionada a um defeito na capacidade dos macrófagos de digerir bactérias (frequentemente Escherichia coli), levando ao acúmulo de material fagocitado não degradado no citoplasma dessas células. Esse material, composto por debris bacterianos e cristais de fosfato de cálcio, forma os corpúsculos de Michaelis-Gutmann, que são inclusões lamelares basofílicas, com aspecto de "alvo" ou "olho de boi", visualizadas na histologia. A lesão macroscópica típica é uma placa ou nódulo amarelado, elevado ou plano, que pode ser única ou múltipla, e a hematúria é um sintoma comum, assim como os sintomas irritativos de armazenamento e esvaziamento descritos no caso.
O diagnóstico é feito pela cistoscopia com biópsia, e o tratamento de escolha é a associação de antibióticos que penetram bem no interior dos macrófagos, como as fluoroquinolonas ou o trimetoprima-sulfametoxazol, por um período prolongado. Em casos refratários ou com complicações, pode ser necessária a ressecção cirúrgica da lesão. É importante diferenciar a malacoplaquia de outras condições que cursam com lesões vesicais, como a tuberculose vesical, que apresenta granulomas caseosos e bacilos álcool-ácido resistentes; a equinococose, que forma cistos hidáticos; o tumor urotelial, que é uma neoplasia maligna; e a fístula colo-vesical, que se manifesta com pneumatúria e fecalúria. A presença dos corpúsculos de Michaelis-Gutmann é o marcador que define o diagnóstico, sendo um achado que o candidato deve reconhecer de imediato.
A banca explora a associação entre um contexto clínico (paciente imunossuprimida com sintomas urinários e hematúria) e um achado histopatológico específico. O candidato que não conhece a malacoplaquia pode se perder entre as outras opções, que são diagnósticos diferenciais de lesões vesicais, mas que não apresentam os corpúsculos de Michaelis-Gutmann. A chave da questão é o reconhecimento desse corpúsculo como patognomônico da malacoplaquia, e a associação com o estado de imunossupressão da paciente, que é um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença.
Malacoplaquia vesical: Achado histológico (Corpúsculos de Michaelis-Gutmann, Inclusões lamelares basofílicas ("olho de boi")); Fatores de risco (Imunossupressão (transplante), Infecções crônicas, Diabetes); Patogênese (Defeito dos macrófagos em digerir bactérias (E. coli), Acúmulo de material fagocitado); Quadro clínico (Sintomas urinários mistos, Hematúria macroscópica); Tratamento (Fluoroquinolonas ou trimetoprima-sulfametoxazol, Ressecção cirúrgica em casos refratários)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta, pois a presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann no exame anatomopatológico é o achado histológico característico da malacoplaquia. A paciente, por ser transplantada renal e estar em uso de imunossupressores, apresenta um fator de risco importante para o desenvolvimento dessa doença inflamatória crônica, que se manifesta com sintomas urinários irritativos e hematúria, e a lesão plana e amarelada descrita na cistoscopia é o aspecto macroscópico típico. O diagnóstico é confirmado pela histologia, que evidencia os corpúsculos de Michaelis-Gutmann, inclusões citoplasmáticas basofílicas e lamelares, formadas por material fagocitado não digerido, frequentemente associado a infecção por E. coli.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tuberculose vesical é uma complicação da tuberculose renal, e o diagnóstico é feito pela presença de granulomas caseosos e bacilos álcool-ácido resistentes na biópsia, além de cultura positiva para Mycobacterium tuberculosis. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados na tuberculose, e a lesão típica é uma úlcera ou área de hiperemia, não uma placa amarelada. A paciente não apresenta sintomas sistêmicos como febre, sudorese noturna ou perda de peso, que seriam esperados na tuberculose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A equinococose vesical é uma doença parasitária causada pelo Echinococcus granulosus, que forma cistos hidáticos no fígado e, raramente, em outros órgãos, como a bexiga. O diagnóstico é feito pela presença de cistos com membrana laminada e escólices no exame histopatológico, e não há corpúsculos de Michaelis-Gutmann. A lesão descrita na cistoscopia, uma placa plana e amarelada, não é compatível com um cisto hidático, que seria uma lesão cística e bem delimitada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tumor urotelial indiferenciado é uma neoplasia maligna do urotélio, e o diagnóstico é feito pela presença de células neoplásicas com atipias e pleomorfismo no exame histopatológico. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados em tumores uroteliais, e a lesão descrita, uma placa plana e amarelada, não é o aspecto típico de um tumor urotelial, que geralmente se apresenta como uma lesão papilífera ou sólida. A paciente não apresenta fatores de risco para câncer de bexiga, como tabagismo ou exposição ocupacional a aminas aromáticas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A fístula colo-vesical é uma comunicação anormal entre o cólon e a bexiga, que se manifesta com pneumatúria, fecalúria e infecções urinárias de repetição. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como tomografia computadorizada ou cistografia, e a cistoscopia pode mostrar a abertura da fístula, mas não uma placa amarelada. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados na fístula colo-vesical, e a paciente não apresenta os sintomas típicos dessa condição, como eliminação de fezes ou gases pela urina.