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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu117176
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista Plantonista
Paciente feminina, 55 anos, submetida a transplante renal, há 3 anos, iniciou sintomas urinários mistos de armazenamento e esvaziamento associado a dois episódios de hematúria macroscópica. Foi realizada cistoscopia, encontrando-se uma lesão plana de 1 cm, marrom-amarelada, que foi ressecada. O anátomo patológico dessa lesão revelou presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann.Com base nos dados apresentados, é correto afirmar que o diagnóstico desse caso é
  1. Amalacoplaquia.
  2. Btuberculose vesical.
  3. Cequinococose vesical.
  4. Dtumor urotelial indiferenciado.
  5. Efístula colon-vesical.
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GabaritoA — malacoplaquia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Malacoplaquia vesical: diagnóstico pela histologia

Gabarito: letra A. O diagnóstico é malacoplaquia, pois a presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann no exame anatomopatológico é o achado histológico característico e praticamente patognomônico dessa doença, que ocorre com maior frequência em pacientes imunossuprimidos, como a receptora de transplante renal do caso. As demais alternativas apresentam outras causas de lesões vesicais que não cursam com esse achado histológico específico.

A malacoplaquia é uma doença inflamatória granulomatosa crônica, rara, que acomete principalmente o trato urinário, sendo a bexiga o sítio mais comum. Acomete mais mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos, e os fatores de risco incluem imunossupressão, infecções crônicas e diabetes. A patogênese está relacionada a um defeito na capacidade dos macrófagos de digerir bactérias (frequentemente Escherichia coli), levando ao acúmulo de material fagocitado não degradado no citoplasma dessas células. Esse material, composto por debris bacterianos e cristais de fosfato de cálcio, forma os corpúsculos de Michaelis-Gutmann, que são inclusões lamelares basofílicas, com aspecto de "alvo" ou "olho de boi", visualizadas na histologia. A lesão macroscópica típica é uma placa ou nódulo amarelado, elevado ou plano, que pode ser única ou múltipla, e a hematúria é um sintoma comum, assim como os sintomas irritativos de armazenamento e esvaziamento descritos no caso.

O diagnóstico é feito pela cistoscopia com biópsia, e o tratamento de escolha é a associação de antibióticos que penetram bem no interior dos macrófagos, como as fluoroquinolonas ou o trimetoprima-sulfametoxazol, por um período prolongado. Em casos refratários ou com complicações, pode ser necessária a ressecção cirúrgica da lesão. É importante diferenciar a malacoplaquia de outras condições que cursam com lesões vesicais, como a tuberculose vesical, que apresenta granulomas caseosos e bacilos álcool-ácido resistentes; a equinococose, que forma cistos hidáticos; o tumor urotelial, que é uma neoplasia maligna; e a fístula colo-vesical, que se manifesta com pneumatúria e fecalúria. A presença dos corpúsculos de Michaelis-Gutmann é o marcador que define o diagnóstico, sendo um achado que o candidato deve reconhecer de imediato.

A banca explora a associação entre um contexto clínico (paciente imunossuprimida com sintomas urinários e hematúria) e um achado histopatológico específico. O candidato que não conhece a malacoplaquia pode se perder entre as outras opções, que são diagnósticos diferenciais de lesões vesicais, mas que não apresentam os corpúsculos de Michaelis-Gutmann. A chave da questão é o reconhecimento desse corpúsculo como patognomônico da malacoplaquia, e a associação com o estado de imunossupressão da paciente, que é um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença.

1Achado histológico
Corpúsculos de Michaelis-Gutmann
Inclusões lamelares basofílicas ("olho de boi")
2Fatores de risco
Imunossupressão (transplante)
Infecções crônicas
Diabetes
3Patogênese
Defeito dos macrófagos em digerir bactérias (E. coli)
Acúmulo de material fagocitado
4Quadro clínico
Sintomas urinários mistos
Hematúria macroscópica
5Tratamento
Fluoroquinolonas ou trimetoprima-sulfametoxazol
Ressecção cirúrgica em casos refratários
Malacoplaquia vesical
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Malacoplaquia vesical: Achado histológico (Corpúsculos de Michaelis-Gutmann, Inclusões lamelares basofílicas ("olho de boi")); Fatores de risco (Imunossupressão (transplante), Infecções crônicas, Diabetes); Patogênese (Defeito dos macrófagos em digerir bactérias (E. coli), Acúmulo de material fagocitado); Quadro clínico (Sintomas urinários mistos, Hematúria macroscópica); Tratamento (Fluoroquinolonas ou trimetoprima-sulfametoxazol, Ressecção cirúrgica em casos refratários)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta, pois a presença de corpúsculos de Michaelis-Gutmann no exame anatomopatológico é o achado histológico característico da malacoplaquia. A paciente, por ser transplantada renal e estar em uso de imunossupressores, apresenta um fator de risco importante para o desenvolvimento dessa doença inflamatória crônica, que se manifesta com sintomas urinários irritativos e hematúria, e a lesão plana e amarelada descrita na cistoscopia é o aspecto macroscópico típico. O diagnóstico é confirmado pela histologia, que evidencia os corpúsculos de Michaelis-Gutmann, inclusões citoplasmáticas basofílicas e lamelares, formadas por material fagocitado não digerido, frequentemente associado a infecção por E. coli.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tuberculose vesical é uma complicação da tuberculose renal, e o diagnóstico é feito pela presença de granulomas caseosos e bacilos álcool-ácido resistentes na biópsia, além de cultura positiva para Mycobacterium tuberculosis. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados na tuberculose, e a lesão típica é uma úlcera ou área de hiperemia, não uma placa amarelada. A paciente não apresenta sintomas sistêmicos como febre, sudorese noturna ou perda de peso, que seriam esperados na tuberculose.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A equinococose vesical é uma doença parasitária causada pelo Echinococcus granulosus, que forma cistos hidáticos no fígado e, raramente, em outros órgãos, como a bexiga. O diagnóstico é feito pela presença de cistos com membrana laminada e escólices no exame histopatológico, e não há corpúsculos de Michaelis-Gutmann. A lesão descrita na cistoscopia, uma placa plana e amarelada, não é compatível com um cisto hidático, que seria uma lesão cística e bem delimitada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tumor urotelial indiferenciado é uma neoplasia maligna do urotélio, e o diagnóstico é feito pela presença de células neoplásicas com atipias e pleomorfismo no exame histopatológico. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados em tumores uroteliais, e a lesão descrita, uma placa plana e amarelada, não é o aspecto típico de um tumor urotelial, que geralmente se apresenta como uma lesão papilífera ou sólida. A paciente não apresenta fatores de risco para câncer de bexiga, como tabagismo ou exposição ocupacional a aminas aromáticas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fístula colo-vesical é uma comunicação anormal entre o cólon e a bexiga, que se manifesta com pneumatúria, fecalúria e infecções urinárias de repetição. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como tomografia computadorizada ou cistografia, e a cistoscopia pode mostrar a abertura da fístula, mas não uma placa amarelada. Os corpúsculos de Michaelis-Gutmann não são encontrados na fístula colo-vesical, e a paciente não apresenta os sintomas típicos dessa condição, como eliminação de fezes ou gases pela urina.

Gabarito: letra A

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