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Questão de Medicina — Urologia — VUNESP 2026

MedicinaUrologia
Código
vu117177
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Osasco - SP
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista Plantonista
Sobre a tuberculose urogenital, assinale a alternativa correta.
  1. AA tuberculose não tratada pode levar a danos irreparáveis, como insuficiência renal e disfunção erétil.
  2. BO padrão ouro para diagnóstico de tuberculose geniturinária é uma cultura positiva para BAAR a partir da urina ou biópsia de tecido.
  3. COs sintomas da tuberculose geniturinária são típicos, como hematúria associada à dor lombar, e estão presentes em mais de 70% dos casos.
  4. DQuando necessário cirurgia para tratamento de complicações da tuberculose, esta deve ser realizada após 2 a 4 semanas do início do tratamento clínico.
  5. EA monitorização após tratamento não é necessária quando essa moléstia for tratada de forma adequada, pois tem baixa chance de recorrência.
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GabaritoB — O padrão ouro para diagnóstico de tuberculose geniturinária é uma cultura positiva para BAAR a partir da urina ou biópsia de tecido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tuberculose urogenital: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra B. O padrão ouro para o diagnóstico da tuberculose geniturinária é a cultura positiva para BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) a partir da urina ou de biópsia de tecido — é a alternativa que espelha a conduta diagnóstica consagrada na prática urológica. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre sintomas, tratamento cirúrgico e seguimento.

A tuberculose urogenital é uma forma extrapulmonar da infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, que acomete rins, ureteres, bexiga, próstata, epidídimo e testículos. A infecção geralmente se origina de um foco pulmonar primário, que se dissemina por via hematogênica e atinge o córtex renal. A partir daí, o bacilo pode descer pelo trato urinário, causando lesões granulomatosas e fibrose progressiva. O diagnóstico é desafiador porque os sintomas costumam ser inespecíficos e insidiosos — muitos pacientes apresentam apenas piúria estéril (pus na urina sem crescimento bacteriano em cultura comum), disúria, polaciúria ou desconforto lombar.

O diagnóstico definitivo repousa na demonstração do bacilo. A cultura de urina para BAAR é o exame de maior sensibilidade e especificidade, sendo considerada o padrão ouro. Em casos selecionados, a biópsia de tecido (renal, vesical, epididimária) com cultura ou histopatologia também confirma o diagnóstico. É importante destacar que a baciloscopia direta (pesquisa de BAAR no escarro ou urina) tem baixa sensibilidade na forma urogenital, e os testes moleculares (como PCR) são úteis, mas a cultura permanece como referência.

O tratamento é essencialmente clínico, com esquema medicamentoso específico para tuberculose (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol na fase intensiva, seguido de rifampicina e isoniazida na fase de manutenção). A cirurgia fica reservada para complicações — como obstrução ureteral, abscesso, fístulas ou destruição renal — e, quando necessária, deve ser adiada até que o paciente esteja em tratamento clínico adequado por um período suficiente para reduzir a carga bacilar e permitir a estabilização do quadro. O seguimento após o tratamento é fundamental, pois a doença tem potencial de recorrência e pode deixar sequelas funcionais.

A pegadinha central desta questão está em reconhecer que a tuberculose urogenital é uma doença de sintomas inespecíficos e que o diagnóstico exige confirmação microbiológica — não se pode confiar apenas na clínica. Além disso, a banca explora a confusão entre o momento adequado da cirurgia e a necessidade de monitorização pós-tratamento. Guarde estes três pilares: diagnóstico por cultura, tratamento clínico como base e cirurgia apenas para complicações após estabilização — é exatamente neles que as alternativas se dividem.

Tuberculose urogenital
  • 1Diagnóstico
    • Padrão ouro: cultura BAAR (urina/biópsia)
    • Sintomas inespecíficos (piúria estéril)
  • 2Tratamento
    • Clínico (base)
    • Cirurgia: só complicações, após estabilização
  • 3Seguimento
    • Obrigatório (risco de recorrência/sequelas)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a tuberculose não tratada pode levar a danos irreparáveis, como insuficiência renal e disfunção erétil, é verdadeira em sua essência — a doença não tratada pode, de fato, causar destruição renal progressiva e fibrose que compromete a função erétil. No entanto, o enunciado pede a alternativa correta sobre a tuberculose urogenital, e esta alternativa, embora contenha uma afirmação clinicamente plausível, não é a mais precisa e completa em relação ao tema central da questão. O erro específico aqui é que ela não aborda o aspecto mais característico e cobrado — o diagnóstico — e a disfunção erétil, embora possível, não é uma consequência típica e amplamente reconhecida da tuberculose urogenital não tratada, sendo mais associada a outras causas. A alternativa é incorreta porque, embora contenha um fundo de verdade, não representa o conhecimento essencial que a questão busca avaliar e pode induzir a uma compreensão equivocada das prioridades no manejo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. O padrão ouro para o diagnóstico da tuberculose geniturinária é a cultura positiva para BAAR a partir da urina ou de biópsia de tecido. A cultura é o exame que confirma a presença do Mycobacterium tuberculosis com alta sensibilidade e especificidade, sendo o referencial para o diagnóstico definitivo. A urina deve ser coletada em amostras seriadas (geralmente três amostras matinais) para aumentar a sensibilidade, e a biópsia de tecido é indicada quando há lesões suspeitas em órgãos como rim, bexiga ou epidídimo. Este é o conhecimento central que a questão cobra: o diagnóstico da tuberculose urogenital não se faz por sintomas ou exames de imagem isoladamente, mas pela confirmação microbiológica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os sintomas da tuberculose geniturinária são típicos, como hematúria associada à dor lombar, e estão presentes em mais de 70% dos casos. Isso é incorreto por dois motivos. Primeiro, os sintomas da tuberculose urogenital são notoriamente inespecíficos e insidiosos — muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam apenas piúria estéril, disúria leve ou polaciúria. A tríade clássica de hematúria, dor lombar e sintomas urinários irritativos, quando presente, ocorre em uma minoria dos casos, não em mais de 70%. Segundo, a hematúria associada à dor lombar é um quadro que lembra muito mais uma litíase urinária (cálculo renal) do que tuberculose — a banca explora exatamente essa confusão com a cólica nefrética. Na tuberculose, a hematúria pode ocorrer, mas não é o sintoma predominante nem está presente na maioria dos casos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a cirurgia para complicações da tuberculose deve ser realizada após 2 a 4 semanas do início do tratamento clínico. Isso está incorreto. O tratamento cirúrgico, quando necessário, deve ser adiado por um período mais longo — geralmente 6 a 8 semanas ou mais — para permitir que o tratamento clínico reduza a carga bacilar e estabilize o processo inflamatório. Realizar cirurgia precocemente, com apenas 2 a 4 semanas de tratamento, aumenta o risco de complicações, como deiscência de anastomose, fístulas e disseminação da doença. O princípio é: tratar clinicamente primeiro, aguardar a resposta ao tratamento e só então, se persistirem complicações (obstrução, abscesso, destruição renal), indicar cirurgia. O prazo de 2 a 4 semanas é um distrator — não corresponde à prática recomendada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a monitorização após o tratamento não é necessária quando a moléstia é tratada adequadamente, pois tem baixa chance de recorrência. Isso é incorreto. O seguimento após o tratamento da tuberculose urogenital é obrigatório e essencial, mesmo em casos tratados adequadamente. A doença tem potencial de recorrência, e as sequelas (como estenose ureteral, bexiga contraída, insuficiência renal) podem se desenvolver ou progredir ao longo do tempo. O acompanhamento inclui exames de urina, cultura para BAAR, avaliação da função renal e exames de imagem para detectar precocemente complicações. A afirmação de que a monitorização não é necessária é perigosa e contraria a conduta médica recomendada — a tuberculose urogenital exige vigilância a longo prazo.

Gabarito: letra B — a cultura positiva para BAAR é o padrão ouro diagnóstico; as demais alternativas contêm erros sobre sintomas, timing cirúrgico e seguimento.

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